Segue abaixo a íntegra da obra, apresentada aqui em sua forma original, tal qual foi publicada e editada em 1946. A revisão ortográfica feita neste texto abrangeu algumas alterações gramaticais ocorridas desde então. 

*** **** ***

PRIMEIRA PARTE   

 MONOGRAFIA HISTÓRICA DO COLÉGIO CULTO À CIÊNCIA

 CAP. I - SOCIEDADE CULTO À CIÊNCIA - CONSTRUÇÃO E INAUGURAÇÃO DO COLÉGIO CULTO A CIÊNCIA 

SUA ATIVIDADE NO PRIMEIRO DECÊNIO (1874 - 1884)  

 

      Era Campinas, no princípio do terceiro quartel do século passado, um dos municípios mais prósperos e opulentos da então Província de São Paulo. A feracidade de suas terras, trabalhadas pelo braço escravo, sob a direção enérgica dos descendentes de destemidos desbravadores de florestas, transformara a cidade na capital agrícola da Província.

Entretanto, até o ano de 1854, somente três de seus filhos haviam conquistado a láurea de um diploma científico, conforme escreveu o grande campineiro Campos Salles (Almanaque de Campinas para 1873). A cultura da terra, absorvente e remuneratória, precedera a cultura da inteligência, propiciando-lhe mesmo o advento, fazendo de Campinas um dos mais notáveis centros culturais do país.

Muitos jovens campineiros procuram então instruir-se em estabelecimentos de ensino da capital da Província, no colégio S. João do Lageado, em Sorocaba, enquanto outros fazem seus estudos em colégios que se fundaram em Campinas, como sejam o colégio S. João, do professor João Brás da Silveira Caldeira; o colégio do professor João Batista Pupo de Morais, que funcionava na fazenda Laranjal (Joaquim Egídio); as escolas dos professores Malaquias Ghirlanda, Joaquim Roberto Alves, e outros.

Em princípio do ano de 1869, agitou-se a idéia da fundação de um estabelecimento de ensino na cidade, uma casa de educação que fosse modelar sob o tríplice aspeto intelectual, moral e físico. .Fora o idealizador da alevantada iniciativa o adiantado agricultor Antonio Pompeu de Camargo, homem Antonio Pompeu de Camargo de convicções seguras, destinado pelo seu caráter a personificar o tipo moral de uma época na terra que lhe serviu de berço. O plano do benquisto campineiro foi recebido com franca simpatia e grande entusiasmo pelos conterrâneos.

Tratou-se logo de organizar uma sociedade constituída por pessoas gradas, representadas por fazendeiros, industriais, comerciantes e alguns graduados pelas academias, com o objetivo de concretizar tão nobre e patriótica idéia.

       Na data de seis de fevereiro de 1869, tornaram público o seguinte manifesto escrito: “Convencidos de quanto é sensível nesta cidade à falta de um estabelecimento que se destine ao ensino primário e secundário, regularmente montado, de modo a poder realizar com o aperfeiçoamento possível a educação moral e intelectual dos alunos; convencidos de que esta falta, dificultando a educação dos filhos deste município, embaraça de modo extraordinário o seu progresso moral, e assim neutraliza os grandes elementos de prosperidade que já possui; convencidos, finalmente, de que é já tempo de providenciar decisivamente sobre uma tão palpitante quanto urgente necessidade, têm os abaixo assinados, para o fim de fazer edificar ou reconstruir um prédio com as acomodações especiais para o referido estabelecimento de ensino, se associado nas condições abaixo descritas”.

Seis foram as condições aceitas, sendo as mais importantes as seguintes: a) Nomear-se uma diretoria com o encargo de mandar construir ou reedificar um prédio que pudesse obter por compra. b) O prédio regularmente montado deveria ser entregue por aluguel a indivíduo de reconhecida capacidade para direção do ensino, e) Cada sócio contribuiria com a quota de quinhentos cruzeiros ou mais, se lhe aprouvesse.

O referido manifesto foi apresentado à numerosa reunião de pessoas das mais representativas, que se realizou no Paço Municipal a 19 de maio desse ano. Discutido o assunto para que fora convocada a reunião, são em seguida aprovados seus pontos principais, reduzindo-se apenas a quota sugerida de quinhentos cruzeiros para vinte e cinco cruzeiros, não se podendo aceitar acionistas com número menor de cinco quotas.

Foi na mesma ocasião nomeada uma comissão constituída pelos drs. Jorge de Miranda, Manuel Ferraz de Campos Salles e Cândido Ferreira da Silva Camargo para confeccionar os estatutos da novel Sociedade. Ficou também constituída a diretoria provisória com cincoComendador Joaquim Bonifácio do Amaral membros, tendo sido eleitos: Comendador Joaquim Bonifácio do Amaral (depois visconde de Indaiatuba), comendador Joaquim Egídio de Sousa Aranha (depois marquês de Três Rios), Joaquim Quirino dos Santos, dr. Jorge Guilherme Henrique Krug e Antônio Pompeu de Camargo.

Conferiram-se poderes a esta diretoria para representar a sociedade em seus negócios e arrecadar o dinheiro necessário para compra de um prédio, sendo então alvitrada a aquisição do antigo sobrado pertencente a herdeiros do tenente Felisberto Pinto Tavares.

A ata desta memorável reunião foi assinada pelo presidente Joaquim Bonifácio do Amaral, secretário Cândido Ferreira da Silva Camargo, Floriano Ferreira de Camargo Andrade, Antônio Dias Novais, Luís Antônio de Pontes Barbosa, Joaquim Floriano Novais de Camargo, Antônio Carlos Pacheco e Silva, Joaquim Egidio de Sousa Aranha, Antônio Leite de Camargo Barros, Álvaro Xavier de Camargo Andrade, Floriano de Camargo Campos, Francisco de Campos Andrade, Manuel Ferraz de Campos Salles, Jorge de Miranda, Eliseu Teixeira Nogueira, Pedro José dos Santos Camargo, Jorge Henrique Krug, Joaquim Teodoro Teixeira, Cândido José Leite Bueno, Antônio Manuel Proença, Domingos Leite Penteado e Francisco Soares de Abreu.

O alvitre para aquisição do grande sobrado pertencente aos herdeiros de Felisberto Pinto Tavares não se efetivou. Este sobrado, sito à rua Dr. Quirino (antiga rua do Comércio), tornou-se propriedade do Barão de Ibitinga, mas estava predestinado a ser a sede de um grande colégio; efetivamente, desde o ano de 1921 lá está instalado o Colégio Ateneu Paulista, cujos proprietários adquiriram então por cem mil cruzeiros o imóvel que passou por notável transformação.  (N.A. Atualmente o prédio do Ateneu Paulista não mais existe)

Em reunião de 11 de julho ficou resolvido que se procurasse uma grande área de terreno em condições de satisfazer o fim a que se destinava, devendo a apresentação dos trabalhos nesse sentido, inclusive preço de compra, ser feita em uma assembléia que ficou marcada para o dia 22 de agosto.

Na assembléia realizada nesse dia, ficou estabelecido, entre outras resoluções, que a aquisição do terreno seria de exclusiva competência da diretoria da Sociedade; foi também aprovado o projeto dos estatutos que, apresentados ao Governo Provincial obtiveram a carta na forma da lei, em data de 23 de setembro de 1869.

Na mesma assembléia, os diretores Joaquim Egídio, Joaquim Quirino e dr. Jorge Krug ofereceram uma relação dos terrenos examinados, com os respectivos preços. Em virtude do que fora deliberado, a diretoria optou pela compra da grande chácara pertencente ao tenente Antônio Rodrigues de Almeida, situada na extremidade da rua Alegre, que era a denominação da atual rua Culto à Ciência.

Reunindo os requisitos necessários para o fim a que se destinava, com uma área superior a Dois hectares, contendo rico manancial de água pura, não se poderia encontrar outro terreno mais adequado, apesar de afastado do centro urbano. A escritura de compra foi lavrada a nove de novembro, pela quantia de dez mil cruzeiros, abstendo-se de tomarem parte na deliberação e ato de escritura os diretores Joaquim Bonifácio do Amaral e Antônio Pompeu de Camargo, que se deram por suspeitos, por motivo de parentesco com o vendedor do terreno.

Nessa época, porém, foi a esperançosa Sociedade obrigada a interromper, por algum tempo, a sua marcha, não porque se arrefecesse o ardor dos associados, mas em virtude das circunstâncias adversas que por aquele tempo sobrevieram, acarretando à lavoura do pais um certo desalento, que não podia deixar de se refletir na vida de um município agrícola, como era Campinas.

Em janeiro de 1873, quando felizmente já estavam desvanecidos todos os receios, o ilustre campineiro comendador Joaquim Bonifácio do Amaral que era o presidente da diretoria, convocou os sócios para se reunirem em assembléia geral, que se realizou no dia 12 desse mês no edifício da Câmara Municipal.

Presentes 21 sócios, o presidente da diretoria apresentou o relatório e contas, que foram aprovados. A seguir, explicou os motivos pelos quais a diretoria não contratara ainda, a construção do prédio destinado ao colégio, e solicitou o apoio de todos os acionistas para ser levado a bom termo o programa da Sociedade. Pela assembléia foi dada plena adesão a todos os atos praticados pela diretoria, hipotecando-lhe ainda todo auxílio para o bom desempenho de sua missão.

Estando findo o prazo marcado nos Estatutos para a duração da diretoria, e atendendo aos justos motivos apresentados pelo Barão de Três Rios (Joaquim Egídio de Sousa Aranha) e Joaquim Quirino dos Santos, na mesma assembléia foi eleita a seguinte diretoria: Comendador Joaquim Bonifácio do Amaral, Antônio Pompeu de Camargo, dr. Jorge Krug, dr. Américo Brasiliense de Almeida Melo e dr. Joaquim José Vieira de Carvalhais. Os membros da nova diretoria gozavam do mais alto conceito na sociedade campineira, reunindo, pois, todos os predicados para efetivar a idéia grandiosa que era a razão de ser da Sociedade Culto à Ciência.

A diretoria, após haver realizado diversas reuniões em casa do comendador Joaquim Bonifácio do Amaral, que continuou como presidente, abriu concorrência para a construção do edifício destinado ao colégio. Estudadas as propostas apresentadas, foi aceita a do empreiteiro construtor Guilherme Krug (abstendo-se de votar o diretor dr. Jorge Krug), que se sujeitou às condições exigidas pela diretoria.

A 11 de março de 1873 lavrou-se, no cartório do 2.o tabelião José Henrique de Pontes, a escritura do contrato de empreitada para construção do referido edifício, obrigando-se o empreiteiro a entregá-lo concluído no prazo de oito meses, a contar dessa data, pela quantia de 45 mil cruzeiros.

Nos termos desse contrato, deveria o edifício constar de um pavimento térreo e outro superior, medindo 23,50 metros de frente por 17 metros de fundo, construído de tijolos aparentes, pelo sistema flamengo, devendo oferecer aspecto elegante. O pagamento seria efetuado em 6 prestações, sendo a primeira prestação paga no ato de assinatura do contrato.

No domingo, dia 13 de abril, procedeu-se ao lançamento da pedra fundamental do edifício, perante numerosa assistência, tornando-se o ato mais solene pela presença de muitas famílias.

O dr. Américo Brasiliense de Almeida Melo, em nome da diretoria, produziu eloqüente oração manifestando o reconhecimento da Sociedade Culto à Ciência a todos que lhe vinham trazer a adesão; fez considerações sobre o valor da instrução, sendo sua palavra interrompida várias vezes pelos aplausos do grande auditório.

O estimado campineiro Diogo Pupo, em feliz improviso, saudou a sociedade que tão abnegadamente trabalhava pela cultura da inteligência, O quintanista de direito, Ludovice, embora não fosse filho desta terra, discorreu calorosamente sobre o ato, sendo também muito aplaudido.

O auto de lançamento da primeira pedra, subscrito pelo secretario da diretoria, dr. Joaquim José Vieira de Carvalho, foi lido e assinado pelas pessoas presentes, O referido auto diz o seguinte:

“Auto de lançamento da primeira pedra do colégio da Sociedade Culto à Ciência”

        “Aos 13 dias do mês de abril de 1873, nesta cidade de Campinas, no terreno sito à rua Alegre e pertencente à Sociedade, achando-se presentes os cinco membros da diretoria, comendador Joaquim Bonifácio do Amaral, presidente; dr. Joaquim José Vieira de Carvalho, secretário; dr. Jorge Krug, tesoureiro; dr. Américo Brasiliense de Almeida Melo, adjunto de secretário, e Antônio Pompeu de Camargo, diante do grande concurso de pessoas que, espontaneamente, comparecera ao lugar, o empreiteiro das obras, Guilherme Krug entregou a pedra fundamental do edifício ao presidente e este, acompanhado de todos os diretores, desceu ao alicerce e aí a colocou na parte sobre que deve ficar assentada a porta principal, na frente do mesmo edifício. Terminado o ato, foi lido este auto que, depois de assinado pela diretoria, empreiteiro e mais pessoas presentes, foi encerrado em um vaso de cristal depositado sobre a pedra, o qual também guarda o seguinte: — uma lista nominal de todos os acionistas, um resumo histórico da fundação da sociedade, um exemplar dos estatutos, dois jornais da capital, Correio Paulistano e Diário de S. Paulo, publicados no dia 10 do corrente, a Gazeta de Campinas, de igual data, um Almanaque de Campinas e de Rio Claro, para o corrente ano, a pena com que o tabelião Pontes lavrou a escritura do contrato da empreitada para a construção do edifício, uma moeda de prata de 500 réis, uma dita de 200 réis, duas de níquel, sendo uma de 100 réis e outra de 200 réis, três ditas de cobre sendo urna de 40, outra de 20 e outra de 10 réis, duas ditas de bronze, sendo uma de 20 e outra de 10 réis e uma de ouro de 5$000.

E eu, Joaquim José Vieira de Carvalho, secretário da diretoria subscrevi este auto. (Seguem-se as assinaturas).

O empreiteiro deu logo início à construção, a qual prosseguiu com regularidade, fazendo a entrega da casa de todo ababada no prazo contratual, no dia 15 de dezembro do mesmo ano. (O saudoso historiador campineiro, Leopoldo Amaral, escreveu em seu livro “Campinas — Recordações”, que nesta fase a Associação viu-se obrigada a interromper a marcha; deve haver equívoco, pois que a interrupção se deu após a compra do terreno até o início da construção, operada três anos e meio mais tarde).

A construção do prédio e demais aprestos inerentes atingiu a setenta mil cruzeiros; havendo sido arrecadados dos sócios apenas trinta e oito mil cruzeiros, o comendador Joaquim Bonifácio do Amaral supriu com dinheiro de seu bolso e sem juros, o restante da importância necessária.

Referindo-se ao gesto generoso do comendador Joaquim Bonifácio, escreveu o brilhante jornalista Quirino dos Santos: “O serviço que ele acaba de prestar ao nosso município, é daqueles que constituem um brasão imperecível e que as palavras não podem medir no devido alcance”. Escreveu mais: “Campinas foi a primeira cidade da Província que deu um exemplo destes, tão nobre e tão notável”.

No dia 1.o de dezembro de 1873 realizou-se a Assembléia Geral dos acionistas da Associação Culto à Ciência. A diretoria apresentou o relatório e respectivas contas, tendo sido aclamada uma comissão composta do tenente coronel José Egídio de Sonsa Aranha, Antônio Manuel Proença e Bento Quirino dos Santos, para proceder ao exame e emitir seu parecer.

O secretário da diretoria, dr. Vieira de Carvalho, ofereceu um projeto para a organização administrativa e docente do colégio. Para estudar o assunto foi também aclamada uma comissão constituída pelo Barão de Três Rios, tenente coronel Antonio Carlos Pacheco e Silva, Antônio Manuel Proença, dr. Jorge de Miranda e dr. F. Quirino dos Santos.

No domingo, 21 de dezembro, reuniram-se novamente os sócios em assembléia geral, sendo aprovadas as contas apresentadas pela diretoria. Para solver o déficit proveniente da construção do edifício, o estimado gerente do Banco Mauá & Cia., Domingos Luís Neto, ofereceu a importância necessária. Os prestantes diretores drs. Vieira de Carvalho e Américo Brasiliense solicitaram exoneração de seus cargos, visto terem de se ausentar da cidade; foi-lhes consignado um voto de louvor sendo as vagas preenchidas pelos Srs. Manuel Ferraz de Campos Salles e Cândido Ferreira da Silva Camargo.

No último domingo do ano, 28 de dezembro, reuniu-se a diretoria a fim de empossar os novos diretores drs. Campos Salles e Cândido Ferreira. Foram então eleitos o dr. Campos Salles para secretário da diretoria e dr. Cândido Ferreira para adjunto. Tratou-se, a seguir, de resolver sobre a nomeação do diretor e abertura do colégio, ficando adiada para o dia seguinte a discussão das bases apresentadas.

No dia 29 reuniu-se novamente a diretoria da sociedade, sendo então nomeado para o cargo de diretor do colégio o professor Ferdinando Boeschentein, percebendo o ordenado anual de seis mil cruzeiros e, sob proposta deste, o professor Daniel Uhlmann, para vice-diretor, com o vencimento anual de três mil cruzeiros.

Na mesma reunião ficou deliberado que a instalação do colégio seria realizada no dia 12 de janeiro de 1874. Dava, assim, o povo campineiro um exemplo da mais alta significação patriótica: a organização em seu próprio meio de uma sociedade que, sem visar proventos materiais, cuidasse da formação intelectual e moral da mocidade, o grande ideal dos povos em todo tempo.

Os estatutos sociais, que haviam sido aprovados por ato do Governo Provincial de 23 de setembro de 1869, sofreram algumas alterações em Assembléia Geral de dezembro de 1873. Foram, no entanto, mantidos os fins essenciais da Associação: a fundação e manutenção, em Campinas, de um estabelecimento de ensino primário e secundário, sem lucro algum pecuniário aos associados; os bens sociais e o rendimento destinar-se-iam exclusivamente em benefício da instituição; seriam admitidos gratuitamente alunos pobres; no caso de dissolução da sociedade, o patrimônio ficaria pertencendo à municipalidade de Campinas, com a obrigação de aplicar seus vencimentos em proveito da instrução. A Sociedade Culto à Ciência havia realizado um capital de Cr $86.817,78.

No dia 12 de janeiro de 1874 deu-se, como estava anunciado, o ato solene da inauguração do Colégio Culto à Ciência, no belo edifício construído pela Associação no fim da rua Alegre (atual Culto à Ciência). A solenidade correu entre grande entusiasmo e expansões de júbilo, mostrando a gente desta terra que bem sabia avaliar o significado do grande feito.

O vigário da paróquia de Santa Cruz (hoje Matriz do Carmo), padre Francisco de Abreu Sampaio procedeu, com todas as cerimônias do ritual católico, ao benzimento do novo edifício, percorrendo todas as salas. Concluída esta solenidade, a diretoria do Culto à Ciência, constituída do presidente comendador Joaquim Bonifácio do Amaral (depois Visconde de Indaiatuba), secretário dr. Manuel Ferraz de Campos Salles, vice presidente Antônio Pompeu de Camargo e drs. Jorge Krug e Cândido Ferreira da Silva Camargo tomou assento em lugar adrede preparado numa das salas de aula, que se achava repleta de famílias e cavalheiros.

Levantando-se o presidente, comendador Joaquim Bonifácio, disse que tinha a honra de declarar, tomado do maior contentamento, que estava inaugurado o Colégio Culto à Ciência. Calorosas salvas de palmas vibraram em toda a sala.

Em seguida, o secretário dr. Campos Salles, com a sua reconhecida eloqüência, proferiu o seguinte discurso, muito aplaudido:

“Senhores: Em presença do fato que hoje solenizamos, quem há que não pressinta através do futuro a grande luz, a luz que ilumina toda a humanidade: o progresso?”.

“O cidadão já não se limita a esperar do Estado aquilo que pode fazer por si e que constitui uma indeclinável necessidade sua. Os meios não faltam. Quando a vontade individual não basta, convoca-se o esforço comum e forma-se a associação para levantar a escola. Se isto não é tudo, pelo menos prenuncia a próxima solução do mais importante problema social, porque significa o despertar da consciência pública”.

“E já muito na verdade quando sentimos que temos sede de instrução. E’ o sintoma precursor da saúde moral dos povos. Sim, a sociedade caminha, obedece às leis do progresso e já agora vê o verdadeiro ponto de partida para os mais altos destinos no desenvolvimento da razão, na cultura do espírito, esse centro luminoso onde reside por excelência a distinção suprema que caracterizou o ser humano — a coroa da criação.

“Atesta a história que outrora, quando em tudo e por toda parte as aspirações do homem tinham um limite invencível na bárbara lei do privilégio, a educação intelectual de todo monopolizada era antes um luxo da classe aristocrática, do que uma necessidade dos povos”.

“A escola era o apanágio exclusivo daqueles que, para garantia de supostos direitos, julgavam necessário avassalar tudo, sobrepujando o espírito, a alma, o cérebro do povo. E ao serviço dos inimigos da humanidade foi posto o braço prepotente do jesuitismo”.

“Extirpar a ignorância era, pois, combater de um golpe a absurda desigualdade posta pelos preconceitos no seio da sociedade, que assim se achava dividida em duas classes: urna feita para governar e outra para ser governada”.

«Cabeça e braço, motor e máquina, eis como estava constituída a humanidade. Era como uma diferença de rapas.

“Mas a filosofia moderna, com a lógica inflexível dos sãos princípios, triunfa pouco a pouco do preconceito. Um instinto natural desperta no povo a necessidade de reivindicar os direitos usurpados. Trava-se luta gigantesca, opera-se a auspiciosa revolução das idéias e o choque dos interesses opostos entre a aristocracia e a realeza, fez que do velho feudalismo da Inglaterra, nascesse a aurora da liberdade para todas as nações”.

“E se é certo que hoje a necessidade da instrução popular é entre nós um ponto livre de controvérsia, e se é esta a verdade universalmente proclamada, cumpre, porque o momento urge, fazê-la baixar do realismo doutrinário para a realeza prática”.

“Eu conheço, disse um profundo pensador, uma força maior que todas as forças: — é a força do espírito humano quando ele é esclarecido; e uma fraqueza, a mais incurável de todas as fraquezas: é a ignorância.

“Não se espere, pois, indolente pela ação oficial. Que o povo se associe para educar o povo”.

Serenadas as palmas, ocupou a tribuna o professor Ferdinando Boeschentein que, em longas considerações sobre as vantagens do estudo, expôs o seu programa como diretor escolhido para o colégio.

O brilhante poeta e jornalista F. Quirino dos Santos recitou uma poesia, dedicada ao seu amigo Joaquim Bonifácio do Amaral, da qual destacamos a seguinte quadra:

Oh grandes! oh pequenos! é de todos a esmola!

O  espírito tem fome e em ânsias se desfaz!

Abate-se a cadeia quando se funda a escola!

E vão-se a guerra e o crime: a educação é a paz!

O dr. Vicente Maria de Paula Lacerda produziu também bela peça oratória, sendo muito aplaudido. Terminada a sessão inaugural, passaram os assistentes a um compartimento fronteiro, onde lhes foi servido farto lanche, sendo então levantados diversos brindes, todos correspondidos na maior efusão de júbilo.

        E assim se instalou esse templo de instrução, exemplo talvez único no país, devido à iniciativa de uma associação que não esmoreceu diante das dificuldades que sempre se apresentam para obstar aos grandes empreendimentos. Entretanto, se a diretoria muito fez para que tomasse corpo a legítima aspiração desta terra, é de justiça salientar os nomes de Antônio Pompeu de Camargo — o idealizador, e do comendador Joaquim Bonifácio do Amaral — o realizador do monumento destinado a ser um padrão de glória para a terra campineira: o Colégio Culto à Ciência. O diretor do colégio, professor Ferdinando Boeschentein, e o vice-diretor Daniel Uhlmann, que mantinham em Araraquara o Colégio Ipiranga, fizeram em data de 30 de novembro de 1873 uma publicação pela imprensa, comunicando que o mesmo seria incorporado ao novo colégio de que eram diretores.

             Em reunião da diretoria de 13 de janeiro de 1874, o comendador Joaquim Bonifácio, obrigado pela necessidade de repouso para a sua saúde, apresentou o pedido de demissão, com visível pesar de todos seus companheiros. Em vista dos motivos alegados, foi atendido e substituído pelo vice-presidente Antônio Pompeu, até que em Assembléia Geral fosse procedida a eleição.

Em fins de março desse ano, foi rescindido o contrato com os antigos diretores do Colégio Ipiranga, sendo então contratados para exercer o cargo de diretor do Culto à Ciência o dr. Francisco Xavier Moretzsohn, e para vice-diretor o professor João Bentley. O diretor Moretzsohn imprimiu sábia e brilhante orientação ao estabelecimento, cuja fama se espalhou logo pela Província.

Animada por tão inteligente orientação, a diretoria da Sociedade desenvolveu grande empenho no sentido de dotar o instituto de ensino com um corpo docente constituído por professores competentes, o que foi plenamente conseguido. Eis a relação dos professores:

Dr. Francisco Moretzsohn, diretor: Português e alemão.

João Bentley, vice-diretor: Aritmética, álgebra, francês, inglês e geografia.

Amador Bueno Machado Florence: Latim, francês e desenho.

Henrique de Barcelos: Gramática portuguesa.

Antônio Martins Teixeira: Primeiras letras, doutrina cristã e sistema métrico.

Leon Blazeék: Piano e ginástica.

Maria Dias de Melo: Música.

As aulas funcionavam nas salas do 1.o pavimento, achando-se instalados no pavimento superior os dormitórios e a administração.

Os exames de fim do 1.o ano letivo iniciaram-se no dia três de dezembro e prosseguiram até o dia cinco, havendo os alunos demonstrado grande aproveitamento, firmando a justa nomeada do diretor e do corpo docente.

Terminadas as provas de exames, a que estiveram sempre presentes os membros da diretoria do Culto à Ciência e do Conselho de Instrução Pública do distrito, pronunciaram discursos cheios de inspiração o diretor Dr. Moretzohn, o dr. José Bonifácio da Silva Pontes, membro daquele Conselho, sendo ambos muito aplaudidos; o dr. Manuel Ferraz de Campos Salles, delirantemente aclamado; o dr. F. Quirino dos Santos, também aplaudido com veementes palmas.

Em seguida foi servido um delicado lanche, durante o qual ergueram-se os mais entusiásticos brindes ao diretor do estabelecimento e sua exma. senhora, à Diretoria do Culto à Ciência, ao Conselho de Instrução e ao comendador Joaquim Bonifácio do Amaral.

O colégio contava então 60 alunos internos, 10 semi-pensionistas e 14 externos. Obtiveram as melhores notas, pelo seu comportamento e aplicação, os seguintes alunos: Joaquim Floriano de Camargo Junior, Francisco de Campos Barros, José de Campos Novais, Joaquim Franco de Camargo, Rodrigo Monteiro de Barros, Antônio de Pádua Sales, Antônio Pupo Nogueira, Francisco de Assis Nogueira, Cândido Morais Bueno, Ernesto N. da Luz, Euclides Egídio de Sousa Aranha, João de B. Machado, Lasdilau Leite de Barros, Artur Sampaio, Luís de Campos Salles, Luís Vitorino Moretzsohn, José Francisco Barbosa Aranha Júnior, Pedro Alcântara de Sousa Aranha, Artur Nogueira Ferraz, Francisco Ferreira de Camargo, Artur Leite de Barros, Pérsio Pacheco, Luciano Teixeira Nogueira e Bento José dos Santos.

Pelo desembaraço e rapidez com que resolveram as questões de aritmética, os alunos Pérsio Pacheco e Silva e Luciano Teixeira Nogueira mereceram uma referência elogiosa do examinador Joaquim Correia de Melo. Nos exames de latim, foram elogiados pelo mesmo examinador os alunos Francisco de Campos Barros, Luís de Campos Salles e Luís Vitorino Moretzsohn.

Dos alunos que estudavam música, cujas aulas eram ministradas pelo professor Azarias Dias de Meio, fizeram jus ao elogio do competente maestro José Pedro Sant’Ana Gomes, os seguintes: Joaquim Álvaro de Sousa Camargo — 1.o pistão, Artur Sampaio — 1.o clarinete, José de Campos Novais — 1.o flautim, Eduardo Pompeu — 1.o saxofone, Antônio de Pádua Sales — 1.o saxofone, Euclides Egídio — trombone e Silvano Pacheco — bombardino.

Ao esforçado diretor do colégio, dr. Francisco Xavier Moretzsohn, foi dirigido um ofício de congratulações da diretoria pelo excelente resultado dos exames, assinado pelo secretário dr. Campos Salles.

O Colégio Culto à Ciência era então o único no gênero em todo o país; mereceu especial menção do Ministro do império, conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira, pelo importante serviço que estava prestando à instrução pública (ofício de 19 de setembro de 1874). — O Presidente da Província, dr. João Teodoro Xavier, teceu os melhores elogios ao estabelecimento, como se infere de suas palavras: — “Louvo estes relevantíssimos serviços prestados especialmente à instrução até agora tão desprezada, serviços que revelam o alto grau de filantropia e espírito público desse município”.

A 4 de março de 1875 ocorreu o falecimento do dr. Jorge Guilherme Henrique Krug, grande amigo da instrução, para o que não media sacrifícios. Aqui fundou o Colégio Florence, dirigido pela sua respeitável irmã d. Carolina Florence, e tomou parte saliente na fundação do Colégio Culto à Ciência. Falaram, à beira da sepultura, o dr. Manuel Ferraz de Campos Salles e o professor Rencheler, este do Colégio Internacional.

A diretoria da sociedade, constituída de cidadãos cultos, reconhecendo a influência que exerce o professor na formação do espírito do aluno, bem como das linhas definidoras de sua personalidade, preocupava-se continuamente com o corpo docente do colégio. Em junho de 1876 foram admitidos o ilustrado Juiz Municipal dr. Carlos A. de Sousa Lima para lecionar aritmética e geografia, e o professor S.F. Philidory para as disciplinas de francês, latim e caligrafia.

Nos termos do manifesto publicado na “Gazeta de Campinas”, o Colégio Culto à Ciência habilitava os alunos em todas as matérias exigidas para a matrícula nas academias do pais, para o comércio e para a indústria. A pensão semestral era de Cr$ 250,00 para os alunos internos, Cr$ 180,00 para os semi-pensionistas e Cr$ 60,00 para os externos. A diretoria achava-se assim formada: Antônio Pompeu de Camargo — presidente; dr. Cândido Ferreira da Silva Camargo — vice-presidente; dr. Manuel Ferraz de Campos Salles — secretário; Bento Quirino dos Santos — tesoureiro; e Luís Antônio de Pontes Barbosa. Na direção do colégio continuava o dr. Francisco Xavier Moretzsohn.

Em novembro desse ano, submeteram-se às provas de exame, em S. Paulo, os seguintes alunos: Inácio de Queiroz Lacerda, Antônio de Pádua Sales, Adolfo Correia Dias, Cândido de Morais Bueno, Euclides Egídio de Sousa Aranha, Olavo Egídio de Sousa Aranha, José de Campos Novais, Luís de Campos Salles, Carlos de Meira Botelho, Júlio César Ferreira de Mesquita, Joaquim Álvaro de Sousa Camargo, Alexandre Florindo Coelho, Juvenal Leite Penteado e outros. O resultado veio confirmar a excelência do ensino ministrado no colégio. Houve 12 aprovações plenas e 8 simples em português, e apenas 1 reprovado; em francês foram obtidas 10 aprovações plenas e 1 simples, e em inglês 1 plenamente e 2 aprovações simples.

Já no ano seguinte, em exames também prestados na capital da então Província, registraram-se 15 aprovações em português, 16 em francês, 14 em inglês e 3 em latim.

Por esse tempo, o Colégio Internacional, fundado em 1870 nesta cidade e de que era diretor o professor O. Nash Morton, também muito cooperava para instruir a mocidade, enviando alunos a S. Paulo, onde demonstravam excelente preparo nos exames a que lá se submetiam.

No dia 1.o de janeiro de 1878, reuniram-se os acionistas em número de 85, no salão do Clube da Lavoura, a fim de se proceder à eleição da nova diretoria e serem examinadas as contas para sua aprovação. Aberta a assembléia, foi logo suscitada a questão se podiam ou não votar os acionistas ausentes, mediante procuração. Não tendo havido acordo entre os acionistas, foi aprovada a proposta apresentada pelo dr. Delfino Pinheiro de Ulhoa Cintra, no sentido de ser adiada por seis meses a eleição.

O dr. Francisco Xavier Moretzsohn, que desde março de 1874 vinha exercendo com grande competência o cargo de diretor do colégio, solicitou em data de 28 de março de 1878 a exoneração, sendo substituído pelo dr. Melquíades da Boa Morte Trigueiro, ex-professor da Escola Normal de São Paulo e de muito tirocínio no magistério.

Os dois primeiros alunos do Colégio Culto à Ciência que concluíram os preparatórios, Júlio César Ferreira de Mesquita e Inácio de Queirós Lacerda, matricularam-se em 1878 no 1.o ano do curso jurídico da capital. (N.A.: Inácio de Queiróz Lacerda viria a ser, em 1889, um dos fundadores e proprietário do Ramal Férreo Campineiro, a linha férrea que ligava Campinas à fazenda Cabras, de propriedade da família).

Por esse ano de 1878, tinha o colégio um grupo de alunos que cultivavam a arte teatral. Entre os mais entusiastas figuravam Cincinato César da Silva Braga, João Batista Correia Neri, José Manuel Lobo e Manuel Saturnino do Amaral, os quais levaram à cena, com retumbante êxito, um peça de França Júnior denominada “Tipos da Atualidade”.

Em novembro seguiu a turma de alunos do colégio para prestar em S. Paulo os exames de diversas matérias. O resultado veio mais uma vez confirmar a excelência do ensino ministrado no Culto à Ciência, havendo alcançado as melhores notas os seguintes alunos: Antônio Cândido de Camargo: Cincinato César da Silva Braga, João Francisco Reis Jr., João Nepomuceno Nogueira da Mota, José Pinheiro de Uchoa, Antônio Alvares Lobo, Antonio do Amaral Vieira, Artur de Freitas Albuquerque e Francisco de Paula Pinto.

No fim do ano seguinte, obtiveram os primeiros lugares nos exames de latim, inglês, francês e português, prestados em S. Paulo, os alunos: Antônio Alvares Lobo, Adolfo Correia Dias, Francisco de Paula Pinto, Joaquim José Saraiva Junior, Tito de Sousa Rodrigues, Francisco de Assis Barros Penteado, João N. Nogueira da Mota, José Eduardo Rágio Nóbrega, João Batista Machado Junior, Manuel Saturnino do Amaral, Teotônio Elias de Paula, Abelardo Pompeu do Amaral, José Manuel Lobo, João Batista Correia Neri e Bráulio Ludgero de Toledo, ao todo 36 aprovações e apenas 6 reprovações. Fazia parte do corpo discente Alberto dos Santos Dumont, que mais tarde tanto glorificou o Brasil.

Nos exames a que se submeteram durante os meses de fevereiro e março de 1880, conquistaram as melhores notas em retórica, filosofia, história, aritmética e geometria, os alunos: Adolfo Correia Dias, Antônio Alvares Lobo, Cincinato César da Silva Braga, Francisco de Assis Barros Penteado, Joaquim Augusto Gomide, João Nepomuceno Nogueira da Mota, Oscar Ataliba da Mota Amaral e José Manuel Lobo.

Concluíram os exames de preparatórios os alunos Adolfo Correia Dias, Antônio Alvares Lobo, José Eduardo Rágio Nóbrega, Francisco de Assis Barros Penteado, João Nepomuceno Nogueira da Mota e Tito de Sousa Rodrigues, sendo que os três primeiros matricularam-se nesse ano na Faculdade de Direito de S. Paulo.

No dia 7 de novembro de 1880, domingo, reuniram-se os acionistas da Instituição no paço da Câmara Municipal, sob a presidência de Antônio Pompeu de Camargo. Após a leitura do relatório apresentado pela diretoria, o dr. Cândido Ferreira da Silva Camargo propôs o adiamento da assembléia para o dia 14 do mês, em que se procederia à eleição dos novos diretores, o que teve o consenso dos presentes.

No referido dia, realizou-se a assembléia na sala das sessões da Câmara Municipal, sob a presidência de Antônio Pompeu de Camargo. Foi aprovado o parecer da comissão de contas, lido pelo dr. Francisco Augusto Pereira Lima.

Com a palavra, o dr. Manuel Ferraz de Campos Salles expôs, em nome da diretoria, os fatos mais importante relativamente aos negócios da Associação, declarando que o déficit podia ser considerado extinto, em virtude do animador acolhimento que tivera uma subscrição destinada a saldar a dívida exististe. Fez o histórico da marcha administrativa do estabelecimento desde a sua fundação, tecendo elogios ao diretor, dr. Melquíades Trigueiro.

Em seguida, o dr. Luís Silvério Alves Cruz propôs um voto de louvor a todos que haviam concorrido em benefício da casa de ensino. A nova diretoria, então eleita, foi a seguinte: drs. Cândido Ferreira da Silva Camargo, Francisco Augusto Pereira Lima, Carlos Norberto de Sousa Aranha e Jorge de Miranda, e mais Álvaro Xavier de Camargo Andrade. Apurada a eleição, falou o dr. Cândido Ferreira em nome da diretoria, sendo a mesma imediatamente empossada.

Encerrava-se, assim, de modo auspicioso para o Colégio Culto à Ciência, o ano de 1880, que fechou um decênio tão fértil em iniciativas particulares, levantando um florão de legítimo orgulho para os filhos de Campinas. Em 1870 é fundado o Clube Semanal com o patrimônio de Cr$ 26.750,00; em 1872 organiza-se a Companhia Campineira de Iluminação a Gás, com o capital de Cr$ 396 .000,00; em 12 de janeiro de 1874 é inaugurado o Colégio Culto à Ciência; em 15 de agosto de 1876 inaugura-se a Santa Casa de Misericórdia, cujas obras custaram Cr $ 284.267,00; em 1878 é construído o Hospital de Morféticos, com subscrição popular que atingiu a Cr $ 15.000,00, e ainda fundado o Hipódromo Campineiro com o capital de Cr$ 40.000,00. Tantas iniciativas arrancaram do grande filho desta terra, Campos Salles, a entusiástica interrogação: “Qual o município que mais tenha feito?”.

Em março de 1881 concluíram o curso de preparatórios os alunos Antônio do Amaral Vieira, José Manuel Lobo e Joaquim Augusto Rágio Nóbrega, que ficaram habilitados à matrícula no 1.o ano da Faculdade de Direito.

Exercia então o cargo de diretor do Colégio Culto à Ciência o dr. Alfredo Augusto Campos da Paz, espírito culto e de rija têmpera moral, que por motivo de moléstia teve de exonerar-se, havendo deixado de sua breve direção no educandário campineiro o traço indelével de um caráter inflexível no cumprimento do dever. Faleceu no Rio de Janeiro a 26 de janeiro de 1883.

O ensino de ciências naturais, ministrado pelo emérito educador dr. João Kopke, ressentia-se da falta de aparelhos para a parte experimental; a montagem do gabinete de física fez-se em janeiro de 1882, com aparelhos que foram encomendados nos Estados Unidos da América do Norte.

Achava-se na direção do estabelecimento o dr. Isidoro de Pinho, que aproveitou o período de férias desse ano para proceder à pintura geral do prédio, reforma do mobiliário escolar e serviço de drenagem na chácara. Elaborou também o regimento interno, organizou o programa de ensino e incentivou a realização de conferências sobre questões de maior relevância no ensino.

Debaixo do mesmo incentivo, resolveram os alunos formarem uma associação, que deveria publicar um pequeno hebdomadário, “Aliança”, e cuja diretoria foi a seguinte: dr. Isidoro de Pinho — presidente honorário; Alberto Sarmento — presidente; Teodolindo Lima — vice-presidente; Edgardo Ferreira — 1.o secretário; Joaquim Gabriel — 2.o secretário; José la Farina —procurador e Manuel de Castro — tesoureiro e orador.

Em outubro de 1882 deixou o cargo de professor do Culto à Ciência o ilustre escritor Júlio Ribeiro, que foi fundar um colégio em Capivari. Para as cadeiras vagas foram contratados o padre dr. Fergo Dauntre para reger as cadeiras de latim e retórica, e o dr. João Alberto de Sales para francês e filosofia.

A Assembléia Geral realizada no dia 25 de dezembro desse ano, convocada para eleição da diretoria, tomou um aspeto grave, produzindo uma impressão desfavorável aos velhos propugnadores do Colégio Culto à Ciência. A Associação, fundada havia um pouco mais de um decênio, visando um tão alevantado fim, parecia que caminhava para o aniquilamento com a desagregação de seus elementos constitutivos. A mudança freqüente de diretores do colégio deveria também concorrer para o declínio do estabelecimento, às voltas com a instabilidade administrativa.

A nova diretoria, que recebeu o colégio em situação pouco animadora e ficara com o encargo de reerguê-lo para o bom nome desta terra, ficou assim constituída: Major João Martins de Azevedo, Francisco Glicério, Elisiário Ferreira de Camargo Andrade, Major Carlos Egídio de Sousa Aranha e João Manuel Alves Bueno.

Dois dias depois, os diretores Elisiário Ferreira de Camargo Andrade e Francisco Glicério, na qualidade de únicos membros da diretoria recém-eleita, convocaram pela imprensa todos os sócios efetivos para uma Assembléia Geral no dia 31, em que se trataria, além da discussão a aprovação das contas da administração anterior, do fechamento ou continuação do colégio.

Realizou-se a Assembléia no dia marcado, ficando resolvido que a casa de ensino fundada pelos campineiros não podia fechar-se. A diretoria então eleita foi a seguinte: dr. Delfino Pinheiro de Ulhoa Cintra — presidente; João Manuel Alves Bueno — vice-presidente; Francisco Glicério — 1º secretário; Luiz Quirino dos Santos — 2.o secretário, e José de França Camargo — tesoureiro. Ficou como diretor interino do colégio o professor Joaquim de Toledo.

O estabelecimento que tantos benefícios havia prestado ao desenvolvimento intelectual da mocidade paulista, esteve pois, na eminência de encerrar sua atividade.

        Felizmente, para o bom nome desta terra, a nova diretoria imprimiu-lhe grande alento, graças a medidas acertadas que logo adotou. Recebendo o educandário com 9 ou 10 alunos apenas, já contava no início da segunda quinzena do mês de janeiro com 57 alunos, aguardando para breve a entrada de mais dez.

Ficou assim garantida a continuação dessa casa de ensino, testemunho eloqüente da iniciativa particular e do desprendimento dos antigos campineiros.

Para exercer o cargo de diretor efetivo foi convidado o dr. José Nápoles Teles de Meneses, conhecido educador que já fora diretor de um colégio na capital do país, tendo chegado a Campinas a 3 de fevereiro e se instalara no próprio colégio.

Pelo boletim publicado em 21 de abril de 1883, assinado pelo novo diretor, obtiveram notas ótimas em português Bento Pereira Bueno, em latim, Otávio Mendes, em geometria Antônio Pinto e Miguel Penteado, em aritmética Antônio Pinto, Miguel Penteado, Clodomiro Franco, Bento Bueno, Cândido Egídio, Felix Bocaiúva, Francisco da Costa Carvalho e outros.

Faziam parte do corpo docente os professores dr. João Alberto Sales, Henrique de Barcelos, dr. Gabriel Dias da Silva, Joaquim Toledo, Antônio Mercado, Baceiwits, João Vieira de Almeida e Augusto Pegelow.

A instituição “Culto à Ciência” nunca se encontrou em situação folgada pelo lado financeiro; recebendo alunos pobres que não contribuíam nem se quer com a taxa de matrícula, cobrando prestações módicas de outros, era natural tivesse suas fases deficitárias.

Foi numa dessas fases que os alunos da Escola Sociedade Luiz de Camões, ao impulso de nobre solidariedade, levaram a 8 de junho de 1883, no Teatro São Carlos, a peça — O gato de botas, em benefício do Culto à Ciência. A hora marcada para início do espetáculo, já se achava literalmente cheio o teatro.

De um camarote, o aluno do colégio beneficiado, João Coutinho de Lima, proferiu entusiástico discurso alusivo à festividade, O diretor dr. Teles de Menezes leu uma brilhante oração, fazendo o histórico da benemérita Associação Culto à Ciência, em que recordava os seus abnegados fundadores. Rematou o espetáculo a comédia “Os alunos do sr. Pantaleão”, cujo desempenho muito agradou a todos.

Os alunos do Culto à Ciência organizaram por esse tempo um Clube Atlético, o qual levou a efeito em 14 de outubro desse ano um interessante certame esportivo no terreno do colégio.

       No mês de novembro, como vinha sucedendo todos os anos, os alunos mais adiantados submeteram-se aos exames em São Paulo. Houve 32 aprovações nas diversas matérias, alcançando a melhor classificação, entre outros, os seguintes alunos: Abelardo de Cerqueira César, Antônio Francisco de Paula Sousa, Luís Augusto de Queirós Aranha, Otaviano de Sonsa Bueno, Felix Bocaiúva e João Custódio da Costa Carvalho. O resultado excedeu a expectativa, atendendo-se a que as aulas se iniciaram nesse ano no mês de abril e diversos alunos ingressaram com atraso.

Foi comemorado a 12 de janeiro de 1884 o primeiro decenário da fundação do Colégio Culto à Ciência. A primeira pagina da Gazeta de Campinas desse dia traz diversos artigos alusivos à data, assinados por Carlos Ferreira, Alberto Sales, Otávio Mendes, dr. Gabriel Dias da Silva, Alípio Teles, João Vieira de Almeida e Antônio Maria da Silva, sendo estes quatro últimos, professores do estabelecimento.

Escreveu Carlos Ferreira: “O Colégio Culto à Ciência é um dos primeiros estabelecimentos de ensino do império, considerado sob todos os pontos de vista”, O professor João Vieira de Almeida disse: “O Culto à Ciência tem sido o fator mais poderoso do adiantamento de nosso povo”.

O diretor dr. Teles de Meneses, em bem lançado artigo, procurou ligar a data que se comemorava ao nome de Jorge Krug — um dos fundadores do estabelecimento, grande animador das questões relativas à instrução.

Uma comissão de alunos, constituída por José Pinheiro de Ulhoa, Manuel da R. Castro, Augusto Bueno, Otaviano Bueno, Francisco da Costa Carvalho, Joaquim Egídio de Sonsa Aranha e Cândido Egídio de Sousa Aranha dirigiu um manifesto, publicado no referido jornal do dia, ao Presidente e membros da Diretoria do Colégio Culto à Ciência.

Os alunos que formavam o Clube Atlético comemoraram no domingo, dia 13 a passagem do 1.o decenário, com jogos e corridas que tiveram extraordinária animação. Nesse dia foram colocados em uma das salas principais do colégio os retratos dos fundadores Joaquim Bonifácio do Amaral (Visconde de Indaiatuba) e dr. Jorge Guilherme Henrique Krug.

    Nesse ano de 1883 fechou a matrícula com 112 alunos.

 Por motivo de conveniência à boa disciplina e aplicação, resolveu a Diretoria em fevereiro de 1884 que seriam admitidos somente alunos internos, sendo entretanto permitido que continuassem durante esse ano os alunos de outras categorias que já se achavam matriculados.

         Na tarde de 14 de março de 1884 faleceu em Campinas o estimado cidadão de nobre estirpe, Antônio Pompeu de Camargo, que tanto contribuíra para o progresso de sua terra e cujas qualidades de caráter íntegro eram por todos admiradas. Era a personificação da bondade e do desinteresse, e dele escreveu Francisco Glicério: “E’ um patrício cujo nome e cuja constituição moral devem ser invocados, sempre que as tormentas das más horas sociais passarem rugindo sobre nossas cabeças”. Os funerais realizaram-se no dia imediato, sendo o féretro carregado da casa do ilustre extinto até a igreja pela diretoria do Colégio Culto à Ciência, do qual fora o idealizador e de cuja diretoria fizera parte.

Em data de 20 de maio de 1884 solicitou e obteve demissão do cargo de diretor do colégio o dr. José de Nápoles Teles de Meneses, que se retirou para São Paulo. Foi nomeado para substituí-lo o dr. Amador Bueno Machado Florence, escritor e orador brilhante, que imprimiu excelente direção ao estabelecimento.

 

CAP. II REFORMA DOS ESTATUTOS DA ASSOCIAÇÃO CULTO A CIÊNCIA

 DIREÇÃO DE JORGE MIRANDA E HIPÓLITO  PUJOL

DISSOLUÇÃO DA ASSOCIAÇÃO

 

A Associação Culto à Ciência vinha sendo regida pelos estatutos que datavam da época de sua fundação, convindo reformá-los em alguns pontos para que se adaptassem melhor às conveniências que se manifestaram posteriormente. Para esse fim, foi convocada uma Assembléia Geral dos membros pertencentes à referida Associação, que se realizou a l.o de junho de 1884.

Expostos os fins da reunião, ficou nomeada uma comissão composta do dr. Francisco da Costa Carvalho, dr. Manuel Farias de Campos Salles, major Carlos Egídio de Sousa Aranha o capitão Francisco Alves de Almeida Sales para examinar e emitir parecer sobre o projeto de reforma apresentado pela diretoria. Para a discussão dessa reforma foi convocada outra Assembléia Geral para o dia 8 do mês, a qual se realizou porém no dia 21 na sala da Câmara Municipal, sendo aprovados sem emendas os novos estatutos.

     Constava de 52 artigos em 8 capítulos e levava a assinatura dos diretores dr. Delfino Pinheiro de Ulhoa Cintra, João Manuel Alves Bueno, José de França Camargo, Luís Quirino dos Santos e Francisco Glicério. Os principais artigos são os seguintes:

Art. 1.o — A Sociedade “Culto à Ciência”, fundada pelos estatutos aprovados pelo Governo Provincial em 23 de setembro de 1869, com sede nesta cidade de Campinas, fica constituída sob a forma de anênimo e continua a ter por fim manter e dirigir um colégio de instrução primária e secundária, promovendo a educação de alunos do sexo masculino.

Art. 2.o — A Sociedade não tem direito à distribuição de dividendos ou quaisquer outros lucros pecuniários.

Art. 4.o — O capital social será de Cr $110.867,43, quantia esta correspondente à primeira tomada de ações, donativos e empréstimos feitos.

O capítulo II trata das atribuições da diretoria, constituída de 5 membros eleitos de 2 em 2 anos. A Assembléia Geral ordinária deveria reunir-se anualmente no 2.o domingo do mês de fevereiro.

Art. 31 — No colégio se receberão alunos internos, pensionistas, meio pensionistas e externos, mediante as taxas e pensões que foram marcadas pela diretoria. O colégio poderá receber alunos gratuitamente, sendo pobres, a juízo da diretoria. No caso de dissolução da Sociedade, ficará o patrimônio pertencendo à municipalidade de Campinas, para fins exclusivamente da instrução.

Ocorreu a 6 de novembro de 1884 o falecimento do prestante cidadão, Joaquim Bonifácio de Amaral (Visconde de Indaiatuba) — o realizador da nobre iniciativa ideada por seu cunhado Antônio Pompeu de Camargo. Era uma individualidade que reunia a uma energia máscula grande distinção de maneiras e moral inflexível. Foi chefe do partido liberal, abastado e inteligente agricultor em Campinas, onde introduziu o braço livre a partir de 1852.

Em 6 de abril de 1885 reabriram-se as aulas do instituto campineiro, tendo sido muito auspicioso o resultado obtido pelos alunos em exames de diversas matérias, e prestados entre  os meses de fevereiro e março desse ano, perante o curso anexo à Faculdade de Direito de S. Paulo. Fizeram-se 32 exames com 27 aprovações, o que era uma comprovação dos bons métodos de ensino e do valor do corpo docente.

Conquistaram os primeiros lugares nesses exames os alunos Bento Bueno, Miguel Penteado, Elpídio de Queirós, Carlos Viana, Joaquim de Almeida, Antônio de Morais, Manuel de Castro e Alberto Sarmento.

No dia 2 de dezembro de 1885 deixou a direção do colégio, para cujo nome não media sacrifícios, o dr. Amador Florence, que continuou a residir em Campinas, de cuja Câmara Municipal era o presidente. Assumiram interinamente a direção do estabelecimento de ensino os professores J.P. de Ulhoa e Luís Drouet, até que em 21 desse mês veio ocupar o cargo do diretor o dr. Jorge de Miranda, homem de grande descortino e que já havia prestado bons serviços ao Culto à Ciência.

O dr. Jorge de Miranda era advogado de banca rendosa; deixou a advocacia para dedicar-se à causa da instrução. A acertada orientação que desde o início soube imprimir à casa de ensino, produziu os melhores resultados, tendo aumentado  em alguns meses o número de alunos de 25 para mais de 60.

Com o conseqüente acréscimo da receita, a situação financeira do estabelecimento, que foi quase sempre precária, tendia a normalizar-se. A pensão anual era de Cr $400,00 e a jóia de entrada (dispensada para os alunos de fora da então Província) era de cinqüenta cruzeiros.

No mês de julho reuniu-se ao corpo docente o cônego Cipião Ferreira Goulart Junqueira, para ministrar as aulas de catecismo, matéria esta que fazia parte do programa adotado pelo colégio.

A fim de despertar o estímulo entre os alunos, continuou a ser publicado na imprensa local o boletim contendo a relação nominal dos alunos que obtinham notas ótimas em suas lições e dos que não haviam comparecido às aulas.

No começo do ano letivo de 1886 os alunos fundaram uma associação literária denominada “Clube Jorge de Miranda”, cuja diretoria era: Joaquim Cândido de Oliveira — presidente; Alfredo de Campos Salles — vice-presidente; Luís Quirino dos Santos Jr. — secretário; Rafael Sampaio Vidal — orador; .Antônio Gonçalves — tesoureiro.

No dia 7 de setembro, os alunos dessa associação promoveram a solene inauguração da novel agremiação estudantina. A frente do estabelecimento achava-se artisticamente ornamentada, apresentando belo aspeto. Realizou-se uma sessão literária presidida pelo diretor dr. Jorge de Miranda, ladeado pelo secretário Plauto Barreto e pelo orador Rafael Sampaio Vidal.

Aberta a sessão pelo presidente, os alunos cantaram com muito entusiasmo um hino, letra do falecido poeta e jornalista dr. Francisco Quirino dos Santos e música do maestro Azarias. Além do diretor, produziram vibrantes discursos os alunos Rafael Sampaio Vidal, José Joaquim Monteiro, João Coutinho, Múcio Pompeu, Joaquim Cândido e o menino Artur Barbosa.

O aluno Lafaiete Egídio de Sousa Camargo fez uma saudação ao diretor, relatando seu aproveitamento nos estudos; Lotário Pinto frisou com precisão a incúria que então havia sobre a instrução, e Bernardo de Sousa Campos discorreu sobre o mesmo assunto com grande firmeza de idéias. Após a sessão houve um animado baile que se prolongou até a madrugada.

Em 28 de outubro de 1886 o monarca D. Pedro II, que se achava em Campinas, fez uma visita ao Colégio Culto à Ciência, colhendo excelente impressão de tudo que observou e louvando o corpo docente pelo aproveitamento verificado entre diversos alunos por ele argüidos em diversas matérias. O colégio era então freqüentado por 130 alunos entre internos e externos, dos quais 30 eram gratuitos. Havia o imposto municipal de Cr$ 0,01 (dez réis) sobre açougues, o qual revertia em beneficio dessa casa de ensino.

Nos exames prestados perante o curso anexo à Faculdade de Direito da capital, nos primeiros dias do mês de dezembro, foram aprovados os seguintes alunos: José Joaquim Monteiro, Alfredo de Campos Salles, João Coutinho, Gabriel Oliveira, Augusto Lamaneres, Joaquim Almeida Luis Branco, Rafael Sampaio Vidal, Luís Quirino dos Santos Jr., Joaquim Alves de Almeida Sales, tendo concluído os preparatórios o aluno Abelardo Cerqueira.

Na segunda quinzena de outubro de 1887 o diretor dr. Jorge de Miranda enviou uma circular aos pais dos alunos, comunicando que nos dias 30 desse mês e 1.o de novembro haveria no colégio provas de habilitação para os alunos que pretendiam fazer exames de preparatórios em São Paulo, e que somente os que fossem aprovados naquelas provas teriam atestado do colégio. As bancas de exames de habilitação realizados no Culto à Ciência eram constituídas dos professores dr. Estevão de Almeida, Henrique de Barcelos, Miguel Alves Feitosa, José Peters, Horácio Scrosoppi, revdo. Eduardo Lane, dr. Amador Florence, dr. José de Campos e alguns outros. Os exames foram de português, francês, inglês, latim, geografia, história, aritmética e geometria, tendo havido 18 aprovações com distinção e 23 plenamente.

Nos dias 28 e 29 de novembro realizaram-se os exames de promoção. Do curso primário passaram para o intermediário os alunos: João Paulino da Costa, José Francisco da Costa, Celso Pompeu do Amaral, Raul Branco, João Carvalho, Euclides Cintra e Fausto Azevedo. Para o curso secundário foram promovidos 41 alunos. Findos os exames, foi servido aos alunos um lauto jantar, em que foram feitos diversos brindes dos alunos ao diretor do colégio e aos professores, a que respondeu agradecendo o dr. Jorge de Miranda. A tarde houve exercícios e corridas, e em seguida a distribuição de prêmios: aos alunos que mais se haviam distinguido nos exames, finalizando tudo com um concerto musical sob a direção do proveto professor  dr. Ferreira Pena.

Foi ótimo o resultado geral dos exames prestados na capital, em dezembro de 1887, porquanto não houve nenhuma reprovação. Distinguiram-se nesses exames pela quantidade de matérias a que se submeteram os alunos Domingos Guaicuru Sampaio Ferraz, Carlos Alberto Viana, João César Bueno Bierrenbach, João C. de Andrade Lima, Mariano de Almeida Leite e Silva, Mário de Morais Sales, Armando dos Santos Dias, Alfredo de Campos Salles, Vergniaud Neger, Luís Quirino dos Santos Jr. e Eduardo P. Westin, sendo que estes dois últimos concluíram o curso de preparatórios.

A situação financeira do colégio continuava precária, pelo que o Governo Provincial mandou entregar à direção a verba de cinco mil cruzeiros como auxilio. Durante o ano circulou o periódico mensal “Culto à Ciência”, órgão da agremiação dos alunos.

No último dia do mês de outubro, encerraram-se as provas de habilitação dos candidatos a exames parcelados em S. Paulo, que constavam de 11 matérias, conforme regulamento então em vigor. Em sinal de reconhecimento para com seus mestres, os alunos ofertaram valiosos objetos de escritório aos professores drs. Pupo e Lacerda.

Os exames de promoção efetuaram-se nos dias 29 e 30 de novembro desse ano de 1888, sendo a banca examinadora composta dos professores Manuel Jansênio Tolentino, Abelardo Cerqueira e dr. Brás Arruda. O presidente do Conselho Municipal de instrução pública, dr. João de Castro Prado, assistiu a essas provas, em que os alunos revelaram muito adiantamento.. Foram promovidos 20 alunos para o curso secundário e 14 para o intermediário.

Nos exames realizados no curso anexo a Faculdade de Direito de São Paulo, foram, entre outros, aprovados os seguintes alunos: Otacílio Caiubí, João Batista Barbosa Ferraz, João Paulo Pinto, Eliseu de Queirós Teles, Herculano de Andrade Couto, Antônio Barbosa Ferraz Neto, João Cesar B. Bierrenbach, João Coutinho de Lima, Domingos Guaicuru de Sampaio Ferraz, Luís Branco, Sócrates Fernandes de Oliveira, J. Paulino Pinto, João Quevedo e José Batista Coelho.

Em conseqüência de pertinaz moléstia em pessoa da família, o dr. Jorge do Miranda, que desde 21 de dezembro de 1885 vinha exercendo sabiamente e com extrema dedicação o cargo de diretor, apresentou seu pedido de demissão, sendo substituído pelo conceituado educador professor Hipólito Gustavo Pujol, que assumiu o posto em 18 de dezembro de 1888.

O novo diretor já contava com um longo tirocínio na direção de estabelecimentos de ensino, e possuía conhecimentos especializados de pedagogia moderna. Logo de início, sugeriu à diretoria da associação o plano de serem ministradas noções gerais de agronomia, com aplicações práticas, aos alunos que não pretendiam seguir os cursos superiores; contava para este fim com a valiosa colaboração do dr. Francisco O. Dafert, diretor da Estação Agronômica, hoje  Instituto Agronômico do Estado.

O  professor Hipólito Pujol tratou logo da reforma dos estatutos que foram publicados em data de 21 de Dezembro contendo o plano geral de educação moral, física e intelectual que seria adotado no estabelecimento, a seriação dos cursos que abrangia um curso de conhecimentos práticos e outro acessório.

Pouco tempo depois, em 29 de janeiro de 1889, era nomeada pela diretoria da Associação uma comissão composta dos drs. Tomás Alves, José de Campos Novais e capitão Francisco Alves de Almeida Sales para acompanhar durante o ano letivo o progresso dos alunos, cooperando com o corpo docente para maior eficiência do ensino.

Quando tudo denotava que o Colégio Culto à Ciência ia entrar em uma fase de franca prosperidade, eis que surge em Campinas a maior desgraça que flagelou a cidade — a febre amarela.

Era então crença geral que essa terrível moléstia não subiria a serra de Santos; assim, quando a 23 de fevereiro de 1889 apareceu o primeiro caso da febre amarela, ninguém deu crédito, salvo o médico denunciante dr. Eduardo Guimarães.

Em pouco tempo o mal alastrou-se pela cidade, paralisando quase todas as atividades; o Colégio Culto à Ciência poucos dias após a abertura dos cursos, com 115 alunos matriculados, foi obrigado a suspender as aulas no dia 9 de março, quando a pavorosa epidemia já grassava impiedosamente.

Cogitou-se em princípio de maio de fazer a transferência temporária do colégio para Jundiaí, o que não se conseguiu: suas portas conservaram-se fechadas por longos meses, reabrindo-se as aulas somente em 1.o de julho.

Apesar de um ano letivo tão precário, os alunos habilitaram-se aos exames finais de preparatórios, graças ao devotamento do corpo docente, assim constituído: português — Alfredo Pujol; francês e latim — o diretor; aritmética e geometria dr. João Brás de O. Arruda; inglês — dr. Diogo Pupo. Alcançaram as melhores notas nesses exames, prestados em dezembro perante a Academia de São Paulo, os seguintes alunos: Salvador Franco Bueno, Edgard Egídio de Sousa, Jose Correia Pacheco, João Quevedo, Cassiano Noronha Gonzaga, Alberto Sarmento, Luís Branco, Olímpio Soares Caiubí, José W. Tompson Junior, Aristides Sales, Manuel de Costa Carvalho, José Bayeux, Plutarco Soares Caiubí, Mauro Álvaro de Sousa Camargo e alguns outros.

As aulas do ano letivo de 1890 tiveram início a 15 de janeiro, com 76 alunos matriculados; mas em virtude dos boatos que se propalavam de casos de febre amarela na cidade, os alunos começaram a retirar-se do colégio, pelo que o diretor Hipólito O. Pujol resolveu em 15 de fevereiro suspender as aulas até que cessasse o terror que se apoderava da população da cidade.

A direção do colégio envidou todos os esforços no sentido de transferir os alunos para uma fazenda do município, nada conseguindo. O estabelecimento de ensino conservou-se fechado até o dia 9 de junho, quando foram reabertas as aulas, continuando reservados os lugares dos alunos gratuitos comprovadamente pobres.

O diretor, em edital que saiu publicado em 15 de junho, prevenia aos interessados que em dezembro não haveria férias escolares, sendo dadas as aulas sem interrupção.

Nos exames de preparatórios prestados na capital, nas duas épocas correspondentes aos meses de julho e novembro de 1890, obtiveram a nota plenamente os alunos: Alberto Sarmento, Avelino Duarte de Resende, Barnave Néger, Ernesto Gustavo Correia, José Teodoro Bayeux e René Hertz. Em resumo, houve 39 aprovações e apenas 2 reprovações.

O resultado dos exames excedeu a expectativa, porquanto, forçado pela segunda epidemia que assolou a cidade, o colégio se conservara fechado durante 6 meses, reduzindo-se o ano letivo a apenas 5 meses. Com uma freqüência muito reduzida de alunos, o Culto à Ciência apresentou nessas aprovações uma eloqüente prova de aplicação de seus alunos e da dedicação de seu corpo docente.

Terminaram os preparatórios os alunos Alberto Sarmento, João Coutinho de Lima e Alfredo de Almeida Resende.

O corpo docente do colégio era o seguinte: português — dr. Alfredo Pujol e Hipólito Pujol; francês, latim, geometria e história — Hipólito Pujol; inglês — dr. Diogo Pupo; aritmética e geometria — Rocha Fragoso e Hipólito Pujol; filosofia e retórica — dr. Alfredo Pujol. Continuava na direção o professor Hipólito G. Pujol, que a uma variada cultura aliava grande tino administrativo.

No fim do ano de 1890 passara o colégio por uma reforma baseada sobre o novo plano de ensino, estando anunciada a abertura das aulas a 10 de janeiro de 1891 para os internos, e a 15 do mesmo mês para os externos.

Logo ao início das aulas, o dr. Diogo Pupo, que vinha regendo proficientemente a cadeira de inglês, foi coagido por motivos particulares, a exonerar-se, sendo substituído pelo professor Artur Gosling.

Em junho achavam-se matriculados nos diversos cursos 85 alunos, mas já no mês de agosto esse número ascendia a 109. Dentre os professores, 5 residiam no estabelecimento e cooperavam para a boa disciplina. Achavam-se funcionando regularmente todos os cursos, inclusive as aulas de moral, direito Público, imigração e colonização.

Além de alguns outros, obtiveram nota ótima na primeira semana de agosto desse ano de 1891, os seguintes alunos, quase todos campineiros: Druzo Pompeu do Amaral, Heitor Teixeira Penteado, Fernão Pompeu de Camargo, José de Freitas Guimarães, Clóvis Egídio de Sousa Aranha, Osvaldo Álvaro Bueno, Paulo Branco, Ernesto Pujol, Gelásio Pimenta, Otaviano Franco e Celso de Morais Sales.

Apesar dos danosos efeitos das duas epidemias, o colégio encontrava-se em situação auspiciosa, graças principalmente aos esforços de seu diretor, professor Hipólito G. Pujol. A fim de proceder à eleição da nova diretoria da Associação, bem como aprovar as contas apresentadas pelo diretor do colégio, foi convocada pelo diretor José de França Camargo uma Assembléia Geral de acionistas, que se realizou no salão do Júri no dia 23 de agosto de 1891. Os membros que compunham a antiga diretoria não compareceram a esta assembléia; apenas o cidadão Francisco Glicério Cerqueira Leite fez-se representar por seu procurador, o dr. Antônio Álvares Lobo.

A sessão foi presidida por Bento Quirino dos Santos, servindo de secretários o dr. Antônio Álvares Lobo e Antônio Lapa. Apurada a eleição da nova diretoria da Associação, verificou-se o seguinte resultado: Presidente — Francisco Glicério de Cerqueira Leite; tesoureiro — José Joaquim Duarte de Resende; secretário — dr. Francisco Augusto Pereira Lima; diretores — dr. Luís Silvério Alves Cruz e Cândido Álvaro do Sousa Camargo.

Do relatório apresentado pelo diretor do colégio, professor Hipólito G. Pujol, constava que foram matriculados 116 alunos durante o ano, havendo freqüentado as aulas 100 alunos, dos quais 22 recebiam ensino gratuito e destes eram internos 7 alunos.

O estado financeiro acusava um pequeno déficit, não obstante o professor Pujol haver conseguido, durante a sua zelosa administração, pagar dívidas antigas do estabelecimento na importância de Cr$ 23.888,10.

Em agosto desse ano de 1891, os alunos fundaram o “Clube Literário Culto à Ciência”, cujo objetivo era manter uma pequena biblioteca e publicar o jornal “Culto à Ciência” para estimular o gosto literário entre os associados. A diretoria dessa agremiação estudantina tinha como presidente José de Freitas Guimarães; vice-presidente, Floriano Novais; 1.o e 2.e secretários: Ernesto Pujol e Aristides Barreto; tesoureiro, João Tompson Jr.; procurador, Inácio Mesquita ; bibliotecário — Davi Novais. Para oradores foram indicados o presidente e o 1.o secretário.

Em setembro de 1891 freqüentavam o colégio 102 alunos, destacando-se entre os mais aplicados o aluno Fernando Bueno, com apenas 9 anos de idade. No fim desse ano letivo fizeram-se 69 inscrições para os exames parcelados de diversas matérias, perante as bancas de São Paulo, conquistando as melhores notas os seguintes alunos: Aristides Barreto, Alfredo Maurício, Jorge de Morais Barros, Floriano Novais de Camargo Andrade, Bruno dos Santos, Ferdinando Silva, Júlio Brandão de Magalhães, José Teodoro Bayeux, José de Freitas Guimarães, João de Oliveira, Ernesto Gustavo Pujol e Bento Pio Bittencourt. O resultado geral dos exames não desmereceu do conceito que gozava o corpo docente do estabelecimento, tendo sido inabilitados nas provas escritas apenas 4 alunos e não havendo nenhuma reprovação na oral.

O  curso primário achava-se dividido em dois graus: o 1 .o grau compreendia os alunos de 8 a 10 anos de idade, sob a direção do professor Tomás Lessa; o 2.o grau, os de idade superior a 10 anos, a cargo do professor Ernesto Justo da Silva. Constituíam o corpo docente do curso secundário o diretor Hipólito Gustavo Pujol e os professores dr. Lima Côrtes, Luís Branco, Luís Felipe da Rosa, dr. Bogumil Martholomey, Foot e Henrique Potel.

A abertura das aulas do novo ano letivo de 1892 foi marcada para o dia 12 de janeiro; entretanto, pela 3.a vez caiu sobre Campinas o terrível flagelo da febre amarela, esparramando a morte e a desolação entre seus habitantes. A epidemia perdurou até princípio de junho, quando a comissão médica a considerou extinta. Foi então anunciada a reabertura dos cursos em diversos estabelecimentos de ensino da cidade, sem figurar o Colégio Culto à Ciência.

O  educandário campineiro atravessaria então uma situação de séria dificuldade, de que a parte financeira seria a mais grave. A febre amarela não se limitara a levar à morte inúmeros habitantes da cidade, mas lhe fizera ruir as colunas mestras do trabalho e da atividade. E o Colégio Culto à Ciência, que agremiava a flor da mocidade campineira, não podia escapar a essa fatalidade.

O  secretário da diretoria, dr. Francisco Augusto Pereira Lima, publicou em 29 de junho, na Gazeta de Campinas, uma convocação de todos que faziam parte da Associação para uma assembléia no dia 4 de junho, no Clube Campineiro, a qual não se realizou.

Alguns dias após, o diretor do colégio, professor Hipólito Pujol, avisava pela imprensa que as aulas se reabririam a 11 de julho, segunda feira, sem conseguir resultado animador. Propalou-se mesmo pela cidade, em setembro desse ano de 1892, que o “Culto à Ciência”, passaria a denominar-se — “Ginásio Nacional”, com caráter oficial.

 Nessa conjuntura, o dr. Pereira Lima fez pela imprensa local a convocação de todos os acionistas para uma Assembléia Geral no dia 11 de dezembro de 1892, domingo, no Paço Municipal, para deliberarem sobre assunto de magna importância. Não se realizando por falta de número, a assembléia, fez o referido diretor secretário nova convocação para o dia 17, sábado, esclarecendo que deveria ser deliberada a dissolução ou a continuação da sociedade.

 No dia 11 desse mês, marcado para reunir-se a assembléia, o professor Hipólito Gustavo Pujol que vinha prestando inestimáveis serviços no cargo de diretor do colégio, em que se revelou um grande educador, apresentou o seu pedido de demissão. Tendo assumido a direção do estabelecimento em 18 de dezembro de 1888, lutou corajosamente contra os efeitos das calamitosas epidemias que tornaram improfícuos seus ingentes esforços para manter a casa de ensino, da qual era não somente o diretor mas também conceituado mestre de várias disciplinas.

Não se realizando a assembléia convocada para o dia 17, foi feita a terceira e última convocação para o dia 24, ao maio dia, no Paço da Câmara Municipal, a fim de ser deliberado o mesmo assunto constante nas anteriores convocações.

No dia marcado, realizou-se a última assembléia geral de acionistas da Associação Culto à Ciência, havendo comparecido pequeno número de pessoas. O dr. Pereira Lima leu um relatório em que ressalvava sua responsabilidade sobre a extinção do estabelecimento que tantos benefícios havia prestado à mocidade estudiosa, opinando pela sua continuação, não como internato mas como externato. Este alvitre não foi aceito, porquanto não resolveria a grave situação financeira do estabelecimento.

 Ficou então deliberado, em face do art. 43 dos Estatutos, no caso de dissolução da Sociedade ficará o patrimônio pertencendo à Municipalidade de Campinas para fins exclusivamente da instrução — transferir todo o patrimônio da Sociedade para a Câmara Municipal, que ficaria com o encargo de pagamento das dívidas. O patrimônio estava avaliado em Cr $ 150.000,00, sendo as dívidas as seguintes: Nota do ex-diretor H. Pujol, Cr$ 19.600,00; ao Banco Mercantil de Santos, Cr $ 2.200,00; ao Banco União de São Paulo, Cr$ 6.000,00; ao Banco de Crédito Real de São Paulo, Cr $36.687,00 , no total de Cr $ 64.487,00.

O presidente da Associação “Culto à Ciência” general Francisco Glicério, oficiou em principio de janeiro de 1893 à Corporação Municipal, comunicando o que havia sido deliberado em assembléia no dia 24 de dezembro, bem como solicitando as necessárias providências para a posse imediata do patrimônio.

E assim se encerrou a primeira fase do Colégio “Culto à Ciência”, onde formaram a sua mentalidade tantas figuras que se destacaram nas ciências, nas artes, no jornalismo, na política, na magistratura, honrando sobremaneira as tradições daquele instituto, iniciativa esplêndida dos velhos campineiros que, sem a menor preocupação de lucro, não tiveram meças de sacrifício para fundar um estabelecimento modelar de ensino e educação.

 

Subir

 


© Carlos Francisco Paula Neto - última atualização em 20/03/2009
e-mail :  carlos@francisco.paula.nom.br

Menu Principal