O "nosso" Guilherme Nucci

                                                                                                                         Carlos F. Paula Neto

Guilherme Nucci! Por que eu haveria de perder um amigo como ele? Por que vocês, esposa e filhos, haveriam de perder um pai e um marido como ele? Por que todos os seus entes queridos, amigos e familiares, deveriam ser privados de sua sempre radiante e comunicativa presença? Sim, mas Alguém mais também o queria a seu lado, além de nós.Porém, tirou-nos o nosso amado Guilherme, muito cedo, de nosso convívio. Ainda haveria muito o que fazer, ainda haveria muito o que aprender com ele. Nós tres, Dª Quinita, Moacyr e eu, seus companheiros diários de correspondência, não sabemos como vamos enfrentar a sua falta. Quantas polêmicas, dúvidas, casos e brilhantes reflexões nos brindou durante este tempo. Quanta colaboração e ajuda nos deu, no nosso resgate da memória da escola que ele amava, tanto como nós. Quanta gente que ele nos fez conhecer e admirar, sem que nunca as tivéssemos conhecido. Quanto amor ele manifestava pela sua família, constantemente e orgulhosamente citada em nossos papos. Sentiremos falta. Não tanto aquela falta tão doída e amarga da ausência física, cotidiana, que assola toda a família, mas a não menos difícil de suportar falta da sua amizade.

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Poucas semanas após eu ter plantado a primeira semente deste site, que a princípio iria tão somente divulgar a Monografia Histórica da escola, escrita por meu avô em 1946, enviei um pedido ao meu ex-colega de classe Moacyr Castro, jornalista e colunista do Correio Popular, para que me ajudasse na divulgação do trabalho, visto a grande penetração que sua coluna possui na cidade.

O que eu não esperava é que, além da divulgação, Moacyr me colocou em sintonia com duas pessoas especiais, as quais eu já conhecia de longa data, mas não mantinha contato desde então. Eram elas a professora Quinita Ribeiro Sampaio e o ex-aluno Guilherme Nucci. A Profª Quinita me era familiar, pois havia sido professora do Culto por muitos anos. Já o Guilherme protagonizou comigo um encontro interessante. Apresentou-se a mim, na grande festa de 1998, com a naturalidade de um parente muito próximo, discorrendo detalhes de minha família como se realmente fosse parte dela. Explica-se: morou na infância na Rua Joaquim Novaes, quase defronte onde existia a casa de meu avô. Chegava mesmo até a frequentar a casa dele, fazendo amizade com meus avós e tios.

O que mais me espantou no Guilherme foi a sua incrível capacidade de se lembrar de fatos e pessoas, levando-se em conta que a sua idade não chegava a ultrapassar a minha em 3 anos. E eis que, quatro anos depois daquele encontro, Moacyr nos joga frente a frente, através da rede virtual.

O que se seguiu a isso foi uma feliz conjunção de pessoas, ligadas por uma "paranóia" em comum - o amor ao nosso Colégio Culto à Ciência. Não exagero ao afirmar que grande parte deste trabalho devo à ele. Foram inúmeras trocas de informações, consultas, ajuda no reconhecimento de alunos e professores nas fotos, envio de artigos, depoimentos e material fotográfico abundante. Atuante no ramo de comunicação e marketing, Guilherme não poupou esforços em me dar dicas e conselhos em várias oportunidades.

Uma coisa, porém, o preocupava. A sua humildade e discrição faziam dele possuidor de um receio infundado: o de "aparecer" demais, de se destacar demasiadamente junto ao site. E nós, demais colaboradores, sabemos como, às vezes, era difícil convencê-lo a que nos deixasse publicar seus materiais.

No domingo que antecedeu a sua partida do nosso convívio, Guilherme enviou a nós algo que manteve oculto durante este quase um ano de conversas: o seu discurso, lido por ele na formatura do Colegial, no Culto à Ciência, em 1965. Mais uma vez, ao indagá-lo sobre a divulgação do texto, disse-me preferir mantê-lo privado. Agora, o ímpeto jornalístico que corre nas veias de Moacyr o encumbiu e o impulsionou por esta espécie de desobediência póstuma. Homenageou-o então, em sua coluna do Correio Popular, para que a cidade que ele tanto amava saiba da partida de um autêntico cidadão campineiro.

Carlos F de Paula Neto.

 


© Carlos Francisco Paula Neto - última atualização em 21/03/2009
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