Os "Causos"  parte II

(COLABORAÇÃO DE MOACYR CASTRO)   -  ( IR PARA "CAUSOS" I )

                  Foi em 67, quando eu fazia a quarta série pela segunda vez. Era a 4ª E, que fôra transferida para o período da manhã. No último bimestre, a professora de História resolveu fazer uma prova mimeografada, uma novidade na época. O mimeógrafo era a álcool e acho que pertencia ao grêmio. Quem manuseava a máquina era um amigo nosso (desculpe, mas não lembro o nome desse nosso herói) que, ao iniciar a impressão, pegou uma das provas, examinou e disse para a professora que a mesma estava toda borrada, amassando-a e jogando-a no lixo. Quando a professora saiu com as provas impressas, esse nosso amigo foi até a lata de lixo e recuperou aquela prova que, de borrada, não tinha nada. Alguns minutos depois as preciosas dez questões que seriam colocadas na nossa frente só no dia seguinte, estavam ali, à nossa disposição. Decidimos que apenas a turminha que estava pior de nota ficaria sabendo da história e poderia copiar as questões. E assim mesmo ficou combinado que cada um tiraria a nota que precisasse, para que não houvesse uma porção de notas 10 gerando a maior desconfiança. Infelizmente, não me lembro dos nomes todos, mas lá estavam, com certeza, o João Rubens, o Dagmar, o Olímpio, o Romeuzinho Mirante e, se não me engano, o Spis (hoje presidente dos petroleiros). Acho que o Sebastião Maria fazia parte dessa turma também. Enfim, no dia seguinte, fizemos a prova, nervosos e cheios de segredos, precavidos como nunca, para que ninguém descobrisse aquela que foi a maior cola das nossas vidas. E deu certo: tiramos as notas que precisávamos para nos livrar do exame ou para fazê-lo sem precisar de nota muito alta. E ninguém descobriu, apesar de, na entrega das provas com as notas, a professora ter desconfiado. Afinal, alunos que sempre tiraram notas baixas, de repente se revelaram ótimos historiadores... Edmilson Siqueira – turma de 63 a 70. P.S - Se o cara que nos passou a cópia da prova estiver na festa, por favor me procure: o chope será por minha conta...

 

            É bom saber que algumas das minhas lembranças mais queridas também fazem parte das lembranças de muitos outros. Temos orgulho de fazer parte da família Culto a Ciência. Meu respeito a todos os professores e professoras que marcaram nossas vidas (Sônia, Eclair, Pedrinho, Almeidinha, Quinita, Amália, Mossa e tantos mais). Quero confirmar as historias do Adilson (Gouveia) e do Afrânio (Omati). Turma de 69-75. Vocês se lembram do Mossa dizendo: “Calma pessoal, tenham paciência com ele. Aqui nas quadras ele é esse desastre, mas na sala de aula ele é bom. Tenham paciência...”? Ary Chiacchio – turma de 69-75

     

            Corria o início dos anos 70 e a turminha toda, na faixa dos 14 ou 15 aninhos, descobriu um jogo interessante chamado sinuca. Acontece que menor não podia ser visto jogando. Então, era aquela procura louca por algum bar que tivesse mesa e permitisse o uso. Aí, alguém, não me recordo quem, descobriu um buteco no Taquaral (Rei Amir), que permitia. Toda manhã, era aquela loucura no portão do colégio, organizando a excursão para um joguinho. Né Binho? José Yaly Rodrigues de Souza (Negrão)

 

            Não completei o curso no colégio. Fui para a Escola de Comércio São Luís (turma de 60). Mas dois anos gostosos no velho Ginásio do Estado (54-55). Tenho grandes recordações de colegas de classe e outros contemporâneos. Os de classe eram Sampaio, Franchini, Cristiano, Miranda, Gargantini, Prestes, Frederici, Henri, o saudoso Paim (falecido ainda jovem), Pedro, Antunes, Ney, Fernando, amaral, Tojal (o mais novo), Miquelini e tantos outros que a memória nos trai. Eos contemporâneos Cardela, Rui Almeida, Tórtima, Marsaiolli, Foot, Zé Neves, Rangel, Badaró, Paulo e Nenê Scolfaro, Eglantina Lobo, Elza Pìnarel, Eglantina Chaves e tanta gentes que, Deus queira, possamos rever e matar saudades. Ainda apagar alguma mágoa que tenha ficado daquela fase de nossa vida-história. São muitas molecagens e travessuras. Então, precisaria de um diário para descrevê-las. Mazzotini.

 

            Em 1961, fui para o Colégio Culto à Ciência: realização de um sonho pessoal dos meus pais, que tanto orgulho sentiam em saber que seus filhos poderiam estudar no melhor colégio daquela época. Éramos pobres e a minha entrada lá era praticamente impossível, embora o colégio não fosse pago. Naquela época, estudavam filhos de tradicionais famílias campineiras e da região, filhos de donos de usina de açúcar, de médicos etc.. Fiz todo o ginásio, cursei o primeiro e o segundo Científico e, como tivesse dificuldades em Física e Química, fiz o segundo e o terceiro Clássico. No final, acabei cursando a Faculdade de Administração de Empresas, me formando pela PUC em 1972. Tive muitas passagens interessantes na minha vida no Culto à Ciência, mas algumas delas foram marcantes. Uma que me marcou profundamente, foi quando um ex-aluno famoso visitou a escola e que nos foi apresentado com muito orgulho pela nossa diretoria. Naquela época, eu sonhava em ser atriz de teatro e colecionava todos os artigos de revistas e jornais sobre a vida do Carlos Zara. Consegui me aproximar dele e com o meu impecável uniforme de ginástica todo branco, que era elogiado por todos pela maneira como a minha mãe cuidava, cheguei até ele e lhe perguntei como eu faria para entrar no teatro. Ele me respondeu rapidamente e com um sorriso que eu nunca mais esqueci: “É só você comprar um ingresso.”. Senti muita vergonha na presença de outras pessoas e deste dia em diante, perdi a minha ilusão de ser atriz. Rasguei tudo o que tinha colecionado sobre a vida do Carlos Zara. O tempo passou e eu acabei entendendo a sua resposta e continuei à admirá-lo. Outra passagem foi a primeira vez em que enforcamos aula e eu chorei muito porque não queria ir. Saímos escondidos do colégio, no assoalho da perua Rural Willis do Anuar e fomos tomar chopes no Bavária, em frente ao cine Ouro Verde, na Rua Conceição. Só chorei nesta vez, pois acabei descobrindo que era bom e emocionante enforcar aulas. Fizemos uma viagem inesquecível à Caverna do Diabo mas não me recordo do ano. A turma era do Morey, Amadeu Tilli e outros tantos. Só me lembro que o Morey levou lanches e eu acabei escrevendo uma poesia para ele. Lembro de uma vez ter chamado a Regina Duarte em sua classe, à pedido do seu marido, na época seu namorado. Ela não estudava na minha classe, mas estudou numa mesma época. A minha primeira paixão de adolescência foi o professor Biojone, a quem eu amava, vamos assim dizer, platonicamente. Só eu sabia. Era o meu ídolo. Uma vez, derrubei da muleta uma colega de classe que me chamou de puxa-saco da professora de Latim, dona Zilda Rubinsky. Ela rolou escada abaixo e eu não consigo lembrar do que aconteceu comigo depois desta. Lembrando do professor Samuel, a dona Zilda conseguiu que ele me desse aulas de desenho, porque eu não conseguia acompanhar as aulas do professor Inácio. Aí, consegui melhorar bastante. Eu, na minha primeira prova de Latim, tirei 0,5. Dona Zilda me colocou para ter aulas de reforço com a Sônia Kauppert e eu melhorei muito meu Latim ficando com notas muito altas. Minha mágoa é não ter conseguido guardar minha primeira poesia, quando recebi um elogio do professor Alexandre. A partir daí, comecei a escrever. Uma vez, o Amadeu Tilli me levou à casa da Hilda Hilst, juntamente com meu caderno de poesias e ela gostou muito. Pena que eu não tenha conseguido guardar nada daquela época. Eu morava no bairro Ponte Preta e ia à pé para o colégio. Na volta, quase todos os dias, coincidentemente, eu estava no caminho da dona Zilda, que tinha um Renault Dauphine (nem me lembro como se escreve). Ela saía da escola com os filhos (5) e com a cachorrinha pequinês Kitty e ainda me dava carona, pois eu morava próximo de sua casa. Quase todos os dias o guarda nos parava; dona Zilda estava sem os documentos e a cachorrinha queria morder o guarda. Dona Zilda ainda dizia por que o guarda a parava, se sabia que ela nunca trazia os documentos! Quando eu tinha oportunidade de estar em sua casa, eu sempre lhe pediu para tocar “Sonata ao Luar”. A Sonia (hoje pianista famosa nos Estados Unidos) deveria ter uns quatro anos e também já tocava piano com muita graça e classe. São muitas as recordações pois afinal foram oito anos passados dentro do colégio. Foi uma vida que se passou e agora nesta comemoração de 125 anos a mim parece rever um filme em preto e branco, com uma emoção sem palavras para defini-la. Marina de Oliveira – turma de 61-68

 

            ...e o pessoal continua aprontando, mesmo depois de sair do Cultão. No último 13 de outubro, estávamos reunidos na Fonte São Paulo, discutindo detalhes da festa, como patrocínio, fotos etc.. De repente, impulsionado por um desejo maligno, o Mossa levanta da mesa (ele estava sentado em frente ao Stuchi) e começa a vasculhar as gavetas da sala, procurando algo... Quando achou, os olhos dele atá brilharam: uma caneta hidrocor! O que ele fez? Pegou discretamente os óculos do Stucchi e pintou as lentes de preto!! Quando o Stucchi viu, (impressionante!) olhou direto para o Mossa e mandou: “Seu f..., só podia ser você!!!”. E nós achávamos que só aluno dava trabalho... Marcio Luis Hilkner Silva

 

            Meu nome é Elza Mendes de Paula, filha do professor Carlos Francisco de Paula e... tia do Carlos Francisco de Paula Neto, que vem honrando o nome de seu avô e participando tanto com suas agradáveis lembranças. Uma das coisas que mais me marcaram durante o meu curso no Culto à Ciência foi um zero bem redondo que recebi no exame de Geografia, dado pelo professor Antônio Cezarino Junior. Ao saber quem eu era, o professor Cezarino foi pedir desculpas ao meu pai, alegando não saber que eu era sua filha... Papai, imagino que chocadíssimo, respondeu ao colega: “Se ela mereceu zero na prova, não há por que se desculpar, pois ela é uma aluna exatamente como as outras...”. Meu vexame foi enorme, me sentindo ainda mais envergonhada perante meu pai, pela maneira como ele veio a saber da terrível nota... Elza Mendes de Paula  -- turma de 38

 

            Não é um causo nem um caso. É uma homenagem, mais uma aqui, à nossa grande mestra Zilda Rubinski. Vejo pelos relatos chegados até agora o carinho, a admiração e o respeito que muitos dedicam a ela. Na última vez em que nos encontramos, disse a ela o que já havia escrito numa crônica do Correio Popular: “Querida, a senhora é a grande culpada por eu ser jornalista.”. Ela me ensinou a gostar de Português, a sentir como é bela essa inculta última flor do Lácio. Com ela aprendi nosso idioma desde seu berço - o Latim. Dona Zilda me ensinou a não ser tímido, a escrever de forma clara e simples. Um pouquinho, espero, aprendi. Quero vê-la outra vez, querida, para beijá-la e agradecer. Agradecer sempre sua passagem pelas nossas vidas, ajudando, como nossos pais, a construir nosso caráter. Obrigado, de coração. Moacyr Castro

 

            Muito antes do aparecimento da Mary Quant, nossa queridíssima Mariinha, professora de Música, já havia, para gáudio da moçada, usado a minissaia. Dona Mariinha sempre esteve muito à frente nos conceitos da verdadeira moda. Por estar muitos anos à frente de todos, muitas vezes não era entendida, Quanto nós teríamos evoluído, se a tivéssemos entendido mais cedo. Ela possuía uma visão do futuro que nós não tínhamos. Bicudo  

                Realmente, tem sido muito emocionante e extremamente reconfortante recordar todas estas histórias e experiências contadas por ex-companheiros, muitas das quais presenciamos ou vivenciamos pessoalmente em nosso querido e inesquecível “Culto”. É muito bom sentir através dos relatos a presença viva de ex-colegas e ex-professores que tanto aprendemos a amar! Queria apenas reverenciar e rememorar as antigas disciplinas de Artes Industriais (para os meninos) e Artes Culinárias (seria isso?) (para as meninas), onde aprendemos os fundamentos dos serviços em gráfica, marcenaria, cerâmica, metais. Quantos objetos fabricamos, lembram-se? (abajures, raladores, cinzeiros, potes, blocos de notas, tábuas de bater carne...). Tudo isso aprendíamos em nossa inesquecível sala de Artes, com os professores Sílvio e Granja; enquanto da sala das meninas vinha sempre um cheirinho gostoso de quitutes, que depois eram levados para a sala de aula. Lembro-me também da disciplina opcional no 3º ginasial: Técnicas Comerciais (professor Fernando, vulgo “Chaminé”, de tanto que fumava); Eletrônica, no 4º ginasial (professor Normanha/Joca), onde fabricamos amplificadores de som, luz estroboscópica, dimmer etc.. Isto sim, realmente, era um colégio. Quão bom está sendo recordá-lo! João Gottardo Labigalini Junior – turma de 68-74

   

            Canadá, Vancouver, 17 de novembro de 1998. Alô pai... Estes dias fiz um comentário de como esta festa do Culto à Ciência deve estar sendo importante para você, pois a mencionava a toda hora para mim em seus e-mails. Agora que chequei ao site do “Cultão” e li a seção de contos e causos, entendo perfeitamente a sua paixão por este tão falado colégio. E, também, sei que não é apenas você que está ansioso, mas sim todos os ex alunos. Li vários causos e, acredite, fiquei emocionado por sentir tanta paixão e admiração dos ex-alunos pelo colégio, o que é coisa rara. Senti a união que existia entre vocês e a vontade de viver aprontando, na qual você era (e ainda é) mestre. Parabéns a todos da comissão organizadora pelo sucesso da festa, que será demais e muito emocionante. Farei questão de acompanhá-la pela internet. Um abraço apertado e com admiração do filho que te ama... Bruno Zammataro

 

            Bem gente, esta aconteceu em 1956, no pátio dos rapazes, entre nós e o nosso querido bedel o Sr. Cardomone. Algum moço do colegial trouxe para o pátio uma camisinha e inflou-a, dando um nó na extremidade. Então, aquela bizarra bexiga subia e descia ao sabor do vento pelo pátio. Nós, os meninos menores e mais novos, nos aproximávamos com curiosidade e alguém perguntou: “Porque esta bexiga é assim?” Rapidamente, veio a resposta. “É uma camisinha!” Foi um momento mágico de malícia, porque quem não sabia aprendeu na hora, através de um sussurro forte e baixo, que passou de ouvido a ouvido. Logo depois, risadas altas e gargalhadas. Muitos faziam gestos e mímicas imitando macacos. Imaginem uma roda, uma enorme massa de garotos correndo atrás daquela bola que subia e descia. Todos gritavam: “Vamos penar, pena, pena!” Histeria geral. Aí, apareceu o Sr. Cardomone, que tentava tirar a grande salsicha do pátio. De nada valiam as suas ameaças de suspensão. Quando ele chegava perto, ela escapava de suas mãos. Os mais velhos e experientes ficavam rindo de longe, saudando-nos com a imponência de tribunos romanos, encorajando-nos a continuar. Todos com a mão direita em saudação e a esquerda na boca, que soltava “Ohs!” de falsa pudicícia e surpresa fingida. Gostávamos da cena. Uma febril e selvagem massa de garotos hipnotizada pelo tabu corria atrás daquela deformada bola, dando tapas para cima. Aquele enxame conseguiu manter o Sr. Cardomone correndo por uns cinco ou dez minutos. Finalmente, ele pegou o “pênis” gigante entre as mãos e, ofegante, estourou-o, dizendo: “Seus tolos! Tudo isso por causa de uma simples bola!” Vaias e gargalhadas foram ouvidas por todo o pátio. Muitos precisaram se segurar de tanto rir, outros se contorciam no chão sem parar de dar risadas. Foi uma divertida aula de sexo, com demonstração de material, naquele tempo bravo de censura e puritanismo. Havíamos jogado para fora tudo que era reprimido, foi uma sensação de grande leveza e euforia geral. Orgulhosos, pequenos magarefes, julgamos ter demonstrado grande experiência no trato dessas coisas. Jader Ricci Prado – turma de 56-61

 

            Os funcionários do Cultão: quando falamos do Culto a Ciência, é muito importante fazer sempre uma menção especial ao seu quadro de funcionários. É claro que estou falando da década de 50. Quem não se lembra da voz possante da Gladys Pierre, não só quando nos advertia, mas também quando cantava. Do carinho da dona Celina Mesquita, da dona Angelina, da dona Erotildes, sempre prontas para atender as alunas que a elas recorriam e das outras, que a memória me falha. Isto do lado feminino. No lado masculino, tínhamos o Cardamone, Biojone e o seo Otacílio, assassinado no próprio colégio, em uma noite fatídica. Duros, quando era preciso manter a disciplina, amigos e conselheiros, quando a eles recorríamos. Professores do Cultão: vamos nos lembrar agora de alguns professores que muito marcaram nossas vidas e nos serviram de exemplo para o resto de nossas vidas. Hilton Federicci, que com sua personalidade marcante, transformou o ensino da Geografia. Para que tivéssemos uma sala-ambiente, solicitava a colaboração de todos com um cruzeiro. Naquele tempo, já formava nos alunos a conscientização da importância da participação de todos na melhoria das condições do ensino. Professora Ancila Bannwart era o carinho personificado. Mais do que professora, era a nossa irmã que nunca falhava. E em suas aulas de História Geral, nos transmitia uma visão plena do mundo que ela tinha visitado e que seus olhos azuis-celeste tão bem captaram. Dona Agueda Sarto, em suas aulas de História. Ela, que era sobrinha-neta de Pio XII, tinha a capacidade de inter-relacionar os acontecimentos do passado com os atuais e de sua matéria com as outras que nos eram ministradas. Francisco Ribeiro Sampaio nos ensinou o Português correto e casto, nos fez conhecer os grandes autores da língua portuguesa, principalmente Camões. Professor Lívio Thomás Pereira: além de suas excelentes aulas de Matemática, nos transmitiu sua personalidade marcante de um homem a quem jamais ninguém poderia imputar qualquer falta ou deslize. A ele devemos em grande parte o Hospital Álvaro Ribeiro. Professor Moacir Campos, que ensinava Física como ninguém, sempre apressado, trazia o programa sempre em dia. Nós, seus alunos, ingressamos diretamente nas faculdades, sem necessidade de cursinhos. Ignácio Landel, o grande professor de Desenho e que também era um grande pintor e a quem aqueles que optaram pela Engenharia muito devem. Bicudo e Lucinha Bicudo

     

            “Tu, meu Culto à Ciência, és orgulho desta moça falange estudiosa. A teus pés minhas flores debulho, tradição de Campinas gloriosa!” E depois? Alguém lembra? Cláudia Adolfs Ziggiatti - turma 65-72 (repeti o 1º Colegial)

 

            Estava esperando que alguém contasse, mas como até hoje ninguém se atreveu, aqui vai: foi em 68, 1º Clássico. A grande miss Fobê, no primeiro dia de aula, dá como trabalho, para ser entregue no fim do ano, várias peças de Shakespeare. Cada equipe faria o que quisesse com elas. O Amadeu Tilli, que já fazia teatro (tinha até participado de uma novela na TV Tupi), não deixou por menos e resolveu apresentar mesmo uma das peças. A escolhida foi Othelo e, para compor o elenco, tivemos de juntar duas equipes. Fobê, que a princípio duvidou que conseguíssemos, percebendo nosso entusiasmo, também se entusiasmou. Foram meses e meses de ensaios, com o Amadeu ensinando a gente a ser, pelo menos um pouco, ator. O texto da peça era um desses livrinhos de bolso. Tilli se imcumbiu de adaptar o texto à nossa total ignorância de teatro, cortando (meu Deus!) frases e mais frases do bardo inglês, mas de modo que a trama do terrível Iago acabando com o romance de Othelo e Desdêmona ficasse, digamos, quase intacta. Eu fui Brabâncio, o pai da donzela. Tilli, claro, foi Othelo, pintando o rosto e a mãos de preto, para ficar igual ao mouro. Marisa Lage, louríssima à época, foi Desdêmona, tendo de renunciar, pelo menos no palco, às incríveis minissaias que ela usava na classe (ai!). Como faltava homem no elenco (faltava no bom sentido, claro!) a Lúcia, então minha namorada, fez o Dodge de Viena. O Hipólito era o Iago e muitos outros e outras trabalharam na peça, que teve de ser apresentada fora do Culto, pois havia muita gente interessada em vê-la. Requisitamos o teatro da então Secretaria de Educação e Cultura, localizado na Avenida da Saudade, que teve seus 400 lugares totalmente tomados. Cenários imitando Veneza, trilha sonora tirada da vasta coleção barroca do Tilli, a gente vestido a caráter, nervosismo total nos bastidores, todas as famílias dos metidos a atores presentes. E no fim, aplausos, muitos aplausos que se misturaram às lágrimas tanto na platéia quanto no palco. A coisa foi tão boa que Miss Fobê deu 10 para todo mundo e às vezes conta essa história até hoje em palestras que a querida mestra dá por aí. Valeu Fobê! Valeu turma! Edmilson Siqueira – turma 63-70.

 

            Em 1971, quando houve a reforma do ensino que transformou os cursos primário e ginásio num único primeiro grau de oito anos, nós ainda recebemos um certificado de conclusão do grupo escolar. Apesar de ainda ter de enfrentar o exame de admissão para o ginásio, ao entrarmos no colégio em 1972, viramos alunos de 5a. série, e não da 1a, como tinha sido até então. As mudanças continuariam, e em 1976 o Ginásio do Estado (nome do Culto à Ciência anos antes) deixaria de oferecer o curso ginasial. Como uma das últimas turmas a cursar a segunda parte do 1o. grau, tivemos a oportunidade de ter aulas de Francês (infelizmente já abolidas em muitos colégios, mas que seria útil para vários alunos no futuro) e aulas de Canto na sala 6, que dispunha até de um piano. A professora desta matéria no inicio de 1972 era dona Maria Aparecida (se não estou enganada), que deixou o colégio logo após os primeiros meses. Para substituí-la, entrou dona Gladys Pierre, para surpresa de todos que a conheciam como inspetora de alunos e ignoravam seus conhecimentos musicais. Havia também as aulas de Artes Industriais para os rapazes, como já foi descrito em outros casos aqui relatados, e para as moças, a matéria era Educação para o Lar (professoras Maria Elisa e Ana Lilian), que incluía não somente culinária -- que todo mundo percebia, pelo aroma que se espalhava pelo corredor do porão ao final da aula, mas também trabalhos manuais, como corte e costura, crochê, acabamentos artísticos em quadros, pintura de camisetas -- muitas pequenas empresas podem ter sido inspiradas nestas aulas. Apesar de a escola ser pública, várias matérias tinham salas próprias para que as aulas fossem ilustradas com experiências práticas. Quem não se lembra da Sala de Ciências, com a famosa caveira e os armários com materiais vários para ilustrar as aulas? ou da Sala de Geografia, com globo, mapas e bandeiras, amostras de solo, fósseis etc.. Como conseqüência, quem mudava de sala a cada aula eram os estudantes, ficando o professor na sua sala com o seu material didático, ao contrário do que ocorreu depois, quando este sistema foi abolido. Além das matérias obrigatórias e essenciais para a formação básica, os alunos que desejassem poderiam ainda ter aulas extracurriculares, tais como Datilografia, com o professor Semedo (bastante valorizada no mercado de trabalho da época, e que até hoje pode fazer falta para o pessoal que utiliza Informática); Violão (dona Cleusa Garbo), Taquigrafia e outras. A formação proporcionada pelo colégio, longe de ser somente acadêmica ou visando o vestibular ou colégio técnico, transmitia cultura e preparava para a vida, e isto fica ainda mais evidente quando nos damos conta de que hoje em dia, uma escola é considerada bem equipada se dispõe de aulas de Inglês e de Computação, mesmo negligenciando a formação básica, do raciocínio mais elementar e da boa capacidade de expressar idéias. A vida exige mudanças e devemos aceitá-las, mas será que realmente o ensino foi aperfeiçoado? Heloísa Peixoto de Barros Pimentel – turma de 72-78  

            Cadê a turma dos anos dourados, que não se manifestou até agora? Entrei em 1949 e saí em 1956. Onde anda o Alexandre Ribeiro? José da Costa Neves? Os Carvalho e Silva? Volpe? Benjamin de Sousa Neto (Mosteiro de São Bento)? Ralph Tórtima? Guilherme Nogueira? Os Abdallas, em especial o Celso Maury? Peri Chaib? Ruy José de Almeida Barbosa? Nosso conjunto musical das aulas de Maria Aparecida Mota? Caio Canguçu de Almeida? Germano Melchert? Michel Goudet Henry? Sérgio Uzeda Moreira? Maria de Lourdes Reis? Neuza Pommer? Úrsula? Rudolf Uri Hutzler? Benedito e Joaquim Barreto Fonseca? Queiroz Telles? Vou parar por aqui, senão acabo chamando todo mundo... Júlio Cardella -- turma de 49-56

 

            Na década de 50, o Cultão foi aquinhoado com o ingresso de duas excelentes professoras de História, Ancila Bannwart e Agueda Sarto. Cada uma delas tinha um tique nervoso dos quais nós nos aproveitávamos para fazer apostas do tipo bolão. Ao darem suas aulas, cada uma tinha uma expressão de reforço de suas afirmações. Dona Agueda sempre falava “Nhé” e dona Ancila usava a expressão “Conta-se que...”. Então, fazíamos a aposta para adivinhar quantas vezes cada uma usaria o seu tique nervoso e quem chegasse mais próximo ganharia o bolão. Com isso todo mundo prestava uma atenção imensa à aula, para marcar o número de vezes que as expressões eram usadas. A campeã entre todas as vezes foi dona Agueda, que falou 102 vezes “Nhé”. Bicudo

 

            Será que o Moacyr vai contar o causo do esqueleto que caiu em plena sala de ciências? Ou aquele do time do ginásio que foi disputar o Estadual e ficou alojado no Ibirapuera? Ou da introdução do jogo de dados no pátio valendo “catecismo”? Quem se lembra? Vamos lá pessoal! Nelson Junque

 

            De fato, é emocionante ver todo o pessoal relatando fatos ocorridos conosco em nossa juventude. Nós fazíamos história! Estudar no Culto à Ciência foi uma glória. Relatando para meus filhos adolescentes o que foi estudar no Culto à Ciência, eles não entendem, ou não acreditam, o que era estudar num local querido, gostoso, onde todos éramos praticamente uma família. Sem dúvida, foi um tempo inesquecível, que ficará marcado nas nossas vidas e na história de Campinas. Tenho certeza de que se houvesse hoje mais escolas como a nossa, a juventude atual não estaria com tantos problemas. Nós, sim, tínhamos “tios”, e não os chamávamos assim. Agradeço à Deus por poder ter conhecido colegas, professores e demais pessoas que somente queriam nosso bem. E que bem fizeram a todos nós! Maurício Nascimento de Queiroz  

 

            Estudar no Culto à Ciência era um sonho, primeiro pela fama de melhor escola da cidade, depois, sempre gostei de desafios e o exame de admissão era dos mais difíceis, e, por fim, havia a principal razão de tentar passar no Ginásio do Estado: econômica. Explico: trabalhávamos numa chácara, na Fazenda Chapadão, onde produzíamos muitas verduras, frutas e flores, mercadorias vendidas por meu pai nas feiras. Tínhamos, também, uma bela criação de porcos que, além de fornecer carne e banha para consumo familiar, havia as leitoas vendidas na época das festas, aumentando a renda, que não era grande suficiente, apenas para se levar uma vida remediada, trabalhosa, mas muito sadia. Assim, tornou-se um objetivo de minha parte estudar grátis no Culto à Ciência. Munido de tal propósito, matriculei-me no curso de admissão da dona Yolanda. Foi uma rotina diária: pela manhã, quarta série primária, no Castorina Cavalheiro, e na parte da tarde, curso de admissão. Finalmente chega dezembro e os temidos exames. Fui eliminado de cara pela prova de Português do professor Sampaio, mas tive mais sorte na segunda tentativa e, em março de 53, me apresento com muita ansiedade para o primeiro dia de aula no sonhado Culto à Ciência, onde estudei até 58, me transferindo para um colégio mais fraco, afim de poder me preparar melhor para o vestibular no último ano do Científico. Digo com sinceridade que passei um dos melhores períodos de minha vida no Cultão. Com muita saudade, leio as histórias dos colegas que também por la passaram. Saudade dos tempos de pouca responsabilidade, muita camaradagem e amizade. Saudade dos intervalos das aulas, quando nos reuníamos no campo de futebol, para jogar conversa fora, sempre movendo de um lado para outro, evitando, assim, as brincadeiras mais violentas, como a conhecida na época como cama-de-gato, que quase me casou um deslocamento de ombro. Saudade do bar do Alo, sua esposa dona Jeanete e sua simpática filha, que serviam um saboroso sanduíche de mortadela. Lembro-me claramente da face de muitos colegas, mas os nomes me somem da memória. Com alguns mantenho contacto pessoal ou através de familiares. Dentre estes, cito Antônio Fernando Magalhães; Antônio José Luporini, tragicamente levado pela violência; Mauro Freitas Leitão; Márcio Ribeiro; Márcio de Campos; João B. Piovesan; José C. P. Tobar; Kussama; Picolloto; Honório Chiminazzo; Feliciano C. Passos; Eder V. Ferreira; Joaquim C.Nascimento; Hélio S. Teixeira; Fernando B. H. de Melo; o turco Feres; Massami Katayama, colega desde os tempos de admissão da dona Yolanda até os bancos da faculdade, no Rio de Janeiro -- inclusive escolhemos a mesma especialidade. Infelizmente, o amigo Massami não se encontra entre nós. Aos mestres, gostaria de deixar aqui meus sinceros agradecimentos, afinal foram eles que com muita paciência, disciplina e dedicação, nos ajudaram a forjar nosso caráter e nos transmitiram os conhecimentos que nos guiam pelos meandros da vida. Novamente, a memória me falha, mas me lembro do professor Stucchi; dos Lusíadas, do professor Sampaio, muito rígido na nota, mas um grande coracão; professor Hilton, com seu “reino” de Geografia, na sala 10, sempre impecavelmente limpa; professor Lívio, alma bondosa, com o teorema pé de galinha e sua expressão “Mochinho”; professor Basílio, que caminhava diariamente para dar aula; professor Benevenuto Torres; Ignácio Landell; dona Auzenda; Maria Estela, sempre alegre, de bem com a vida, com o seu carrinho prateado; a simpática e charmosa Maria Helena Valverde; Eclair; Ancila; Maria de Lourdes Pimentel, muito séria, “but very classy”. Dentre os funcionários; não poderia deixar de mencionar sr. Dario e sua esposa dona Maria; dona Gladys Pierre, cantora de ópera; sr. Cardamone; sr. Carpino; dona Celina Mesquita; dona Angelina; dona Olga, cujo apelido deixo de mencionar em respeito à sua memória e à sua família. Longe que estou, com muita tristeza comunico que não poderei estar na festa do dia 21. Mais frustrante ainda é lembrar que há poucos dias, estive aí em Campinas, porém garanto que no Sábado, meus pensamentos estarão voltados para este magnífico acontecimento. Finalizando, gostaria de sugerir à comissão, que no início das festividades, faça um pedido de um minuto de silêncio em homenagem aos professores, colegas e funcionários que não se encontram entre nós. Muito obrigado. Diotoko Kiam -- turma de 53-59

 

            Coincidências: há algum tempo, quando meu filho era adolescente, entrou para um grupo de jovens patrocinado pela Maçonaria. Para freqüentar as reuniões, que sempre eram nas tardes de sábados, combinava com outros colegas que faziam parte desse grupo e, juntos, no mesmo carro, eu os levava a uma cidade vizinha. Na primeira reunião, também fiz parte, como assistente, mas percebi que minha presença poderia tolher a liberdade dos jovens. Sendo assim, nas demais reuniões, que eram mensais, procurei deixá-los à sós e aproveitei o tempo para uma visita ao shopping center recém-inaugurado. Na outra reunião, fui ao cinema. As reuniões desse grupo eram realizadas numa loja próxima ao cemitério da Saudade, nesta cidade. No sábado seguinte, como a reunião iria demorar, fiquei estacionado junto ao portão lateral desse cemitério. Por curiosidade, entrei. Minha emoção era aumentada, cada vez mais, pela arquitetura dos túmulos e das imagens. Tendo estudado na minha juventude nesta cidade, pude vislumbrar pessoas que tinham já falecido, algumas conhecidas. Realmente, me surpreendia com as datas e os fatos relatados nos túmulos que constituíam a história daquela metrópole. Circulei por grande parte do cemitério, sempre detendo-me e relacionando-os com os acontecimentos de cada época. Cada jazido trazia consigo algumas explicações: doenças, pestes, crimes, perseguições políticas... Túmulos enormes e arquitetônicos homenageavam figuras e vultos notáveis daquela cidade. A tarde ia caindo, quando comecei a sentir a presença de algumas pessoas, bem vestidas, com trajes escuros, que chegavam em cortejo. Percebi que acompanhavam o sepultamento de alguma pessoa importante da cidade. Aproximei-me e acompanhei o féretro. Olhava para as pessoas sem conhecer nenhuma, eram todas estranhas. Mesmo assim, continuei junto a elas, mas notei, também, que não se preocupavam com a minha presença. Afinal, para velório, todos estão convidados, não há necessidade de comunicações antecipadas. Por fim, chegando ao lugar do sepultamento, a urna seria depositada no jazigo, e foi quando começaram os discursos em homenagem ao falecido. Vários oradores usaram da palavra para enaltecê-lo, graças à sua participação na sociedade como benfeitor e filantropo. Disse um dos oradores que sua vida fora pautada na ajuda ao próximo, principalmente à criança carente. Quando o primeiro orador referiu-se ao falecido, mencionando seu nome, senti uma grande emoção. Estava sendo sepultado naquele momento aquele meu velho professor do colégio. Fiquei perplexo. Confuso. Teria havido coincidência para eu estar naquele momento no cemitério e prestar, sem querer, uma ultima homenagem ao tão dedicado e inteligente mestre? Por muito tempo essas cenas não sairiam de meu pensamento. Terminado o sepultamento, a comitiva se desmanchou. As pessoas, rapidamente, se iam retirando naquela tarde que já escurecia. Eu também fui me retirando, pois a reunião de meu filho estava acabando. Num dos corredores laterais do cemitério, alguém me chamou. Fiquei surpreso e assustado. Quem me estaria chamando se eu não tinha reconhecido ninguém no cortejo? Era seu sobrinho quem me chamava e ainda pelo nome. Ele havia morado em minha cidade e sabia que tinha sido aluno de seu velho tio. Abraçando-me, cumprimentou e agradeceu a minha presença naquele momento tão triste de despedida, e ainda concluiu: “Na hora da morte, é que se conhecem as pessoas que gostam e nos admiram. Pude acompanhar o trabalho de meu tio como professor por mais de trinta anos e aqui vi raros alunos... Muitos alunos ocupam lugar de destaque na sociedade, na região e em nosso país e aqui não estiveram... É muito triste como as pessoas esquecem e não reconhecem...”. Não pude dizer nada em contrário. Foi uma oportunidade que tive de homenageá-lo, embora por coincidência. Mas, coincidência ou não, eu estava lá no velório do velho professor amigo e ainda recebi o agradecimento de seus familiares. Meu filho e seus colegas saíram da reunião, subimos no carro, e eu ainda olhei, mais uma vez, para o cemitério, incrédulo com o acontecimento. Na viagem nada comentei aos acompanhantes. Eles eram ainda muito jovens para entender as coincidências da vida e as razões de estarmos nela... JH Fozati Cosmópolis/SP

 

            Meu “causo”, na realidade, “episódio”, ocorreu no ano de 1977, durante o segundo colegial, na época transformado em colegial técnico em Construção Civil. Em função desta transformação, alguns professores de outras disciplinas e instituições passaram a fazer parte do corpo docente de nossa gloriosa escola. Poderia citar nominalmente pelo menos três deles, porém nosso episódio esta focalizado no professor Osvaldo Nascimento, grande mestre, vindo, segundo as conversas da época, do ITA. Sua capacidade de ensinar Desenho Técnico foi algo de fantástico, com experiências muito gratificantes que, em meu caso, marcaram tão profundamente, que creio dever a ele boa parte da minha capacidade de lidar com estruturas geométricas, arquitetônicas, vistas de peças mecânicas etc.. Ele era um professor de vanguarda, ou pelo menos com novas técnicas de ensino. Em uma de nossas aulas, o tema era conseguir esculpir uma peça de formato cúbico com vários detalhes em suas faces em três dimensões, a partir da observação de suas diversas vistas rebatidas no plano. Para tal, pediu numa aula anterior que no dia marcado trouxéssemos uma barra de sabão e uma faquinha, para realizarmos a escultura da peça -- tudo valendo nota de trabalho, como numa prova. Nossa aula transcorreu mais ou menos normal, com algumas pequenas gracinhas, mas chegamos sãos e salvos ao final. Porém, quando o professor Osvaldo deixou a sala de aula, presenciei e participei da maior guerra de pedaços de sabão da minha vida. Como conseqüência, quase fomos suspensos e nunca mais tivemos oportunidade de poder realizar este tipo de exercício. Notei uma grande decepção em nosso mestre, daquele tipo: “E eu achava que vocês já estavam um pouco mais maduros...” Marco Antônio Duarte Novo -- turma de 72-78

           

            Doutor Davi, inspetor estadual, ia em cada carteira assinar as provas parciais de junho e finais, em dezembro. O fato que vou relatar não posso provar, mas colegas de classe garantiam que realmente aconteceu. Foi o seguinte: na prova parcial de Latim, do profesor Benê, terminadas as questões, confessadamente achando que tinha feito uma boa prova, fiquei parado, reconferindo as respostas e o doutor Davi estava circulando pela classe e achando que eu estivesse a fim de colar. Ele se aproximou de minha carteira e, muito mansamente, colocou a mão no bolso de meu blusão. Como não achou a cola que antecipava, me deixou em paz. Considerando que colegas veteranos contavam que ele chegava a subir naquelas árvores, logo na entrada masculina, para fiscalizar provas nas classes do segundo andar, a veracidade do fato relatado torna-se mais forte. Fiquei muito zangado quando me falaram de tal ocorrência. Comentando com a família, havia planejado trazer alguns vidros quebrados no bolso para a prova seguinte. Idéia que me valeu uma tremenda bronca de meu pai. Ele disse que eu devia estudar mais e não deixar suspeita de colador. Minha satisfação pessoal foi que nesta prova consegui arrancar um sonoro 10. NakaYagi

 

            Nos idos de 1975, último ano do glorioso curso ginasial do Culto à Ciência, eu estava na 8a. Série C, na aula de Inglês do nosso saudoso Jacques. Ele já tinha chamado, e fulminado, uns três infelizes. Minha torcida para escapar daquela chamada era enorme, mas não teve jeito... Ele me chamou e começou a tomar os verbos, na terceira pessoa do singular, onde temos que acrescentar ‘s’ ou ‘oes’. Só que o nervosismo tomou conta, tudo se apagou na minha memória. O Jacques também foi ficando nervoso e, como era seu costume, começou a “rolar” sua cabeça contra o quadro negro (quem teve aulas com ele sabe do que eu estou falando). Repetia, vermelho, com toda a potência da sua voz grave: “Vamos, jovem!!!”. Eu tremia na base, coração a mil, boca e memória a zero... De repente, soa o sinal, fim de aula!!! A turma, tão estressada quanto eu, não perdeu tempo, levantou e começou a sair da sala, como que fugindo. Eu não tive dúvidas: saí junto com eles. O Jacques olhava incrédulo, mas não teve tempo para esboçar qualquer reclamação, pois, ao mesmo tempo, a Angelina entrou na sala para lhe dar um recado. Resultado: daquela eu me safei! Jansle Vieira Rocha -- turma de 72-75 (última turma de exame de admissão e de ginásio)

 

            Na turma do Clássico 53-55, havia um aluno de alta cultura, que redigia como ninguém, querido pelos colegas e professores. Ele, entretanto, gostava de desafiar seus colegas para uma disputa sui generis, na qual ele era o “rei”. A disputa consistia em saber quem dava o mais longo e estrondoso arroto. E nisso o Zé Flávio era o “rei”. Onde está você? Bicudo

 

            Estou estranhando não aparecerem mensagens das décadas de 50, 60 e 70. Será que todos não têm causos para contar? A turma da década 50 foi contestadora, que trouxe a família dos colegas para participar, diretamente, nos bailes no ginásio; para apresentações do coral da dona Mariinha; do combate ao uso obrigatório da gravata; do recreio separado das meninas e meninos. Tínhamos grandes bailarinos em nossos saraus dançantes tais como José da C. Neves, Edivaldo Orsi, Júlio Cardelli (naquele tempo ele não era Cardella). Vocês se lembram de quando fechamos o portão do colégio com uma corrente e cadeados? Vamos lá minha gente, vamos contar as nossas estórias. Jesuíno Bicudo de Avelar

 

            Os seresteiros do Cultão. Na década de 50, formamos um grupo de seresteiros do qual participavam também elementos de outros colégios. Participavam deste grupo, além de mim, Arley Zaratini; Sandoval, com seu violino mágico; Cardelli (naquele tempo ele era Cardelli); Bicalho; Lauro Moraes; Gordinho e muitos outros. Um dia, nos informaram que havia sido instalado um novo pensionato à rua doutor Quirino na altura da Major Solon. E que as meninas de lá eram lindas. Lá fomos nós e demos o melhor de nós na serenata. Através das venezianas, ouvíamos as manifestações das meninas entusiasmadas. Mas elas não abriram as janelas. Quando avisamos que iríamos embora, ouviu-se uma voz que vinha da janela dizendo “O Lar das Moças Cegas agradece esta serenata.” E a partir daquela, todos os sábados iniciávamos nossas serenatas partindo dali. Bicudo

 

            A ex-aluna Heloísa Pimentel citou um fato que gostaria de complementar. A ex-inspetora Gladys Pierre era famosa na nossa época, 1960 a 1965, pelos gritos que ecoavam pelos corredores e salas. Tinha realmente uma voz potentíssima. O curioso é que certa vez, na aula de canto da dona Mariinha, isso por volta de 1960, ouvia-se lá fora a Gladys ralhando com alguém, em altos brados. Comentário de dona Mariinha: “A Gladys deveria pensar melhor e empregar esta voz que Deus lhe deu para o canto!!”. Taí, dona Mariinha, sem dúvida, deve ter feito a cabeça dela. Carlos Francisco de Paula Neto

 

            Quem não se lembra da sala de Canto, a nº 6, e do professor Terceu? Pois bem: tínhamos aula com ele aos sábados nesta sala e era sua rotina colocar o banquinho do piano bem no centro da sala, para ministrar sua matéria Em um determinado dia, ao entrar na sala, encontrou o banquinho já posicionado. Ele ficou agradecido e se dirigiu para sentar, esquecendo-se do ditado ‘quando a esmola é demais, o santo desconfia’. O resultado foi um tombo cinematográfico, pois o autor havia desrosqueado o banquinho, deixando no último fio. Era prática do Terceu dar alguns giros nele... Mas ele levou tudo no maior bom humor, levantando-se e dizendo: “Isso é coisa do...” (Puxa! Não me lembro do autor; se alguém se lembra, favor entregá-lo aqui. Afinal, já se foram 20 anos e o ‘crime’ prescreveu.) José Fernando Braga Alves

 

            Bons tempos do nosso Culto á Ciência. Quem se lembra dos desfiles de Sete de Setembro? Saíamos perfilados pelo portão do ginásio, rumo à Avenida Francisco Glicério. A disputa era pelos últimos lugares no pelotão, pois a cada esquina era uma ótima oportunidade de fuga. Quem se lembra da tão esperada inauguração da piscina, atrás do ginásio, onde um certo professor de Desenho foi arremessado por nós com seu tradicional terno preto e seu guarda chuva? Quem se lembra das guerras com saquinhos d‘água nos intervalos? Quem se lembra do cigarro aceso que colocaram no esqueleto da sala de Ciências da professora Amália? Quem se lembra do barbantinho que acenderam na aula do professor de Desenho, o Mário? Ele mandou fechar as janelas e a porta e continuou a aula como forma de castigo, frustrando os autores, que esperavam pelo cancelamento da aula. Boas lembranças dos nosso tempos dourados. José Fernando Braga Alves

 

            Era o ano de 1954. Durante a aula de Educação Física com o professor Stucchi, tínhamos 11 a 12 anos, e o professor, em seus conselhos, como era seu costume, orientou a turma como falar o novo número do telefone em Campinas, que naquela época passaria de quatro para cinco dígitos. Dizia o professor Stucchi: “Falem o primeiro número em tom de voz mais alto e os demais, em tom normal, para o interlocutor gravar na memória com mais facilidade o novo prefixo”. Nisso, Badaró, o advogado, ergueu o braço e perguntou ao professor Stucchi, se ele já tinha trabalhado na telefônica. Riso geral. O professor, sem perder a calma, respondeu que não, mas já tinha residido na cidade de São Paulo... Rubens Gilberto Alves Cruz -- turma de 54-60.

 

            Sendo aluno do Culto à Ciência, meu dever se resume no estudo. Se o cumprir, trago em paz a consciência. Sou feliz e na vida isso é tudo. Claudia, aqui vão as primeiras estrofes do Hino ao Culto à Ciência. Não me lembro se havia uma terceira parte... Aqui fica a sugestão para alguém com boa memória colaborar também. Querida dona Mariinha, que saudade de suas aulas, da califasia do Hino Nacional - será que os estudantes de hoje sonham com o que pode vir a ser califasia?... Saudade também dos seus ditados rítmicos, que na época eu detestava.  Não me esqueço, também, da origem dos nomes das notas musicais, vindas do Hino a São João, que deveríamos saber em Latim. Por falar em Latim, um carinho ao querido seo Benê. Só mesmo numa escola como a que tivemos o privilégio de freqüentar se poderia saber de onde surgiram o dó ré mi fá sol lá si... Vitoria Maria Mendes de Castro Andrade -- turma de 58  

 

            Nelson Junque... Nelson Junque... Seria o Nelson Junque Júnior, que estudou comigo, ou o primo, que há pouco tempo homenageou seo Colombo? Se é o Junque Junior, foi o maior centroavante da década dos sessentas do Culto à Ciência: Dario Panazzolo (Zé ‘Pio’ Francisco Graziano), José Palma Sampaio, Junque, Pelé (o Guilheres Amâncio) e Mário Nakano. Esse era o ataque do timaço! Já falei dele numa crônica no Correio Popular. Agora, o desafio: o jogo de dados foi introduzido, se bem me lembro, pelo Roberto Bugue de Andrade e pelo Paulão César Leite, mais o Ricahrd James Frederigh, o Aílton ‘Guerrinha’ Carvalho Garcia, o José Roberto Martins Pereira, o Edgard Norder e outros delinqüentes (no bom sentido) da Terceira Série E de 1963. Os catecismos eram fornecidos pelo Chicão (Francisco Camargo) que, para reforçar a mesada, alugava-os para os colegas, por Dez Cruzeiros por dia (aquela cédula de dez com a efígie do Getúlio Vargas -- arghhh!). Quanto à caveira, insisto em que nunca foi o Treco (Lineu Pires Véspoli) que dava rasteiras nela, nem era ele quem punha cigarro acesso da na boca da dita cuja. Moacyr Castro  

            Havia eu chegado ao colégio em meados de 61, transferido de Jundiaí e fui colocado a estudar na 1ª MF. A sala era a que dava fundos para a Sala de Trabalhos Manuais (do Sílvio Pirulito). De paletó de couro (era o único que tinha), cursei o resto do ano com calor. Mas meu problema era o Francês, lecionado pela saudosa dona Lícia Pétine. Na primeira prova, não sei como, fui muito bem, de tal forma que me sobraram elogios da grande mestra. Na segunda, caí na real e a nota foi péssima. Não tive dúvidas: dona Lícia gentilmente retirou tudo o que dissera de mim na prova anterior, na frente de todos. Passei a odiar mais ainda a dita língua. Lamartine – turma de 68

 

             Concluí o 1o. grau no Cultão em 1977. Eu morava na Barão de Atibaia (perto da Fonte S.Paulo) e muitas vezes caminhava até o colégio. Tinha de passar por uma rua de terra (onde ficava o circo), mas não havia perigo naquela época. Peguei a fase de transição do Cultão para o Benedito Sampaio. Não sei como consigo me lembrar, até hoje, de uma definição de “alavanca”, que aprendi numa das aulas: “É uma barra sólida, rígida, móvel, ao redor de um ponto de apoio, submetida a duas forças: potência e resistência.”. Pode isso? Não sei se está certa a definição, mas devo ter estudado muito para me lembrar disso até hoje... Só as coisas e as pessoas que são positivas, marcantes, significativas, importantes em nossas vidas, é que nos deixam saudades. O Cultão faz parte de minha vida, teve influência nos caminhos que segui, nas escolhas que fiz, na minha educação, na formação de meu caráter, nos meus destinos... Que saudades tenho de você! Obrigado Culto à Ciência! Ricardo Hoffmann -- turma de 77

 

            Adorei me lembrar da historinha contada pelo Edmilson -- das nossas interpretações teatrais comandadas pelo Tilli. Só me lembro de que uma vez eu representava o personagem Shakespeare contando em Inglês, é claro, um pouco da sua vida. Trabalho da Fobé. Os ensaios eram na minha casa e até hoje minha mãe se lembra da Regina Guedes, que gritava “Oh God, God, God!”. Seu apelido ficou “Regina god-god”. Vilma Nista

   

            Ainda não li nenhuma história da nossa querida banda (não ousem chamá-la de fanfarra, tá?), criada pela Cleide e pelo Waldir. Foram tantas apresentações que fizemos, tantas cidades que visitávamos, mas o melhor mesmo era o churrasco que tinha sempre na volta de uma viagem, na casa deles. Será que ninguém tem fotos da nossa banda tão famosa? Gostaria de rever os amigos da banda, até mesmo aqueles especiais! Vilma Leni Nista Piccolo

 

            Lendo o texto enviado por minha prima Victoria Mendes Andrade, sobre a nossa querida dona Mariinha, acho que, sem dúvida, é uma das professoras que, de forma mais unânime, criou uma aura de simpatia e admiração de todos os seus alunos. Para homenageá-la, aqui vai o Hino a S. João, citado no texto, que é de autoria do italiano Guido DArezzo, que deu origem aos nomes das notas musicais (em países de língua latina) e que ela fazia a gente decorar. Perdoe-me, dona Zilda, pelos prováveis erros de Latim: Ut quant laxis/ Resonare fibris/ Mira gestorum/ Famuli tuoroum/ Solve polluti/ Labii reatum/ Sancte (Si) Ioannes Baptiste. Carlos Francisco de Paula Neto

 

            Só quem estudou no Cultão sabe: 1) Quem não se escondeu atrás da árvore, quando o Tojal mandava a gente dar cinco voltas no campinho em frente à cantina, de forma a dar somente duas voltas? 2) Quem não teve vontade de colocar uma bombinha no cano que saía do ralo da sala de datilografia? 3) Quem não reparou que o professor Calazans (Ciências) chamava as “boazudas” da turma para a sua tradicional “argüição”, só para olhar suas pernas? 4) Quem não jogou a borracha no chão só para olhar a cruzada de pernas destas mesmas “boazudas”? 5) Quem não levava um guarda-chuva quando ia tomar bronca do doutor Telêmaco? 6) Quem não comprou raspadinha do seo Itamar, com passe de ônibus da CCTC, depois de uma aula de Educação Física? 7) Quem não teve de agüentar o humor do professor Pedrinho numa aula de História de Segunda-feira, após o Guarani ter perdido no domingo? 8) Quem não procurou um sapo para arrancar-lhe os pulmões e levá-lo para a professora Amália (Ciências), que sempre prometeu um 10 para quem fizesse isso? 9) Quem não se lembra do “famoso” terno do seo Milton, o porteiro do colégio? 10) Quem não tem orgulho de ter tido a oportunidade de estudar num colégio como o Cultão?Um abraço, Jansle Vieira Rocha – turma de 72 - 76  

 

            Num dia de muito calor, nos deslocando para a sala de Física do professor Moacir, eu e o amigo Fernando Magalhães vimos um ninho de galinha com ovos no capinzal que margeava o caminho. Ao voltarmos para a última aula, na sala 2, aquela à esquerda de quem entra no prédio principal pelo portão central, resolvemos apanhar alguns ovos, todos podres, que foram quebrados e depositados dentro de cada carteira da última fileira da sala 2. Foi aquela confusão, todo mundo cobrindo o nariz com lenço. Chamaram o Telêmaco. Ele queria saber se tínhamos tido aula de Química, se havia alguém doente na sala etc.. Além do Fernando, alguns colegas sabiam do que se tratava, mas ninguém dedurou. Resultado: fomos dispensados mais cedo por falta de condições para prosseguimento da aula. Por ser um fim de semana longo, ainda escapamos de um gancho coletivo... O bonde 9, sempre o bonde 9... Se aquele bonde falasse, muitas histórias, encrencas com cobradores e paqueras viriam à tona. Lembro-me bem de um fato engraçado na época, aprontado por um aluno, muito gozador e bagunceiro, que por ter a cara arredondada e usar óculos de aros grossos  era apelidado de “Coruja”, hoje um profissional muito respeitado em Campinas. O “Coruja”, como todos nós, estava no estribo do bonde e, sentada num banco próximo, estava uma linda garotinha de uns 6 ou 7 anos, com os cabelos bem moldados em duas longas tranças, junto de sua mãe. Então, o “Coruja”, na maior cara de pau, começa a conversar com ambas. Muito sutil e mansamente, o “Coruja” pegou as tranças da garotinha e, sem que ninguém percebesse, amarrou-as no encosto do assento do bonde. Quando a mãe foi pegar a filha para descer, ficou uma fera. A gargalhada dos estudantes foi geral. “Mens Sana in Corpore Sano”: quem não se lembra desta expressão gravada no madeirame do pátio? Pois bem, um colega da turma anterior á minha, aluno exemplar, muito inteligente e estudioso, hoje ótimo profissional, muito respeitado nos arredores de Campinas (por isso deixo de mencionar seu nome), fez uma brincadeira que lhe custou, além de alguns dias de gancho, a transferência para o noturno. Foi o seguinte: ele apanhou um objeto, hoje em dia um acessório comum nas bolsas das mocinhas de pensamento politicamente correto ou avançado, antigamente só usado com uma finalidade, funciona hoje também como remédio preventivo. Para ser claro: pegou uma camisinha, encheu de água e pendurou no madeirame. Quando descobriram, foi aquela confusão. Por ser bom aluno, o colega recebeu como punição mais séria a transferência para o período noturno, tendo de se sacrificar bastante, pois viajava diariamente de uma cidade próxima a Campinas. Naka Yagi

 

            Falar em “Culto à Ciência” é relembrar fortes emoções. Os anos que passei nesta escola histórica (86-89), cursando o Magistério, foram realmente inesquecíveis. Lembro-me como se fosse ontem, do primeiro ano no porão, as aulas terríveis e necessárias de professores como Cidinha (Matemática), Vanderlisa (Física), Iracema (Química), Carlão (História), Euclides (Geografia), Célia (Educação Artística) dentre outros de que não me recordo. Foram pessoas especiais, que fizeram parte de um grande sonho meu: entrar numa universidade pública. Durante o curso, professores como Sônia (Português) e Clóvis (Didática) também deixaram saudades. A todos minha eterna gratidão. Mas, falando da escola, sempre vivi grandes aventuras com outras amigas, que gostavam, como eu, de desvendar os mistérios de cada canto dela. Mesmo “adultas” na época, gostavam de fazer de conta, de fantasiar fantasmas, monstros, de bisbilhotar no sótão, de revirar a biblioteca. Não nos importávamos com festas ou divertimentos. Éramos da turma que gostava de estudar, que se empenhava em cada atividade, que vivia cada dia com alma e coração. Respirávamos o mesmo ar que Santos Dumont respirou. Talvez o ensino público não tenha muito crédito hoje em dia, mas sou testemunha viva de que, com esforço e com a ajuda de Deus em primeiro lugar, se pode chegar lá. Formei-me em 1989, e minha vida não era fácil. Trabalhei e estudei muito neste ano, além de estudar para o vestibular. Não tinha dinheiro para pagar o cursinho e tive que estudar o dobro. Entrei na Unicamp graças ao excelente primeiro ano que realizei no Culto à Ciência e aos excelentes professores que lecionaram as matérias do núcleo comum do segundo grau (obrigada, Iracema e Vanderlisa pelas aulas terríveis!). Conclui meu curso de Pedagogia em 1993. Neste ano, em agosto, defendi minha tese de Mestrado na Unicamp na área de Psicologia Educacional e no ano que vem iniciarei o Doutorado na mesma área. Sou feliz e realizada aos 27 anos, e tudo graças a Deus, que é o Senhor dos Impossíveis, e à minha escola querida, que sempre levarei no coração. Gostaria de falar mais. Quem sabe numa próxima oportunidade? Deixo aqui uma com o professor Clóvis nas escadarias do colégio. Obrigada. Adriana Emilia Heitmann Gonçalves Teixeira

 

            Escrevo de um quarto de hotel em Las Vegas, onde estou para um congresso (Comdex 98). Hoje à tarde, ao passar por um dos estandes da mostra, vi um computador com acesso à Internet e, meio por acaso, abri a página do jornal “O Estado de S. Paulo”. Quando vi o anúncio da festa do Culto à Ciência, meu coração bateu mais rápido. Corri para sua página e, naquele momento, a Internet justificou sua existência para mim. Estou fora do país há muitos anos, moro no Canadá, e sempre sonho encontrar os antigos amigos do colégio. Se tivesse sabido antes, teria arranjado um jeito de ir. Sou da turma de 72. Um abraço para todos os do Culto à Ciência. Estarei com vocês pela Internet no sábado. Parabéns pela iniciativa. José Colucci Jr.

 

                Realmente todos nós amávamos o Cultão. Tentando falar com todos os amigos da turma: Alexandre Albrecht, o Cláudio, o Maurício Oki, o Walter, o Rogério, o Marcos, o Beto, o Márcio..., é difícil encontrar o telefone de todos; encontrei de um, de dois e assim foi. Quando consegui o telefone do Márcio, toda animada para convidá-lo para a festa, a surpresa: “Bia, vai ser uma surpresa estar lá, encontrar o pessoal,. Mas na realidade eu nunca estudei no Culto, apesar de nunca sair de lá!” Ele era parte importante da turma, sempre estava lá, nos intervalos, no final da aula. Um beijão, Bia. Bia -- turma de 87 "

 

            1956, 3ª série ginasial MD: outubro - dia ensolarado - período da tarde, tínhamos entre 14 a 15 anos, primeira aula do dia - História Geral, professora Eclair. Ela entrou na sala e após marcar a presença dos alunos, dirigiu-se para a lousa e iniciou o desenho do mapa da região a ser estudada, se não me falha a memória, Mesopotâmia. Aí algum gaiato na sala suspirou em voz alta:  “Chi! Mapa outra vez!” A professora Eclair virou-se rapidamente e quis saber o autor da exclamação. Como ninguém se acusasse, todos das duas fileiras da onde parecia ter vindo o som foram levadas pela pela inspetora de alunos (senhora Mãe do Silvinho) à Diretoria. Eu junto. Na época, o doutor Telêmaco era vice-diretor, mas ele que se encarregou do caso e começou com tortura moral, agredindo o grupo com palavras, afirmando que ninguém dos presentes honrava as calças que usavam. Como ninguém acusou ninguém e o autor não apareceu, fomos todos suspensos das duas aulas seguintes e ficamos detidos na biblioteca. Só fomos liberados para a quarta aula, que tinha prova mensal. Os alunos das duas fileiras saíram-se muito bem, porque passaram o tempo de detenção na biblioteca, estudando para a prova. Rubens G. Alves Cruz – turma de 54-60

 

            Poucos tiveram o privilégio de ter como professores de Educação Física estes verdadeiros “monstros sagrados”: Stucchi, Mossa, Bento, Tojal... Conhecemos esportes como poucos, pois temos noção de vôlei, basquete, atletismo, handebol, natação etc... Mas o futebol está no sangue. Não me lembro em que ano este fato ocorreu, pois era um prazer assistirmos à aula de Educação Física. Naquele dia chovia demais e não haveria aula. Estávamos lá e o campo encharcado era um convite para uma partida. Fui procurar uma bola, e nada. Achei uma novinha de basquete. Na chuva, todas as bolas ficam pesadas... vai a de basquete mesmo. Eu, Armandinho, Gastão, Ceará, Galetti, Lamartine, Avancini, Richter, Benjovengo, Rivabem... A partida foi emocionante e muito disputada. Talvez pelo peso da bola, o jogo terminou 1 X 0. No dia seguinte fui chamado pelo professor Stucchi, que deu a maior bronca: “Seu perna de pau! Não sabe diferençar uma bola de futebol de uma de basquete?” E tome “perna de pau”... Não houve suspensão, foi só uma grande bronca... Mas até hoje, talvez pelo trauma daquele dia, não aprecio muito o basquete... Até hoje não sei quem me dedou para o Stucchi... Marcel de Campos Bueno -- turma de 64-70

 

                Eu me formei em dezembro de 1979 e em março de 1980, foi meu primeiro dia de aula no Culto à Ciência, no primeiro colegial noturno. Tive muito cuidado ao vestir-me, colocando um conjunto com “saia envelope” (última moda) e salto alto. Ao chegar à classe, cumprimentei os alunos, sentei-me e puxei a cadeira para junto da mesa. Só então descobri que esta era fixa (a famosa pé de elefante) e quem foi para debaixo da mesa fui eu. Fiquei só com os pés para fora. Fez-se um silêncio geral. Um dos alunos (que se estiver lendo gostaria que entrasse em contato), o Aparecido, foi até a mesa e perguntou se estava tudo bem. Respondi que não, pois não sabia como olhar para a classe se saísse dali. “Vem professora, eu te ajudo.” E eu: “Não quero sair daqui.” Ele: “Mas professora, você precisa sair, a gente nem te conhece.” Com a ajuda dele, levantei-me senti-me ridícula. Estava com as costas doloridas (as vértebras deslizaram uma a uma no assento da cadeira), com a saia toda torta, os cabelos desalinhados e os alunos se segurando par não rir. Tive um acesso de riso e as gargalhadas tomaram conta da classe, que acabou sendo a melhor classe com quem trabalhei naquele ano. Permaneci nesta escola por oito anos, dando aulas de Educação Artística. Muitos episódios ocorreram neste tempo, alguns tão engraçados quanto este e meus alunos devem recordar-se (se sim, por favor, me contatem). Com as meninas do Magistério da manhã, fizemos uma dança e a Andréa, em vez de bater os cocos enfeitados, fez um biquíni e acabou com a dança, dando um show à parte. Essa mesma turma deu-me de presente, no dia dos professores, um par de pernas-de-pau de cerejeira com ponteira de borracha (quer presente mais original?). Quando fizemos apresentações de teatro, precisávamos de uma caveira, pois um dos meninos imitava o “Bento Carneiro” e o professor Ari (Física) nos emprestou a que usava no consultório. Passamos um apuro danado para devolvê-la, pois os pestinhas começaram a jogar a caveira e seus dentes (que eram só encaixados) caíram. Logicamente, não foram encontrados todos. Com o pessoal do noturno, num dos ensaios, estávamos trabalhando com mímica e dois meninos fingiam jogar ping-pong com um chaveiro que fazia barulho igual ao da bolinha batendo na mesa. E a gente acompanhando com os olhos. O senhor Renato (diretor da época) chegou e ficou olhando, sem entender muito bem o que estava acontecendo. Um dos meninos fez que deixou a bola cair e foram procurá-la... E o senhor Renato foi ajudar, achando que havia bolinha mesmo. O riso foi geral, ele ficou todo sem graça, mas acabou rindo com a gente, por que foi muito engraçada a cena. Em outra apresentação, roubaram meu sapato e tive de ir embora descalça. Por falar em sapato, o professor Euclides era perito em esconder meus sapatos atrás do quadro de avisos da sala dos professores. Zezé Oliveira

 

            Eu sou a Thelma. Estive no Culto a Ciência de 65 a 70. Quero contar que numa prova de História, do professor Pedrinho, escrevi uma cola a lápis na carteira. Conforme ele passou pela sala durante a prova, as palavras se destacaram, por causa do reflexo da luz do sol. Adivinhe. Tirei zero! Não comparecerei à festa, pois estarei fora do Brasil. Estou morrendo de inveja! Um beijo a todos. Thelma

 

                Eu já não me lembro do nome da professora de Português. Mas foi em 1967. Havia acabado de passar pelo dificílimo exame de admissão e entrei na turma B. A minha grande amiga Maria Olívia de Lorena era terrível... Quando a professora de Português foi recolher as cadernetas, como de praxe, nós colocamos um sapo seco dentro de uma delas... A professora quase teve uma síncope, pulou para trás e começou a babar (o que lhe era costumeiro...). E a classe toda era só gargalhadas! Bons tempos... Débora Patlajan e hoje Débora Patlajan Marcolin

 

            Porque os jovens da década de 50 e 60 eram tão contestadores? Sofremos na carne os efeitos das transformações sociais oriundas da insegurança que tomou conta da humanidade após a II Guerra. No Brasil, estávamos sob a ditadura Vargas com todos os seus problemas. Em 1945, com a queda de Vargas e com o governo de Dutra, vimos o nosso cruzeiro se desvalorizar assustadoramente e com o suicídio de Getúlio, a ocorrência de novos problemas ou talvez passássemos a ter consciência de que eles existiam. Os jovens europeus, com a guerra fria, não sabiam qual seria o seu amanhã ou se teriam um futuro. Por isso, queriam viver o presente plenamente, sem limites. Tudo isto fazia a nossa cabeça. E nós, jovens, naquela época, importamos os seus ideais de liberdade. Por isso, não aceitávamos, em um clima como o nosso, a imposição do paletó e da gravata e também de não podermos partilhar do mesmo recreio com as nossa futuras namoradas e esposas, como foi o meu caso e de muitos outros colegas. Para exemplificar a nossa contestação, houve um dia em que entramos no colégio com os paletós vestidos as avessas e com gravatas feitas com papel higiênico. A turma era “brava”, vocês se lembram: José da Costa Neves, Júlio Cardelli, Sandoval Novaes, Flávio Augusto de Ulhoa Cintra, os Irmãos Carvalho e Silva, Ademar Strachmann, José Alfredo dos Reis Neto e muitos outros que infelizmente já não convivem conosco. Bicudo

 

            Pedro Biasiolo, ou seo Pedrinho, era o primeiro professor de História da maior parte dos calouros do ginásio. A maioria deve lembrar-se das chamadas orais: o sujeito tinha que descrever (segundo o mestre, com suas próprias palavras) o ponto ou o tema da aula anterior, quando o seu número era chamado. Dois ou três infelizes eram contemplados a cada aula. O pavor fazia com que vários decorassem vírgula por vírgula, ponto por ponto, cada frase da lição impressa no livro do Borges Hermida, adotado na época. Porém, a impressão causada pelo mestre era bem alterada quatro anos mais tarde, quando os mesmos estudantes eram alunos do mesmo professor no curso colegial. Mais maduros e vividos, tinham uma visão mais crítica de tudo. Ficou famosa uma aula em que um aluno, um artista em termos de imitar as pessoas, ao ser chamado para falar seu ponto, reproduziu fielmente a aula anterior nas palavras e incluiu, para diversão de todos os que assistiram à cena, a maneira de andar e falar do mestre. Heloísa P. B. Pimentel – turma de 72-78  

            Alguém pode confirmar uma história que ouvi de um companheiro, que o tal de Faustão, da TV Globo, estudou no Culto? Pela idade dele, que regula mais ou menos comigo, deve ter estado lá entre 1960 a 1970. Dizem até que tocou na fanfarra, não sei de que ano. Outro cara que não é famoso hoje, mas era muito na época, era o Saponari. Convivi muito com ele, morava perto da casa dele. Um dos alunos mais rebeldes e campeão de suspensões. Dizem que ele ficou mais de dez anos no Culto, até ser jubilado. Repetiu todos os anos. Nunca mais soube dele. Por último, eu tenho certeza de ter sido colega de classe da Regina Duarte, mas no Instituto de Educação Carlos Gomes, entre 1954 a 1958. Dizem que ela estudou no Culto também. Grato para quem der dicas a respeito. (N.A.- confirmados, os dois realmente estudaram mas a Regina por muito pouco tempo) . Carlos Francisco Paula Neto

 

                Me lembro de uma passagem que ficou bastante marcada em minha memória, mas não me recordo do nome do autor da proeza. Aula de Desenho com o professor Mário (boca mole). De repente, a classe se assusta com um tremendo estrondo vindo de uma das gavetas da mesa do professor. Era mais uma das muitas bombas-relógio (bombinhas acopladas com cigarro aceso) que quebravam um pouco o silêncio durante as aulas. O professor, muito irritado, deu à classe dois minutos para que o autor se pronunciasse ou a classe inteira seria suspensa. Neste meio tempo, os colegas do fundão pressionavam o autor, com palavras como: “Vai fulano, se entrega, antes você do que toda a classe; seja homem agora; não vá prejudicar seus colegas.”. Até que, finalmente, nosso personagem, tomando um fôlego extra, levantou a mão e disse com a maior cara de pau: “Professor, apesar de saber quem foi, não sou dedo-duro como muitos desta classe para contar-lhe, mas sou corajoso o suficiente para ser suspenso sozinho no lugar da classe. O riso foi geral, mas o professor acabou elogiando a atitude do sem- vergonha, mandou-o sentar e ainda citou como exemplo sua atitude para o resto da classe. E continuou com a sua aula. José Carlos Camargo Antunes - turma de 69-75

 

            Brasília, 20 de Novembro de 1998: Aos colegas do Culto à Ciência. Lamentando não poder comparecer a esse memorável congraçamento dos ex-alunos do Colégio Estadual Culto à Ciência, onde tive a honra de completar meu curso colegial (Clássico) e que me possibilitou ingressar na universidade, sem cursinho, aproveito a ida do nosso colega Serra, mais precisamente o general Gilberto Serra a Campinas, para enviar-lhes esta mensagem de imorredouras lembranças do nosso Culto à Ciência, dos colegas contemporâneos: Geraldo Sampaio, Zaratini, Cid Marques, Abdala, Afonso Celso, Bruxinha e outros, além dos professores Sampaio, Pimentel, Dulce, Mercedes, Moacir, Aníbal (diretor), além do velho bedel seo Braga. Com efeito, esses bons tempos na minha cidade natal de Campinas, infelizmente, “não voltam mais”. Que pena! Muitos sóis são passados. Abraços, muitos abraços. Reinaldo Silva Coelho --  turma do curso Clássico de 1959

 

            Em 1976, a famosa caveira (ou esqueleto) da sala 16 foi substituída por um modelo em plástico. Como não se tratasse mais dos restos de um ser humano, aumentaram as brincadeiras com o que deveria ser material de amostra de aula. Naquele ano, começou a circular pela cidade (e região) o boato de uma história do fantasma de uma moça loura, que fazia aparições nos banheiros das escolas, e que, tendo a boca cheia de algodão, pedia a quem a encontrasse que tirasse este material da sua boca. Se esta história impressionava as crianças, divertia os mais velhos e céticos e, apesar do Culto à Ciência ter apenas alunos de 2º grau, algumas pessoas ainda ficavam ressabiadas em ir ao banheiro sozinhas. Também naquela época, havia um comercial na televisão sobre uma lâmina de barbear (platinum plus), feita por uma moça loura. Foi aí que alguém -- ou alguns -- teve a idéia de por uma peruca de papel amarelo no esqueleto, encher o maxilar de algodão (este osso era preso com uma mola flexível, e sendo um modelo sintético, esta caveira tinha todos os dentes) e colocar uma faixa (como de miss), com os dizeres: “Sou a loura do platinum plus”. Heloísa P. B. Pimentel – turma de 72-78  

 

            Isto foi dentro do ano de 1961. Descíamos a “longa” rua 13 de maio vindo do Culto à Ciência, por volta de 12h30. Para variar, o bonde estava repleto de alunos e mais alunos... Gente nos estribos, além, lógico, das alunas que vinham confortavelmente sentadas e muitos pendurados no estribo traseiro. Não sabemos até hoje quem teve a maravilhosa idéia: sacou uma lâmina de barbear (a famosa Gillete), pois naquela época quase ninguém tinha estilete (nem sei se existia) e começou a cortar todas as franjas dos toldos das lojas, conforme o bonde descia. E era uma maravilha ver as ditas franjas caindo uma a uma, até que, quando chegamos quase à esquina com a Avenida Francisco Glicério, um guarda civil parou nosso veículo. Recolheu todas as carteiras de estudantes dos alunos que estavam no estribo do lado direito. Não precisa nem contar o fim da história. Diretoria para todos, que além da suspensão imposta por “Popof”, ainda tivemos de pagar os toldos danificados... José Roberto Xidieh Piantoni –- turma de 66

 

            Lembranças a todos aqueles mestres que levaram a fundo e a sério a profissão de educador. De vocês e do Culto à Ciência só me lembro do positivo. Bom.. tem também a prova surpresa... a repetência ... a saudação à bandeira às sete da matina... as guerras de ovos... o pastel do bar... Abraços saudosos! Walter Teixeira Morales Aloha, Oregon USA

 

            Queridos amigos do Culto à Ciência: acabo de voltar a São Paulo, onde moro há 25 anos, com todas as imagens desta inesquecível e grandiosa festa. É realmente um privilégio pertencer a esta comunidade do Culto à Ciência e ter participado de um evento tão querido e que, tenho certeza, mexeu com todos os que lá estiveram. Duvido que outra escola tenha ousado oferecer um acontecimento desta grandeza! Foi como um filme voltando há 26 anos, resgatando emoções de uma época tão boa! Rever os professores, os amigos queridos deste tempo... Do professor Pedro, de História; da professora Mariinha; do coral; da professora Cleusa, do violão; dos professores Auzenda e Amaury Frattini (Ah! Matemática passada e repassada a limpo.); professor Stucchi; professora Eclair; professora Quinita... Foi tão gratificante revê-los! Reviver histórias, casos e coisas com vocês, amigos queridos. Cecília (Você não mudou nada, a mesma serelepe!); Jane (Tá do mesmo jeitinho); Cecconi (Bom mesmo te ver!); Farah; Lupinacci; Ângela (igualzinha); Sônia Biasolo; Cheda; Morey; Fátima Veiga; Helena; Verinha (Que bom você ter me achado e avisado!); Paulo Regina; Chaguinha... Foi sensacional, maravilhoso, inesquecível. Só isto vale a pena realmente em nossas vidas: amizade! Sônia Emiko Ito

 

            Primeiro, parabéns à organização. Vocês foram 10! Segundo, a idéia do ano 2000 é boa! Terceiro, foi como um dia no paraíso, revendo quem gostei e gosto pra caramba. Para todos vocês com quem mantive contato, um novo puta beijo estalado! Um abraço do Nando Cavalcanti

 

            Depois da festa soberba, sobraram poucas palavras para um ex- aluno do Culto a Ciência. As que restaram, com certeza, devem ser dirigidas à equipe de organização. Tojal, Carlinhos Pinto, e outros mais jovens, que eu não conhecia e ajudaram na festa. O meu muito obrigado. Rever Silveira, Frutuoso, Topan, Antônio Carlos, Lina Rosa, Acácio, Peter,  Malavazzi, professor Stucchi, Walter Sassaki, Sérvulo, Miquelino com uma foto minha de 19... e tantos outros. Foi muito bom. O curioso é que a maioria ainda mora em Campinas e a gente não se vê, nesta cidade gigantesca. Rogo que esta página seja mantida para mantermos acesa esta chama eterna chamada Culto a Ciência. Miguel Nucci (eu estive lá).

 

            Parabéns à toda comissão que, como em 95, fez o impossível acontecer. Agora estava melhor ainda. Em 2000, vamos reunir outra vez. Afinal, somos uma grande família que muito se gosta. Como disse meu querido amigo José Antônio Coluccini Francisco, nós naõ precisamos ficar nos paparicando toda hora, para sermos amigos, mas basta alguém da turma precisar, mostramos nossa união na hora. Isso é o que conta e é isso que nos mantém cada vez mais unidos em torno de um nome que já é legendário “Culto à Ciência”. Paulo Bardauil Alcântara – turma de 70

 

            Infelizmente, não compareci à festa, mas estou me deliciando com os causos. Lembrei-me de um que me envolve, pagando o maior “mico”. Sobrinha do professor Stucchi, irmã de Renato Stucchi..., saí uma negação em esportes. Lembro-me de que estava no ginásio, talvez 6ª série (1973), e estávamos disputando um campeonato interno de basquete. A Cristiana Lech e a Silvinha faziam parte do meu time. Meu tio assistia ao jogo. Puts! Que responsa! De repente, peguei a bola a saí enlouquecida com ela, driblei algumas adversárias e só quando eu estava quase arremessando, escutei minhas companheiras completamente desesperadas, me gritando a plenos pulmões que nós atacávamos na cesta do outro lado... Encerrei minha carreira. Muitos beijos a todos e saudades. Rosana S. B. Stucchi  

 

            Dona Amália tinha um livro de Ciências que, lá no fim, tinha noções de educação sexual. Era a 3ª serie ginasial e um colega pergunta se aquela matéria seria dada naquela ano. Ela enrola, enrola e, finalmente, responde: “Está no programa, porém, vai depender de vocês e da maturidade da classe.”. Continua a aula e ela vai ensinado o aparelho auditivo. Lá pelas tantas, ela descreve o ouvido humano e cita a fosseta auricular. Pronto! Terminou ali qualquer chance da turma ter educação sexual como matéria de Ciências da saudosa dona Amália. Paulo Renato F.Franco – turma de 67-70

 

            Agradeço à comissão organizadora, ao Moacyr Castro, a todos os colegas e alunos do Culto à Ciência pelo carinho que demonstraram e transmito as lembranças de Fani, Neide, Lílian e Sônia Rubinsky, minhas filhas, que mandaram mensagens de Israel e Nova York e, com muita tristeza, não puderam comparecer. Foi algo mágico que aconteceu naquela festa. Zilda Kaplan Rubinsky e Ismael Rubinsky

 

           Dona Mercedes era uma graça. Desligada, que só ela. Tão desligada... Um aluno (perdi o nome dele) me contou que chegou junto com ela à porta da sala 2. O jovem, todo gentil diante da dama e mestra, deixou que ela entrasse à sua frente na classe. Ela agradeceu a delicadeza e disparou: “O senhor não pode assistir à minha aula, porque nenhum aluno pode entrar em classe depois do professor...”. Gancho: um dia. Nessa, o ranheta doutor Euclides Pinto da Rocha exagerou na autoridade. Moacyr Castro — turma de 67.

 

            Caros colegas, eu fiz aniversário no dia 21, mesmo dia da nossa festa de 125 anos. Acho que acabei recebendo um presente de vocês. Foi incrível, emocionante, comovente, divertido, enfim... um espetáculo! Parabéns a todos, a organização estava perfeita, nota 10 (do Culto a Ciência). Não tenho mais palavras para descrever o evento. Se pudéssemos ter um desses todo ano, seria maravilhoso. Quanta gente, velhos colegas, os professores queridos. A gente quase não se continha ao abraçá-los e conversar um pouco. Os nossos mestres que tive a honra de rever e cumprimentar foram dona Auzenda, seo Amaury, Stucchi, Toninho, Pedrinho, dona Eclayr, dona Mariinha, dona Celina Duarte, seo Basílio, Maria de Lourdes, Ancila e dona Zilda -- esta, após uma busca incessante pelo ginásio. Por pouco não a vejo. Acho que vocês quase arrebentaram nossos corações! Carlos Francisco de Paula Neto

 

            A festa foi contagiante! Víamos emoção em cada olhar, em cada reencontro. Procurávamos com avidez nossos colegas de turma. Encontramos a Bia, a Ivete, o Tico e o Teco... E continuávamos procurando... No caminho, saudades do Carlão, que nos obrigava a ler a Veja. Arghh! Estou lendo a Veja até hoje! Pena que alguns não compareceram. Talvez seja muito cedo para sentirmos saudades. Daqui a vinte anos, tenho certeza, encontraremos a turma toda. Nos encontraremos no futuro! Ana Paula Delbue

 

            O Culto à Ciência era tão bom, tão gostoso, que um dia, e a gente estava terminando o Científico (3º colegial de hoje), o Bicalo (José Luís), o Zink (Eduardo) e eu fomos à Secretaria para saber se a gente podia se inscrever no 'Clássico', para poder continuar estudando lá... É claro que não podia (risos). Edivaldo Orsi, ex-prefeito

 

            Eu não vou dizer aqui o nome desses dois “cultoacientes”, porque eles talvez eles não gostem. Um deles, aliás, eu tenho certeza de que não gostaria, mesmo estando morando há anos fora do Brasil. O primeiro estava com uma hepatite brava. E com hepatite, naquela época, as pessoas ficavam dois meses em repouso. Lembram-se disso? O segundo, lá por setembro, já sabia que ia levar pau. Não tinha mais jeito. E o medo do pai? Fazer o quê? Teve uma idéia brilhante: pegar hepatite. Eu, muito amigo do primeiro, cheguei um dia em sua casa exatamente no momento em que os dois estavam fazendo uma “transfusão de sangue”: haviam cortado cada um a ponta do dedo indicador e estavam esfregando um dedo no outro. O segundo levou mesmo pau e não sei o que o pai dele fez. Só sei que não conseguiu pegar a hepatite. Guilherme Nucci

 

            Dona Mirtes dava aula chamando, de vez em quando, um aluno para ir à lousa. E ela sempre dizia assim: “Vá à lousa, por ixemplo, fulano de tal”. Ela sempre tinha um lápis na mão e, não sei se por tática ou por jeito dela mesmo, quando ia escolher alguém, corria os olhos por todos da sala. De repente, baixava a cabeça, dava uma batidinha com o lápis na carteira de quem estava exatamente abaixo dela e dizia: “O senhor aqui.”. Em resumo: depois de pouco tempo, tática descoberta, nosso medo não era que ela olhasse para a gente na hora da escolha, mas que ela não passasse perto da gente e, muito menos parasse por ali, porque era uma “lapada” na certa... Guilherme Nucci

 

   Onze anos de idade, de paletó e gravata (é por isso que a gravata, tão abominada por tantos, a mim não faz a menor diferença), lendo todos os clássicos das literaturas brasileira e portuguesa. Os portões eram acorrentados depois de dado o sinal e só eram abertos na hora da saída. Certo dia, inventei de ir embora antes da hora, não sei por quê. Não deve ter sido por medo de alguma argüição ou prova pois, embora nunca tenha sido aluno brilhante, não deixava de estar em dia com essas coisas. Acho que foi uma daquelas vontades que até hoje temos de, de repente, fazer, como se diz em inglês, um day off. Pois bem, como conseguir a dispensa?  Tiana, a querida Tiana que trabalhava em casa, sofria de cólicas horríveis, chorava mesmo de dor e, para mim, nada podia ser pior que a cólica. E já imaginou cólica numa criança?! Pois foi esse o meu argumento: eu estava com cólicas. Fui falar com a orientadora educacional, Dª Celina Duarte Martinho, e me lembro como se fosse hoje: quando lhe disse o motivo pelo qual queria ir embora, ela se pôs a rir incessantemente, não aquela gargalhada sonora, porque isso não se adequava à rigidez do colégio nem à sua postura ali, mas aquela risada silenciosa, contida, que faz balançar o corpo.  Pois Dª Celina chamou a outra Celina, inspetora de alunos, pediu-lhe a minha caderneta, assinou nela a dispensa e fui-me embora.  Pouco tempo depois, quando vim a saber o que eram as cólicas, ao mesmo tempo em que me diverti com a coisa, fiquei intrigado: como, com aquela rigidez toda, Dª Celina me havia dispensado? Mas a resposta me veio fácil: a minha ingenuidade afagou-lhe o coração muito mais do que a minha mentira lhe agrediu a razão.  Um beijo, Dª Celina!  Guilherme Nucci

       O professor Lívio não conseguia dar aula sem ter nas mãos, o tempo todo, o seu compasso de giz (sem o giz). Era um apoio, um cacoete, sei lá, mas era isso. Ele falava batendo com o compasso na coxa, alcançava o sapato com o compasso aberto, gesticulava com aquilo como um maestro com sua batuta e ele abria o compasso com uma mão só, exatamente igual a um pescador quando faz aquele movimento com a vara para arremessar a linha. Vupt! E o compasso se abria. Aquele compasso era o seu amigo inseparável. Nossa sala, no 1º CtB, era a primeira à direita, logo entrando no prédio principal. Tinha daquelas portas duplas, que primeiro se fecha uma das abas, com aquele trinquinho em cima, que se empurra e depois dobra pro lado. Aquela aba de trinquinhos ficava sempre fechada, mas, um dia, seo Lívio chegou para a aula e ela estava aberta. Ele não deu importância e fechou a outra parte da porta, sem travar a primeira. Só que havia um ventinho que fazia aquela porta ficar balançando, até se abrindo um pouco. Ele resolveu fechá-la. Vocês se lembram da altura da porta? Pois é, como ele não alcançava o trinquinho para empurrar, viva!, o compasso também serviria para aquilo. Abriu o compasso, encostou aquela ponta que tinha o furo para se colocar o giz (uma ponta com quatro cortes laterais para a adaptação do giz) e forçou o trinquinho. O trinquinho não saiu do lugar, mas a ponta do compasso se abriu em quatro pedaços, exatamente como uma flor desabrochada de quatro pétalas. Guilherme Nucci

 

            Eu sou Fany Rubinsky, da turma de 68. Foi com muita emoção que li (e reli) uma a uma as recordações dos ex-alunos do Culto a Ciência. Morando em Israel há mais de 20 anos, numa realidade tão distinta, pude reviver aquela época que tanto marcou a minha vida e reencontrar-me naquelas recordações. De Jerusalém, mando um abraço saudoso aos meus ex-colegas e professores. Fany Rubinsky Natanian

 

             Saudações: o Culto à Ciência sempre primou pela qualidade de ensino e pela ampla formação de seus alunos, propiciando desenvolvimento eficaz da inteligência e a maturação bio-psico-social. Muitos egressos são citados como expoentes em algumas atividades, mas estas citações restringem-se aos meios políticos e de comunicação, restando a um segundo plano a maioria desses egressos. Tal qual uma epidemia incontrolável, a perspectiva da festa trouxe à baila as melhores e mais variadas lembranças. O ser humano, a par de sua objetividade em relação ao futuro, vive muito em função das lembranças, que marcaram, de forma indelével, suas vidas. A título de sugestão, que tal se aproveitássemos esta febre, e partíssemos para o novo tema “quem é quem nos dias de hoje”, onde, aproveitando a própria Internet, poder-se-ia elencar ou abrir para consulta, o rol de alunos por ano de conclusão, e, a partir daí, os mesmos, passariam a comunicar o que são e o que fazem na atualidade. Quem sabe se, no ensino, nos hospitais, na atividade pública etc., não estamos nos relacionando com filhos de ex-colegas, ou netos, sei lá? Uma curiosidade como causo: o Chico Sampaio (filho do mestre) soltou, em plena aula, o tampo da carteira... Barulho infernal, e, como era de se prever, suspensão, aplicada pelo professor Telêmaco. Constando na caderneta: “Suspenso por bater carteira.”. O Vieira, da mesma turma, saltou o portão para retornar ao colégio, após matar aula. O professor Telêmaco estampou na caderneta: “Suspenso por passar por um portão fechado.”. Um grande abraço. Émerson C. Lanaro

 

            Parabeniza a Comissão Organizadora pela excelente festa de confraternização. Me senti em casa durante as quase 11 horas que participei do evento, nem me importando de ficar praticamente todo este tempo em pé, conversando com os meus amigos, colegas, ex-professores, parentes e muitos, muitos conhecidos. Praticamente de todos os setores da sociedade de nossa cidade encontrei pessoas que eu nem imaginava que tinham estudado no meu/nosso Cultão. Citando alguns exemplos: no meu trabalho, pelo menos sete pessoas que eu não sabia que haviam estudado em turmas anteriores; o médico de meus filhos; a síndica de meu condomínio; a esposa de um colega de trabalho; a futura professora de minhas filhas; colegas do curso pré- vestibular e muitos outros. Em especial, gostaria de citar os colegas de Turma 72-78 que encontrei: Marcio Bueno, Emmanuel, Heloisa Pimentel, Osmar Grigol, Menotti, Isabela Abreu, Ana Cristina, Aída Almeida, Zé Alípio, Renata, Manoel Henrique, Tosello, Dante, Raquel Macul, Gil Guerra, Elizete Fuzzel, Paulo Caruzo e muitos mais. Puxa vida! Desculpem-me pela lista, mas foi demais... Marco Antonio Duarte Novo

 

            Porém já cinco sóis eram passados que da festa partíramos, cantando feitos nunca dantes celebrados, alegremente relembrando casos que jamais foram por nós olvidados. Quando u'a idéia que as trevas ilumina as ondas da Internet reanima. Ó Potestade, disse, sublimada, Moacyr Castro e outros iluminados: Vamos perpetuar em livro as alegrias e os casos e os risos e as lágrimas do Culto, dos colegas e professores que seja estímulo à posteridade. Não acabava, quando escritores e poetas, cronistas e contadores de histórias começam a sonhar e começam a escrever. Zilda Kaplan Rubinsky

 

            Tecnicamente, sou da turma de 75, embora não tenha cursado os últimos três anos por ter viajado para Israel. Os Rubinsky eram presença maciça no colégio. Hoje, moro em Nova York; três irmãs - Fany, Neide e Lilian - morando em Israel; minha mãe - Zilda Kaplan Rubinsky e irmão - Ismael Rubinsky morando em Campinas. Samuel Rubinsky, meu pai, falecido em 94, sempre presente em nossos pensamentos, e, tenho certeza, no pensamento das pessoas que o conheceram. Eu me lembro de acompanhá-lo às aulas de Física que ele dava no noturno. Eu adorava acompanhá-lo. Para uma menina de oito anos, o respeito e silêncio que meu pai exigia nas aulas era um sinal máximo de competência e capacidade. Suas provas eram conhecidamente muito difíceis! Mais do que tudo ele ensinava a pensar. Minha mãe - Zilda Rubinsky - foi professora de Latim/Português durante vários anos no Culto à Ciência. Coitadas das minhas irmãs Fany e Neide quando foram suas alunas. Sofreram mais do que todo mundo... (Minha mãe tinha receio de ser favoritista com relação a suas filhas). Lembro-me daquelas cadernetas compridas que minha mãe tirava da bolsa, corrigindo provas e fazendo continhas de cada sabatina ou chamada, para tentar melhorar a média de alunos... Ela era temida, mas amada por seus alunos. Lembro-me dos trotes por telefone em casa, das brigas com o Telêmaco, e da luta por manter o colégio autônomo. Acompanhei de Nova York a festa do Colégio e morri de tristeza não ter podido estar presente. Sônia Rubinsky

 

            Quero parabenizar a competente comissão organizadora da festa do Culto à Ciência. Vocês fizeram um excelente trabalho e a festa foi um enorme sucesso. Foi emocionante encontrar colegas e professores dos meus tempos de ginásio (1972-1975). A festa também serviu para que eu ficasse sabendo que diversos colegas meus de Unicamp foram ex-alunos do Cultão. Atualmente como professor da Unicamp, eu gostaria de me colocar à disposição para ajudar o Culto à Ciência a melhorar as suas condições. Jansle Vieira Rocha -- turma ginásio de 1972-1975

 

            Um colega meu, que não era da minha turma, contou-me durante a festa um caso interessante ocorrido com ele, e que agora envio, com sua licença. Contou-me que, quando freqüentava aulas na sala 4, que, se não me engano, tinha uma porta nos fundos, que dava para o pátio, estavam aguardando a chegada da dona Ancilla. Com a demora da professora, o fulano resolveu sair de fininho, pela porta dos fundos. E lá foi ele, andando agachado por entre as carteiras, para atingir a tal porta. Nisto, entra dona Ancilla pela porta principal, e consegue vê-lo saindo, agachado. Chama-o pelo nome, quase gritando, e diz: “Aí, hein rapaz, tentando fugir de minha aula!”. Ao que ele, levantando-se rapidamente, exibindo uma das mãos fechadas, exclama: Achei! Achei, professora, a minha borracha que tinha sumido! Carlos Francisco de Paula Neto

 

            Quantas recordações de repente voltando, como se vindas de vidas passadas! Vivendo em Israel há quase 27 anos, não voltei a visitar o colégio, apesar de há dois anos ter estado na festa da Fonte, onde revi varios amigos, colegas e professores. Através das sempre lindas, as vezes engraçadíssimas, as vezes dolorosas recordações aqui descritas, relembro-me, então, do Alberto Krum; do campo de futebol; do pátio das meninas e dos meninos; da sala da dona Maria Bonjour; seo Hilton e sua heráldica; da sala de Ciências, com sua caveira e as experiências com os tubos de ensaio e a dissecação do sapos; seo Pedrinho (gelo até hoje relembrando as chamadas); dona Lícia; Mrs. Fobe (a quem devo todo o meu Inglês); dona Zilda, minha querida mãe (“Que ano difícil aquele de ter a mãe como professora de Portugues); seo Amaury; doa Auzenda; seo Samuel, meu falecido pai, professor do colégio no período noturno; dona Mariinha; dona Gladys, exercitando o canto sem microfone, com sua poderosa voz, nos corredores. Foram anos mágicos que este site me fez recordar como um dos mais belos períodos de minha vida até aqui. Gente da minha turma: Verinha, Clarice, Carola, Sada, Sarita, Cidinha, Fu (Fernando Urbano), Plínio, Pascoal, Chiarini, Tilli. Onde estão vocês? E o falecido Genésio, tão querido. Um grande beijo a todos e um especial para a senhora, mãe. Neide Rubinsky -- turma de 63-69

 

            Era aula de Tojal. Campeonato correndo: 2ª D X 2ª B. Ano de copa, da copa de 70. Eu não era bom na linha, porém defendia bravamente o gol de minha 2ª B. Jogo disputado, violento. Do outro lado, o Alemão já havia feito dois gols em mim, sendo que em ambos as redes foram furadas pelas pancadas. Reagimos. Wanderlã (meio time) empatou o jogo e eu passei a fazer algumas defesas muito estranhas (garantindo o resultado e quase luxando meu braço). O incrível aconteceu quase em série: Alemão dividiu uma bola e caiu feio; braço quebrado. Correria e o professor Bento correu para socorrer. Reiniciado o jogo, cinco minutos após, é Wanderlã que cai: nova fratura. Mossa corre feito doido e socorre. Reiniciado o jogo. Dez de cada lado. Mais cinco minutos, outra disputa feia e novo braço quebrado. Não consigo me lembrar quem foi a vítima, mas sei que Tojal interrompeu o jogo. Nenhum do dois times chegou às finais. Importante partida para mim, porque depois dela, criei coragem e joguei em alguns times amadores e nas seleções de minhas faculdades. Fatos como este trazem os companheiros queridos bem próximos, desde os incríveis desportistas aos geniais intelectos. Fernandinho Vicente, Arual, Pinus, Ary, Dudi, Afrânio Tomatinho, Baiano, Palminha, Yale (o irmão de sangue), Téio Marquezini, Labiga, Barbin, Claudinho Borges. São os flashs que me surgem agora. Agradeço a todos os mestres, mas principalmente a alguns especiais que conseguiram desenvolver em cada um de nós o espírito crítico, valores morais e humanos que nos acompanharão sempre, tais como Ernestinho, Chico Biojonne, Tojal, Mário, Fratini e, por que não, o Popof. Talvez os fatos relatados não ocorreram bem assim, mas o que importa é que em nossas mentes de homens-meninos sempre ficarão a lembrança e a emoção de ter participado desta grande história que é nosso amado Culto à Ciência. Fábio Rafael Lucci DeAngelo – turma 69-72  

    

            Entrei no Culto à Ciência em 1964, tendo feito o ginásio e permanecido até 1967, quando fuii para o Colégio Naval (Marinha do Brasil). Prestei o concurso de admissão no final de 1963 e cursei na 1ª. A (1964), 2ª. A (1965), 3ª. A (1966) e 4ª. B (1967). Lembro-me bem dos professores Calazans (Ciências), Stucchi (Educação Física), esqueci os nomes mas os rostos dos professores de História, Geografia (Helena? Era uma morena bonita...), Canto Orfeônico, Desenho, Matemática (fomos a primeira turma da Matemática moderna), Inglês, Francês e Português. A base adquirida até hoje me surpreende. Como o ensino era bom naquele tempo! Mas as melhores lembranças são dos colegas, reconheci o Ramasco e o Mangabeira na lista de nomes, fomos da mesma sala, acho que no primeiro ano. Havia muitos outros, as meninas que nos deixavam apavorados e nervosos (coisas da idade...) tais como a Maria Cecília Figueiredo, a Regina Ubinha, a Sumie, a Lígia, a Carolina Lattes (filha do César Lattes, cientista, cursou a 4ª. B em 67). Dos garotos, lembro-me bem do nunca ultrapassado nas notas, o Bedin, que terminou o ginásio com uma média assombrosa; Luis Carlos Figueiredo, muito estudioso e com uma caligrafia que tentei imitar mas nunca consegui; Renato Soares, pianista de mão cheia; os gêmeos iguaizinhos no primeiro ano; enfim, eram tantos e os anos são implacáveis. Vou dar uma busca aqui em casa, pois ainda tenho as cadernetas dos dois últimos anos com várias assinaturas, ainda vou me lembrar dos nomes. Hoje resido no Rio de Janeiro, sou casado e tenho duas filhas. Ao sair do Culto à Ciência, entrei para a Marinha (Colégio Naval) onde fiz o curso para Oficial, fiz carreira e me tornei Aviador Naval, pilotando helicópteros. Hoje estou na reserva como Capitão de Mar e Guerra e trabalho com helicópteros na Amazônia, num lugar chamado Porto Urucu, mais ou menos 170 km a sudoeste de Tefé (AM). Um grande abraço para todos! Marcos Bonin Villela

 

            Olá pessoal, pela terceira vez estou aqui, agora, para falar a vocês um fato que vemos aqui no Canadá e que é muito comum na América do Norte. Esse fato tem a ver com voluntariado. Na nossa cultura isso é muito pouco difundido, mas aqui não existiriam as facilidades que aqui existem, não fosse o trabalho voluntário. Nós, os brasileiros, pela facilidade que tínhamos de mão-de-obra barata e outros fatores, nunca desenvolvemos esse lado que aqui é tão fundamental. Minha esposa tem freqüentado a reunião dos pais na escola em que nossa filhas estudam, e ficou abismada pelo compromisso que muitos têm para com a escola de seus filhos. São usados voluntários nas festas, nas campanhas para levantarem dinheiro (que não é pouco), e em tudo que a escola faz, até caronas para levar as crianças em algum lugar, há voluntários. Então é uma coisa para refletirmos. Meu objetivo não é que copiemos os modelos norte-americanos, mas que usemos sua experiência em fazer as coisas acontecerem. Se não colocarmos as mangas de fora e nos voluntariarmos, não vai acontecer nada no Culto a Ciência, em Campinas, em São Paulo nem no Brasil. Um abraço. Paulo Cesar Meningroni.

 

            Numa prova de Francês, em 1967, a professora Marie Bonjour pediu o feminino de várias palavras, entre elas a palavra coq. Uma das meninas da primeira fila colocou “coquette” e o resto do pessoal que se sentava atrás tascou a mesma resposta... Resultado: zero na questão e uma boa gargalhada da inesquecível Marie Bonjour... Marcos B. Villela – turma de 64-67

 

            Refletindo um pouco nestas visitas cibernéticas, faço-me quase sempre uma pergunta: o que aconteceu naquela escola, durante todos aqueles anos, capaz de provocar tamanha mobilização, esforço de pessoas normalmente ocupadas, e que mexeu com mais de duas mil pessoas, convergindo-as para aquele evento impressionante, como se tivessem sido atraídas magneticamente ou por outro meio não físico? O que explica aquela reunião, cujo único ponto em comum entre as pessoas que lá estavam era simplesmente terem freqüentado a mesma escola, e em épocas por vezes diferentes? Algo de diferente, muito acima de meras divagações, pôde causar tamanha movimentação. Minha esposa, que não foi aluna do Culto, mas freqüentou várias escolas em Campinas, foi comigo à festa. Dias depois, ela ainda se preocupava: o que havia nesta escola, o que acontecia, para poder ter causado este fato? Avaliando-se bem, eu ainda não ouvi nem presenciei nenhum caso semelhante. Comentando o fato com colegas de trabalho em São Paulo, que freqüentaram várias escolas, sempre havia uma reação interessante, pessoas que achavam estranho como isso podia ocorrer. O que tem ou teve de mais em se estudar numa escola? Eu acho que não se tratava de uma escola. Era um templo, um oráculo. Houve, talvez por coincidência, uma conjunção de pessoas especiais, professores, alunos e funcionários. Estranho é que isto levou muito tempo. Diria que desde 1873, na fundação, até meados dos anos 70. Isto quer dizer 100 anos. É muito tempo para uma mera coincidência. Porém, nem um local como aquele sobreviveria à catástrofe do ensino público nesta terra. Este pessoal que ainda hoje se dedica com afinco à atividade de preservar sua velha escola, são como missionários, na saga incansável de preservar sua crença, sua religião, sua igreja. Nós, que contemplamos este trabalho de fora, sentindo-nos culpados por não estar ajudando, temos que alimentá-los com a nossa participação nos eventos e irradiando também a nossa vontade de imortalizar aquilo que modificou tão marcantemente a vida de tantas pessoas. Carlos Francisco de Paula Neto

 

Turismo no Culto -- Na  década de 70, Senac  e Culto á Ciência firmaram um acordo para formarem um curso de Técnicos em Turismo, pelo sistema de intercomplementaridade (parceria).  O  Culto ministraria matérias básicas da grade curricular e o Senac, as técnicas.  As aulas seriam duas vezes por semana no Culto e  três no Senac. Turminhas boas, as de Turismo. Não se conformavam  com as aulas tradicionais, expositivas. Discussões, aulas práticas, pesquisas eram sopa no mel. Havia colaboradores para as atividades, como o pai da Neti, que tinha empresa de ônibus, e fazia o transporte para a Singer. Quando  comprava um ônibus novo, zerinho, lá vinha o “paitrocínio”: a primeira viagem era sempre com os alunos do Turismo. O motorista era o gordinho Abacate, que acabou sendo nomeado  “aluno honorário”. E lá ia a turma: ônibus novo para São Paulo, Circuito das Águas, Parque Nacional do  Itatiaia  - uma semana de estudos -,  com direito às aulas de Geografia Turística, Técnica de Roteiros e Excursões,  Biogeografia,  História... Tudo no local, ao vivo e em cores! O acantonamento na casa grande do Parque era experiência nova para muitos, que nunca haviam saído da barra da saia das mães. O Cláudio Menegazzo (o ‘Mister M’ da turma, filho do mágico Menegazzo, que animava as festinhas de pequerruchos) fazia o orçamento esticar, aumentar, aparecer, como num abracadabra financeiro. Luizinho Trigo  rachava em  cima dos fatos geográficos, aproveitando a biblioteca da sua  mãe, professora de Geografia na Escola Hilton Fredericci, de Barão Geraldo. Luizinho, professor de Turismo na PUCCAMP, é um dos raros Doutores em Turismo no Brasil, na parte prática e na teórica. Também comandou curso no Senac, no Hotel-Escola em Águas de S. Pedro. Um belo dia, estudo em Salto e Itu. Quando o “paitrocínio“ do Sr. Sebastião era difícil, o Português, que era aluno, alugava a preço camarada o ônibus do conjunto musical, onde era crooner. Um Scania que, possivelmente, serviu de veículo triunfal para a chegada de Leif Erickson na volta da América, no século XI: só podia parar nas descidas, pois pegava no tranco. Rio Tietê, Salto, Célia Wonrath falando sobre o rio, a Brasiltal, as monções. Parque da Rocha Mountonée, a Ivone discorrendo sobre as glaciações. Museu Republicano, o Júnior, o artista plástico da turma, descrevia a arquitetura do  sobrado onde está  o Museu “Convenção de Itu”.Dentro, no hall de entrada, Junia Flavia explanava sobre os azulejos que formam murais históricos. A Fernanda, sobre Almeida Júnior. Cristina, sobre a Estrada de Ferro Ituana. Aguardando os alunos terminarem, a Cristina, simpática bibliotecária-arquivista  do museu, escutava os alunos falar sobre os vultos republicanos: Moraes Sales, Francisco Glicério,  Quintino Bocaiúva (nesta rua , em Campinas, morava o Gordo Serra, do Culto. Figura que merece outra história...), Bernardino de Campos. Os nomes e fatos discorriam com fluência. Terminado o introitum, esperava a presença dos monitores  do museu para o início da visita orientada. Mas a Cristina olhou para o dr. Jonas Soares de Souza e disse: “Professor Jonas, convoque os monitores: hoje, quem vai assistir explicação é o grupo do museu, e não os alunos visitantes...” E cada vez que os alunos do Culto chegavam ao museu, a monitoria era dispensada. A turma de Turismo encheu de orgulho os professores e deixou uma saudade imensa daqueles alunos que gostavam do que faziam...

 

        Para variar, como sempre, nos bons tempos do CULTÃO, estudávamos na turma da noite, e, sempre haviam os "espíritos de porco", sempre fui amigos de todos, mas não compartilhava certas brincadeiras, uma delas: as famigeradas "BOMBAS RELÓGIO" que o pessoal mais "animal" colocava nos banheiros de baixo. Em certa oportunidade, um grande amigo que tenho até hoje, um "tal" de Luchesi, preparou a malfadada "bombinha", e estávamos todos na cantina do "japonês" esperando-o, quando então lá surge o "bandido" todo sorridente aguardando o despertar do artefato. Porém, a "dita" não explodiu, e o espertalhão aqui resolveu por fim à brincadeira de mal gosto, indo até o banheiro, só que não fui o único a ter tal pensamento, outro colega, o "Boca", tomou a frente e lá se foi. Pronto, estava acabada a minha chance de tornar-me o " salvador do banheiro". Sorte minha, tão logo o "Boca" entrou no banheiro e a "bombinha de 1000" (assim conhecida pela potência) explodiu. Foi um corre corre danado, "William Punk", Marcão (Magoo), Paulo, Elizete, Carmem e outros, cada um para seu lado, quando eu, em "altíssima velocidade", em fuga, para não levar a fama, na escadaria, deparei-me frente a frente com ninguém menos que a "TERRÍVEL" Dna. Celeste (Profa. de matemática, aquela de lindos dentinhos de "Mônica" e que usava maravilhosos colares de bolas pretas, de odor um tanto quanto, digamos, difícil) (Meu DEUS !!!, onde será que ela anda, espero que esteja bem apesar de tudo que nos fez estudar, graças a ela, aprendi um pouquinho de....do que mesmo ela dava aula ??) ...brincadeira. De tal sorte, por ela fui encaminhado diretamente à presença da Diretora, que infelizmente, ou por sorte, não me lembro o nome, mas....... tomei um "sabão", pois me recusava a confessar a autoria do "atentado", e muito menos poderia "entregar" o colega ( o Boca).  Moral : tomei um belo gancho, e pra piorar, quando voltei, lá estavam todos (inclusive o BOCA) me aguardando na cantina, só que, desta vez sem "bombas", e para meu alivio, fui brindado com um banho de coca-cola pelo fato de não ter "aberto o bico" e entregado os colegas. Porém, depois disso e até o final de minha curta estada no CULTÃO não soube mais de tal ocorrência; acho que o pessoal sentiu tanto quanto eu que o peso da infantilidade, fora o perigo, só  traria prejuízos somente a nós mesmos e a imagem do CULTÃO. "   Zé Carlos 1979/1982

          Marcamos, certa ocasião, uma reunião para fazer um trabalho de equipe na casa do Ginefra, que morava num apartamento no Largo do Pará. Enquanto aguardávamos a chegada dos outros colegas sentados num banco da praça, passou uma menina muito bonita. O Ginefra mexeu. Ela, elegante, passou, nem nos olhou. Quando subimos, o choque: ela era amiga da irmã do Ginefra e estava na casa dele. Sabe onde nós enfiamos nossa cara? Não me lembro até hoje.
Antônio Celso (Arruda), o aluno mais engenhoso da escola, sentava-se a duas carteiras do Carlos Alberto Melges, filho do nosso lendário diretor, o doutor Telêmaco. Um dia, a aula de Português era com uma professora novata que, se bem me lembro, precisou mudar-se logo de Campinas. Em plena aula, para surpresa da classe, o Antônio Celso perdeu a paciência, levantou-se e estrilou: “Professora! Não agüento mais; esse menino não pára de atirar bolas de papel em mim, pô! É todo dia isso!”. O desfecho foi patético:
– Como você se chama? perguntou a mestra, ao atirador.
– Carlos Alberto Melges.
– Dona! Ele é filho do diretor!, alguém alertou.
– Ô, Antônio Celso, umas bolinhas de vez em quando não fazem mal...  
Moacyr Castro 11/2002

Aqui quem escreve é o Sanchão, para relembrar o dia em que a Miriam Hoff, para fugir da aula de física do prof. Moacyr, pulou a janela e quebrou a perna. Tudo porque já haviam dado o terceiro sinal (aquele que avisava que se o professor não estivesse na sala significava que havia faltado). Como para chegar na sala de Física o Moacyr tinha que atravessar todo o pátio das meninas, atrasou um pouquinho e foi o suficiente para a Miriam, que não sabia a matéria para a chamada oral e já havia gasto suas três dispensas do mês, correr para a janela e pular. Só que ela se esqueceu de um detalhe: a altura da janela ao chão era respeitável e aí....não sabíamos se ríamos ou se acudíamos a coitada... José Carlos Valente Sanches -  1962 a 1966

        Estávamos no ano de 1962, na 4ª MB. Era prova de inglês, o prof. Jacques, que sempre foi muito rigoroso conosco, pois a classe não era fácil (José Paulo P. Nacaratto e Peixinho, os recordistas de bagunça e suspensão, que o digam!!), estava andando pela sala durante a prova, como sempre faziam os mestres. Em dado momento pegou o Jorge Mitre colando e imediatamente tirou-lhe a prova e foi para a sua mesa. Mitre tentou argumentar mas foi um pouco grosseiro e Jacques expulsou-o da classe. Mitre ficou revoltado e e Jacques insistiu para que ele saísse e fôsse para a diretoria. Mitre levantou-se com todo aquele tamanho (quase o dobro do Jacques) e ao chegar à porta, Jacques foi atrás e empurrou a porta em suas costas. Mitre meteu o pé embaixo da porta para que a mesma não fechasse e ergueu o braço, ameaçando um murro no baixinho. A classe gritou em côro e em pânico. Aí ele desistiu da tentativa de agressão e saiu da sala. Não é preciso dizer que foi suspenso mais uma vez.  José Carlos Valente Sanches -  1962 a 1966

        O dia era 6 de junho de 1962. A aula era de ciências, do professor Pedro Calazans. O jogo era Brasil X Espanha, no estádio Sausalito, em Viña del Mar, no Chile. Estávamos da 4ª séria MB, na segunda sala do porão. O saudoso prof. Calazans permitiu que, em silêncio (como era rotina em suas aulas) ouvíssemos nos radinhos de pilha (N.A. lembram-se do Spika?) a narração do jogo feita por Edson Leite da Rádio Bandeirantes  A Espanha ganhava de 1 X 0 e não tínhamos Pelé, que havia se machucado no jogo contra a Tchecoslováquia. Mas aos 27 minutos do segundo tempo, com uma jogada genial de Garrincha, seguida de um cruzamento, Amarildo, o substituto de Pelé, fez um golaço e empatou. Claro que explodimos de alegria.. o nosso querido professor, que adorava o silêncio em classe, ordenou que imediatamente desligássemos os dois radinhos. Logicamente fomos obrigados a atender e só ficamos sabendo que o Brasil ganhara o jogo após a aula, a para nossa sorte, continuamos ganhando até o final da Copa.   José Carlos Valente Sanches -  1962 a 1966

 

    Hoje é 28 de janeiro de 2003. Aqui quem escreve é o Sanchão, novamente. Desta vez não para contar "causos", mas para relembrar o que significou o Culto à Ciência para todos nós, e digo todos nós com muita convicção, pois embora os anos passem, as pessoas continuam muito vivas em nossa lembrança. Hoje telefonei para Leonor Rezende Maria Katayama e lembramos muitas coisas da nossa querida escola e de todos que conviveram conosco. Cada vez que entro no site criado pelo De Paula, fico encantado e não canso de rever as fotos, os nomes dos colegas, dos nossos queridos mestres, os causos, enfim tudo o que significou para nós aqueles anos lá vividos. Ah, se pudéssemos voltar a viver tudo de novo...Seria uma dádiva de Deus e ELE não poderia imaginar o que se passaria em nosso coração. As amizades que surgiram naquela época, muitas delas com raízes tão profundas, não podem ser descritas numa simples mensagem como esta. São inúmeros os colegas com quem ainda mantemos contácto frequentemente e com quem matamos as saudades. Muitos deles embora já tenham partido para se juntar à Deus, continuam sempre vivos em nossa lembrança e os que ainda temos o privilégio de ter junto de nós, mesmo que distantes pelos kilometros, estão sempre perto pelo telefone e às  vêzes, com a graça de Deus, pessoalmente. Velho Culto à Ciência, que nos preparava tão bem para entrar na faculdade, que no ano de 66, toda a nossa panelinha entrou direto em medicina e engenharia. Será que alguma outra escola conseguia esta proeza? Acho difícil. Meus amigos, se eu fôsse ficar aqui falando das saudades que sinto de tudo e de todos, o De Paula iria me dar as contas, porque não haveria espaço suficiente so site. Um grande abraço a todos e que Deus vos abençoe. Do sempre amigo Sanchão. José Carlos Valente Sanches - 1966

 

Não me lembro a época, mas aconteceu entre 61 e 64.
Estavamos jogando futebol no campão, quando alguém deu um "bico" na bola e ela subiu, atingindo um bando de andorinhas que naquela época vivia não só sobrevoando o colégio mas toda Campinas. Só sei que uma das andorinhas atingida pela bolada, despencou e caiu atingindo um dos jogadores. Me lembro de alguns possíveis presentes mas é algo a severificar - Guilmer Cury Zakia, Camilo Geraldo de Souza Coelho,...
Eu estava presente  - Ricardo de Marchi, 1966

 

O professor Anibal de Freitas era, na época, o todo poderoso diretor do Colégio, com seu longo cavanhaque, muito bem cuidado. Um dia êle foi visitar o meu pai (eram muito amigos) e, meu pai vendo o seu estado físico, revelando cansaço, perguntou como estava de saúde. A resposta me surpreendeu. Revelou o professor Anibal que fazia alguns dias que não conseguia dormir. Isso, em razão de um telefonema curto de um aluno. Êsse aluno, não sei quem foi, telefonou ao professor com uma pergunta simples:- "Ao deitar-se, onde êle colocava o cavanhaque, por cima ou por baixo do lençol". Disse êle que, depois do telefonema, qualquer posição em que pusesse o cavanhaque o deixava desconfortável, impedindo-o de ter um sono tranquilo.  José Joaquim Badan, 1955

 

Hoje, vendo uma foto, relembrei um fato muito pitoresco ocorrido com um dos alunos que aparece na foto da 2ª Série C, de 1964. Trata-se do Volney Godoy Ferreira. Essa ele vai lembrar. Morávamos relativamente perto, no Guanabara, e de vez em quando ele me dava carona na sua incrível Romi Isetta. Era um espetáculo à parte, pois realmente o carrinho era muito extravagante. Um belo dia, quando saíamos da aula, não encontramos o carro. Pânico total ! Uma boa turma de colegas, em frente ao Colégio, ria às pampas. O carro não havia sido roubado, mas sim "carregado" literalmente por no máximo uns tres colegas nossos, até a entrada do Ginásio de Esportes e depositado suavemente na calçada. O Volney, que normalmente já ficava corado por qualquer coisa, ficou roxo pela gozação. Miguel Nucci, turma de 1966

 

O ano era 1967, cursávamos o 1º científico . Turma super unida,  a maioria junta desde a 1ª série . O professor de Português era o prof. Sabino.O assunto do momento era Literatura Portuguesa e, óbvio , Camões.

Ao invés de aulas sobre “Os Lusíadas ” , ele decidiu dividir a classe em grupos , sendo que cada um deveria apresentar um trabalho sobre um dos Cantos .

Fomos sorteados com o Canto III (É aquele que contém: ...”Estavas, linda Inês, posta em sossego ...”).

Ficamos enrolando vários dias ( como era de praxe ..., para depois fazer tudo na última hora ou , então , pedir para adiar a entrega ).

, sem mais nem menos , eu resolvi  que fazer um trabalho escrito seria muito sem graça ( eu gostava de  inventar moda ”).

Por que não um roteiro teatral ? pensaram, que diferente , que interessante!?!?

Insegurança no grupo : Como fazer ?  O que vamos inventar ? Será que vai dar certo ? Será que vai agradar ? Será que não vai dar muito trabalho ?

E eu defendendo minha idéia com unhas e dentes . Pode  deixar que eu cuido, pode deixar que eu faço o roteiro , pode deixar que eu assumo!!!

Realmente eu fiz boa parte do trabalho : o  roteiro preliminar , as reuniões em minha casa (ríamos horas e trabalhávamos um pouquinho...); mas , depois , todos se envolveram  e  participaram bastante .

Estou fazendo um certo suspense sobre quem fazia parte do grupo . É esse o problema ... Não me lembro de todos !!!! Os que eu não citar , me perdoem e escrevam para o site , para corrigir o “ pecado ”!.

Que saudades sinto lembrar daqueles amigos tão queridos !!!! A Mércia Lídia Rondini,  Carola Dobrigkeit, Álvaro Paschoal Filho , João Armbrust Neto , Nelson Boccato Jr, acho que a Cristina Teixeira da Conceição, e...

A  idéia “decolou”!!! Distribuí cópias do roteiro ao grupo . Foi aprovado de cara . Durante os ensaios , fomos aprimorando, cada um dava um palpite , queria melhorar sua fala .

Enfim, ficou pronto!!! E bárbaro!!! Seria a encenação ( comédia!!) de uma aula de Literatura Portuguesa, o assunto seria “Os Lusíadas – canto III , com o professor  fazendo perguntas para a turma.

Chegou o dia da apresentação, foi na  sala de Física, do prof. Moacyr. Havia uma porta entre a sala e o laboratório de Biologia/Ciências, vocês se lembram?

Pois nós colocamos um rastilho (pra  falar a verdade, com medo de ficar “mixuruco”, fizemos um “rastilhão” de pólvora sob essa porta).

 Aí, o espetáculo começou. O “professor”  ( Álvaro Paschoal) estava  dando uma aula sobre o Canto III dos Lusíadas. E fazia  perguntas para os alunos.

Tipo: -  Fulana  (eu) , faça um breve resumo do Canto III. – Fulano, o que Camões quis dizer com isso? - E com aquilo? - Qual é o sujeito da frase tal? - Que figura de linguagem foi usada em tal verso?

E, em meio às perguntas e respostas, a comédia ia rolando ...

Acontecia  de tudo nessa aula. Tinha aluna sabe-tudo ( acho que era a Carola) que  acerta a 1ª e não pára mais de levantar a mão, desesperada para responder. Tinha aluno(a)  burro(a), aluno que disfarça muito, olha para o chão, vai apontar lápis, para não ser chamado. Uma aluna que, em certo momento, foge pulando um daqueles janelões (para imitar um fato verídico acontecido ali, naquela sala, protagonizado pela Mirian Schifferli Hoff, da turma de 66, creio... ), e começa a gritar : - Quebrei a perna !!! Tinha uma  duplinha que não pára de conversar, aluno lendo gibi pornográfico aberto dentro do livro; alguém pede para ir ao banheiro...

Bem, voltando um pouco... Tivemos um problema no início dos trabalhos  porque, é lógico, tinha que  ter o Camões  e  ninguém queria ser o Camões, já que ele teria que se  apresentar vestido a caráter ( o “a caráter” possível para nós seria uma meia branca de ballet !!!!,  com as pernas  aparecendo inteiras, sapatilha com bico comprido, uma camisa curta , aquele negócio cheio de babados no pescoço e um tapa-olhos, tudo emprestado da Cia de Teatro do Amadeu Tilli,,,) Porque será que ninguém queria, não é?!

Não sei como o problema foi contornado, se foi com muita insistência, se foi sorteio. Só sei que o Armbrust, a contragosto, assumiu o papel. E fez um Camões magistral!!

Num determinado momento da aula, que estava realmente muito engraçada,  a aluna burra responde uma das perguntas com uma besteira inaceitável!

Nessa hora eu tinha  que falar: - Ai, meu Deus! Camões deve estar dando voltas na tumba ao ouvir isso!!!!

Eu consegui falar direitinho, mas tive que rezar muito, porque ,nessas situações, geralmente eu tinha ataques de riso convulsivos ,que duravam horas.

Assim que eu terminei a frase, alguém foi lá, pôs fogo na pólvora, a porta se abriu ( com um pontapé!!! ) e o “ Camões” apareceu , no meio da fumaça, com aquela roupa ridícula, e disse:  - Acordei do meu sono secular ....

Só que  a fumaça foi tanta, mas tanta, que todo mundo começou a lacrimejar e rir, e chorar , tudo ao mesmo tempo, inclusive o Prof. Sabino. Abrimos porta e janelas, abanamos, mas não houve jeito, tivemos que abandonar a sala e ir para o pátio. A peça ficou sem terminar...

Enfim, para abreviar esse “causo” tão longo...Fizemos uma reapresentação, com toda a pompa,  com convidados especiais : Dr. Telêmaco, Da. Celina Duarte, profa. Zilda Kaplan, não tenho certeza se profa. Quinita, alguns funcionários ( o Dr. Telêmaco selecionou.) Nota dez para o grupo e assunto para uma semana, no mínimo!!!!

Ah! Detalhe importante. Dessa vez foi um rastilho bem fininho...   Cristina Blaya -  turma de 1969

 

Isso foi em 1973, minha sala de aula era a de número 12, andar de cima, quase em frente à escada e ao lado da diretoria. Um certo dia, vimos o armário das inspetoras aberto e deixando expostos a almofada de tinta e o carimbo de COMPARECEU; a tentação foi grande e junto com a turma conhecida como “ Os Metralhas “ (formada pelos gemeos Fábio e Flávio Ferrari, Miguel Mansur, Pedro Pinheiro, Carlos  A B Chagas, Mauro Beutramelli e outros) pegamos e passamos a enforcar aulas; era uma festa.....  chegávamos no colégio, carimbávamos a caderneta de todos e íamos pra rua pulando o muro do ginásio.    Isso se deu por mais de uma semana, apenas não reparamos que o colégio, quando deu pela ausência do carimbo, mudou-o de COMPARECEU para PRESENTE... No primeiro dia que resolvemos voltar às aulas, os inspetores Milton e Ruth pararam na sala de aula e começaram a nos chamar pelo nome; com cara de coitados, fomos saindo e levados a diretoria para conversar com o Dr Telemaco; nem é preciso dizer que o resultado...  O mais engraçado foi um desses amigos já sair da sala de aula com o carimbo e a almofada na mão, não dando nem chance de negar... Herman Sauer Joviliano, turma de 1974

 

Acho que foi em Junho de 69.
Um frio lascado. Antes de começar as aulas daquela noite tive uma idéia. Fazer uma vaquinha e comprar uma garrafa de pinga, alguns limões e fazer uma caipirinha para todos se aquecerem na hora da saída, contra o frio, é lógico.
Arrecadei o dinheiro, pulei o muro, e fui até o bar da esquina comprar a pinga e o limão.
Lá no bar mesmo, dentro do litro foi preparada a caipirinha. Pulei de volta o muro com o litro em debaixo do paletó (naquele tempo, os alunos da noite tinham que usar paleto). Guardei a garrafa em baixo da minha carteira. O problema é que no intervalo, alguns mais afoitos, ou com mais frio foram na minha carteira e distribuiram para todos, no gargalo mesmo.
Quando voltamos para a classe, todos estavam muito alegres. Mas como sempre, na classe existiam alguns alunos que ficavam abismados com algumas atitudes dos outros, e provavelmente nos entregaram.
Quando reiniciou a aula logo após o intervalo, era uma prova de Geografia. Batem na porta. Quando ela é aberta, Sr. Colombo e outro bedel comunicam à professora que alguns alunos precisam acompanha-los até a Diretoria (Dr. Telemaco). Eu na hora, nem começei a prova. Coloquei minha caneta na carteira e fiquei esperando meu nome ser chamado. Fomos em cinco para a Diretoria. Chegando lá o Dr. Telemaco (vermelho como um pimentão) foi perguntando o nome de cada um dos santinhos. Eu fui o segundo a ser perguntado. Ele pegou um fichario do lado da mesa e conforme sabia o nome de cada um, tirava uma ficha. No meu caso ele disse: O senhor fica de lado, que hoje liquido com o senhor. Deu tres dias de suspensão para cada um, e mandou sairem da sala, e fecharem a porta. Primeiro disse que eu seria suspenso por 15 dias, por ter saido da escola sem autorização, ter trazido objeto estranho à aula,.....e mais um monte de alegações. Depois perguntou o que eu fazia. Começei a explicar a ele que trabalhava de dia para ajudar maus pais a criarem meus outros 7 irmãos menores, que meu pai dependia de minha ajuda para sobreviver, que meu pai trabalhava duro todos os dias num banco, etc. Acho que acabei comovendo o homem, que até ficou um pouco menos vermelho. Então ele virou para mim e falou: Vamos fazer um trato? Eu lhe dou somente 3 dias de suspensão, mas o senhor irá prometer que nem em frente do corredor o senhor não mais passará até o final do ano. Se passar em frente da Diretoria o senhor será expulso na hora. Aceitei de imediato o acordo. Na segunda feira seguinte tinha um jogo de futebol de salão no Alberto Krun. A classe inteira largou a aula e foi assistir o jogo. No meio do jogo apareceu um dos bedéis. Não tive jeito. Nem voltei para a classe e nem mais ao Culto a Ciência, pois ele iria cumprir o que tinha falado. Seria expulso na hora. Foi até divertido, mas lamentei muito ter saído de lá. Sempre mantive o emblema daquele colégio preso ao braço, e tinha o maior orgulho de falar que lá estudava, e até hoje, como qualquer aluno que lá estudou deve se orgulhar. 
Alcino Pascoal Reis - Período Noturno, 1969

 

 

Para não dizer que não me lembro de nenhuma situação curiosa que tenha acontecido, vou contar uma. Eu havia acabado de me mudar de Pedreira onde concluíra o curso ginasial e pouco conhecia de Campinas . No primeiro dia de aula no Culto à Ciência (curso noturno), interessado que eu estava em arrumar um emprego, puxei assunto com o colega da frente. Ele então me contou que trabalhava como apontador de obras e que há tempos solicitara ao chefe para ser transferido para o escritório tão logo aparecesse uma vaga por lá. Contou-me, também, que  havia outras vagas de apontador a serem preenchidas, e, caso eu quisesse, era só ir ao escritório para me candidatar. Por fim, deu-me o endereço da construtora. No dia seguinte, fui bater às portas daquela companhia para ver se arrumava o tal  emprego de apontador de obras e saí de lá com um emprego no escritório. Desconfiado de que aquela fosse exatamente a vaga que o colega tanto esperava, nada contei a ele. Pois bem, passados alguns dias, o “Seu” Ronaldo, que havia sido meu mestre de matemática no Ginásio de Pedreira e que, até então, não havia notado a minha presença naquela turma do Culto à Ciência, interrompeu a aula repentinamente, olhou-me surpreso e perguntou-me: -- Sérgio, é você mesmo que está aí? O que está fazendo aqui em Campinas ? Meio sem jeito, com toda aquela platéia me observando, procurei ser o mais breve possível: - Estou trabalhando e estudando. - Trabalhando aonde?  perguntou ele. – Numa construtora, respondi. – Fazendo o quê? Servente, pedreiro? Brincou ele. Tomado pela surpresa da pergunta, e não podendo contar a verdade, respondi a primeira bobagem que me veio à cabeça: - Pedreiro não professor, eu sou o engenheiro!  Sérgio de Pádua Iatchuk, Turma de 1964, Colegial Noturno. 

 

 

Quem teve o privilégio de estudar no Culto à Ciência, tem sem dúvida na memória recordações maravilhosas e um sem número de causos para contar aos amigos, filhos e netos. Dos inúmeros, que vivi, um dos mais interessantes remonta ao tempo em que fazia o 3. º colegial, noturno, no ano de 1976, o que por si só já era um “happening”, afinal era o ano do cursinho e último no colégio. A turma do diurno ia na sua grande maioria para o período noturno para poder fazer o cursinho no Objetivo na parte da manhã. O encontro entre as duas turmas não era das mais amistosas, pois os do diurno eram considerados os filhinhos de papai “burgueses” e os da noite eram os trabalhadores. Essa situação durou pouco tempo, logo, com raras exceções todos estavam inseridos no clima da bagunça, das brincadeiras e do clima amistoso que reinou por todo o resto do ano. Como nessa época as festas às sextas-feiras fervilhavam pela cidade, precisávamos achar uma maneira de comparecer as mesmas sem ficar com falta. Alguém teve a brilhante idéia de desligar a chave geral da energia elétrica numa sexta-feira, para que as aulas fossem suspensas. Idéia aceita, deu-se início a elaboração do plano e constatamos:

1. º como abrir os enormes cadeados, que fechavam as portas dos relógios?  

2. º existiam mais ou menos 10 quadros de distribuição, qual seria o geral?

3. º como executar a empreitada?

Para solucionar a 1. ª indagação, após várias e demoradas reuniões informais entre os “cabeças”, concluíram que por tratar-se de cadeados muito antigos, seria fácil abri-los com um pedaço de arame ou um grampo de cabelo. Assim, sorrateiramente, durante os intervalos das aulas e por vários dias tentou-se, até que o intento foi conseguido, passando-se a execução da segunda parte do plano, que consistia em descobrir o relógio certo, aquele que continha a chave geral. Cada dia abria-se um cadeado e desligava-se o relógio até que descobrimos o que nos interessava. Feito isso, passamos a cronometrar o tempo que o bedel levava até buscar a lanterna, as chaves dos cadeados que ficavam na diretoria e religar o relógio. Bastava agora ultimar os detalhes, tais como o dia e fazer uma “vaquinha” para adquirir um cadeado de boa qualidade, tipo Papaiz. Nos dias que se seguiram os pontos pendentes foram sanados, o cadeado foi adquirido e a data foi escolhida. A operação toda só era de conhecimento dos cabeças, haja vista que nem todos da sala eram confiáveis, pois a corrente dos “CDFS” queriam nos ver pelas costas. Finalmente, chegou o grande dia, tudo acertado, nós evidentemente com a roupa típica de festa daquela época, calça New Man ou Staroup ou Gledson, sapato da TOP’S, etc... Na hora do intervalo, ás 21 horas em ponto, o alemão que não era o Hoffmann e sim um rapaz que vinha de Indaituba, que trabalhava na roça, mas que se enturmou perfeitamente conosco e como ninguém entendeu o espírito da coisa, mas que infelizmente não me lembro agora do nome, foi com o reluzente Papaiz até o relógio de luz, sob olhar apreensivo de toda a cúpula, sacou o cadeado velho, abriu a porta de flandres, desativou a antiga chave faca fechando rapidamente a porta e lacrando-a com o cadeado novo.  Após exatos cinco minutos e sob a vaia de todos que estavam no pátio surge o seo Colombo com um enorme molho de chaves numa mão e uma lanterna na outra e caminhando rapidamente se dirige aos padrões de energia elétrica. Tentou a primeira chave, tentou a segunda, depois outra e mais outra até que percebeu que o cadeado havia sido trocado; desiste e retorna à administração. Passados mais alguns minutos, seo Colombo reaparece com um antigo megafone e anuncia em tom melancólico que as aulas estavam suspensas naquela sexta-feira. Resultado final de meses de planejamento: fomos todos para a balada, como se diz hoje em dia.   Sérgio Rabello de Almeida, Período Noturno, 1976

 

Corria a década de 60 e estávamos cursando , se não estou enganado, o 1o. colegial. Nossa professora de português era a Quinita, que na ocasião precisou se ausentar. Passaram-se alguns dias e chegou a notícia que estávamos de professora nova. No dia da primeira aula da referida mestra ( que depois conheceríamos : Dona Mafalda) fomos surpreendidos quando , ao invés da professora adentrar na sala, eis que não outro : Popof chega, dando um bom dia geral e solicita que Dona Mafalda aguarde um pouco antes de entrar na sala. E dêle ouvimos essa pérola: - Bom dia prezados alunos. Estou aqui a fim de apresentar-lhes a nova de professora de português. Só que tem um probleminha... E daí tornou-se muito sério e continuou com a voz um tom abaixo: - Ela é... preta..... Como vocês sabem esse é um preconceito que nós não devemos ter.... Espero que vocês a recebam muito bem.... E , como entrou, saiu com mesma barriga empinada. Não precisa dizer que o pasmo foi geral e todo mundo ficou segurando a risada a aula toda. Abraços a todos.  João Ambrust Neto, 1969

 


© Carlos Francisco Paula Neto - última atualização em 20/03/2009
e-mail :  carlos@francisco.paula.nom.br

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