SEGUNDA PARTE

GINÁSIO E COLÉGIO ESTADUAL DE CAMPINAS

CAP. III — FUNDAÇÃO E INSTALAÇÃO DO GINÁSIO DE CAMPINAS,

O PRIMEIRO CORPO DOCENTE E

ADMINISTRATIVO. FESTAS GINASIAIS

 

As iniciativas e empreendimentos diversos que sempre caracterizaram a gente ativa da cidade de Barreto Leme, como que se haviam arrefecido ante a expectativa tétrica de reaparecimento da febre amarela. A indústria e o comércio local sofreram sérios prejuízos, algumas casas comerciais se transferiram para outros centros e muitas famílias abastadas se mudara m para a capital do Estado.

Estabelecimentos que eram o orgulho de Campinas, como o “Culto à Ciência” — cuja existência de 18 anos é um rastro luminoso na história desta cidade, viram-se, depois de tanta luta, na dura contingência de fechar suas portas.

Ficaram então os campineiros sem o seu colégio, onde pudesse a mocidade estudiosa habilitar-se à admissão em cursos superiores do país. Não se punha em dúvida que seria instalado nesta cidade um dos ginásios criados pelo Congresso Estadual, lei n. 88 de 8 de setembro de 1892; fazia-se mister apenas que se não protelasse a efetivação desse grande melhoramento.

Logo que a Câmara Municipal de Campinas entrou na posse do patrimônio do extinto colégio, que permanecera sob a guarda de um zelador, percebendo o salário de 120 cruzeiros mensais, a Comissão de instrução pública apresentou em sessão de 19 de janeiro de 1893 um parecer no sentido de ficar o Intendente de Higiene e Instrução, Dr. Antonio Álvares Lobo, autorizado a entender-se com o Governo estadual sobre a aplicação das verbas consignadas para o Ginásio oficial a ser instalado em Campinas. Ficaria assim atendida uma legítima aspiração desta terra que fora tão duramente flagelada pelas epidemias.

Em reunião da Câmara Municipal de 14 de agosto de 1893, foi aprovado que se requeresse ao Congresso do Estado a instalação do Ginásio no edifício do antigo “Culto à Ciência”, imóvel este de valor superior a 150 mil cruzeiros, ao passo que a dívida da extinta Associação ascendia no máximo a 70 mil cruzeiros, matéria esta já tratada na mensagem do Presidente do Estado. Não obstante os reiterados pedidos da Edilidade de Campinas, findou-se o ano de 1892 sem que o Governo estadual resolvesse o ingente problema da instrução secundária nesta cidade.

Ainda em abril do ano seguinte, 1894, a Câmara Municipal renovou a representação ao Congresso Estadual para que fosse logo atendido o anseio de Campinas, dotando-a com um estabelecimento oficial de ensino secundário.

Desta vez o ato da Câmara encontrou franco apoio nas duas casas do Congresso. A Comissão de instrução pública, de que eram membros Paulo Egídio, Ricardo Batista e Fonseca Pacheco, emitiu em 12 de junho parecer favorável à proposta da Edilidade Campineira. O Senado do Estado havia também dado sua aprovação para a lei que subira da Câmara dos Deputados, autorizando o Governo a entrar em acordo com a Câmara Municipal de Campinas para transformar o antigo “Culto à Ciência”, em um instituto oficial de ensino secundário.

Em conseqüência, foi decretada a resolução n. 273 de 21 de junho de 1894, e em 26 desse mês a imprensa dava à publicidade o seguinte decreto: “O dr. Bernardino de Campos, presidente (governador) do Estado: Faço saber que o Congresso Legislativo do Estado decretou e eu promulgo a lei seguinte:

Art. 1.o — E’ autorizado o Governo do Estado a entrar em acordo com a Câmara Municipal de Campinas, para o fim de passar à propriedade do Estado o prédio em que funcionou o antigo colégio “Culto à Ciência”. § único. — O Governo poderá para esse fim abrir os necessários créditos.

Estava vencida a primeira etapa no sentido de ser satisfeita a legítima aspiração dos campineiros.

No orçamento havia sido consignada a verba de 75 mil cruzeiros para o custeio do estabelecimento de ensino; o Governo, porém, não queria assumir a responsabilidade da dívida toda, sem examinar o que lhe fora proposto, e até o mês de outubro não viera a comissão encarregada desse exame. A imprensa local, pelo Diário de Campinas, fez nesse sentido um apelo ao dr. Cesário Mota Junior, Secretário do Interior.

Em ofício datado de 21 de dezembro de 1894 e dirigido à Intendência Municipal, o Secretário da Fazenda, dr. Rubião Júnior, solicitava as bases para ser lavrado, o contrato de transmissão do patrimônio do “Culto à Ciência” para o domínio do Estado. A. Câmara Municipal, em sessão de 31 de dezembro, autorizava o Intendente a efetuar essa transmissão, nas bases já estabelecidas.

Em edital publicado a 13 de fevereiro de 1895 o Intendente Municipal, tenente-coronel dr. Antônio Álvares Lobo, fazia um convite a todos os credores do extinto Colégio Culto à Ciência para que apresentassem suas contas, em virtude da transferência que ia ser feita do referido estabelecimento ao Governo do Estado.

A transferência realizou-se no dia 8 de março, pagando o Governo do Estado aos Bancos de Crédito Real, União e Mercantil os débitos da sociedade extinta, entregando ainda Cr $ 23.062,18 à Câmara Municipal para pagamento de outros credores avulsos e quirografários, com o compromisso de fundar o ginásio nesta cidade, para cujo custeio já fora votada a verba de 75 mil cruzeiros.

Alguns dias depois, foi decretada a lei n.o 284 de 14 de março de 1895: — “Fica criado um ginásio para o ensino secundário, científico e literário, na cidade de Campinas”. Mais uma etapa se vencera em prol do justo anseio dos campineiros.

Por decreto de 1.o de agosto desse ano, foram nomeados o dr. Mário Bulcão (foto) para Mário Bulcão diretor do Ginásio de Campinas, e o comendador Tomás Paulo do Bom Sucesso Galhardo para exercer em comissão o cargo de secretário, no qual pouco tempo se demorou.

O Diretor recém-nomeado visitou em 16 de agosto o edifício do antigo Culto à Ciência, percorrendo todas suas dependências, para se inteirar das obras de adaptação do prédio e serviços de limpeza geral.

A 10 de novembro, os jovens campineiros que eram candidatos ao curso ginasial promoveram uma reunião na Sociedade Luís de Camões, em que se resolvera representar ao Intendente Municipal a fim de o mesmo interceder junto ao Governo do Estado para que fosse logo aberto o Ginásio. Em resposta, o oficial de gabinete do Secretário do Interior esclareceu que a inauguração desta casa de ensino estava dependendo da realização dos concursos para provimento das cadeiras relativas aos dois primeiros anos do curso, e bem assim das obras de readaptação do prédio. Os jornais da capital do dia lº de outubro já haviam publicado editais abrindo os referidos concursos.

 As provas dos concursos para provimento das diversas cadeiras terminaram em 21 de fevereiro de 1896. Para a cadeira de português apresentaram-se três candidatos, dos quais um se retirou e os outros dois foram inabilitados. Foram anuladas as inscrições para as cadeiras de francês e de italiano. Para a cadeira de latim e noções de grego foi habilitado o único candidato inscrito, dr. Eduardo Gê Badaró, e para a de geografia, cosmografia e história do Brasil, o dr. Gustavo Enge, os quais, perante o diretor, tomaram posse das respectivas cadeiras em 12 de novembro de 1896, antes da inauguração oficial do Ginásio. Foram estes os dois primeiros lentes catedráticos do Ginásio de Campinas.

 Na referida data 12 de novembro, foi nomeado para exercer o cargo de secretário o dr. Antônio Rodrigues de Melo, na vaga deixada por Tomás Galhardo. Uma semana depois, no dia 19, foram nomeados para os cargos de contínuos Benedito de Oliveira os cidadãos Benedito de Oliveira (foto) e Antônio da Silva Machado; para o cargo de porteiro, o cidadão Euzébio Pinto da Costa. Merece registro a perseverança do funcionário Benedito Oliveira, que vem exercendo com notável dedicação o posto de secretário do estabelecimento, cuja evolução acompanhou até ao presente. (N.A. – O sr. Benedito ainda era vivo em 1946, quando este livro foi editado.)

Após grandes lutas e esforços desmedidos inaugurou-se finalmente o Ginásio de Campinas, no dia 4 de dezembro de 1896, data esta que permanecerá indelével nos fastos da história desta terra.

Abriram-se de novo, à luz da instrução, as portas do antigo educandário; iluminaram-se as salas do velho templo para o novo Ginásio Oficial, fadado a ser digno continuador das tradições honrosas do memorável Colégio Culto à Ciência. Iriam assim voltar o rumor, o encanto e a vida ao abençoado recanto do fim da rua que recebeu o nome do notável colégio de que tanto se orgulhavam os velhos campineiros.

As treze horas, presentes o dr. Antônio Dino da Costa Bueno, Secretário do Interior, vereadores à Câmara Municipal, o Intendente, representantes da imprensa, professores e pessoas gradas, foi aberta a sessão.

Discorreu brilhantemente sobre a influência da instrução na vida das nacionalidades, o dr. Dino Bueno, terminando por declarar solenemente instalado o Ginásio de Campinas, sendo entusiasticamente aplaudido.

Seguiu-se com a palavra o dr. Mário Bulcão, diretor do Ginásio, que falou sobre a organização do importante instituto que acabava de ser instalado pelo patriótico Governo estadual, e finalizou agradecendo o comparecimento de todos os presentes.

Tomaram depois a palavra o dr. Manuel de Assis Vieira Bueno, Intendente Municipal, que fez a apologia da ciência, e o dr. Jacob Tomás Itapura de Miranda, em nome da Congregação do Ginásio da Capital. Por fim, o Secretário do Interior referiu-se em frases encomiásticas ao ex-Culto à Ciência, e encerrou a sessão declarando inaugurado o Ginásio.

Foram passados telegramas de saudações aos ilustres conterrâneos General Francisco Glicério e José Paulino Nogueira, denodados trabalhadores em prol da fundação desta casa de ensino.

Em seguida, foi servida uma lauta mesa de iguarias e doces, sendo levantados diversos brindes.

A título de curiosidade reproduzimos a ata de instalação:

“Aos quatro dias do mês de dezembro de 1896, nesta cidade de Campinas, no edifício destinado ao funcionamento do Ginásio da mesma cidade, á uma hora da tarde, presentes o dr. Antônio Dino da Costa Bueno, Secretário do Interior, a Câmara Municipal incorporada, dr. Manuel de Assis Vieira Bueno, Intendente Municipal, dr. Raimundo da Silva Cunha, Delegado de Polícia, representando o dr. Chefe de Polícia do Estado, membros da Comissão Sanitária do Estado, representantes do funcionalismo público e grande número de pessoas gradas da localidade, além de excelentíssimas senhoras, que assinam igualmente com o Diretor e lentes do Ginásio, a presente ata, o dr. Secretário do Interior declarou solenemente instalado o Ginásio desta cidade em um brilhante discurso, no qual fez o histórico do ensino no Estado, e quais os intuitos que visa o estabelecimento ora instalado; em seguida obtém a palavra o dr. Mário Bulcão, diretor do Ginásio, ao qual seguiu-se o dr. Itapura de Miranda, lente do Ginásio da Capital, representando o corpo docente daquele estabelecimento.

Compareceram representantes da imprensa local, (deixando de o fazer o dr. Alberto Sarmento, deputado estadual e os lentes dr. Eduardo Gê Badaró e Luís Gambeta Sarmento, que foram representados pelo Diretor do Estabelecimento.

Em seguida, o dr. Secretário do Interior declarou interrompida a sessão para lavrar-se a respectiva ata, que vai assinada pelos presentes e em seguida encerrada a sessão. Eu, Antônio Rodrigues de Melo, secretário do Ginásio de Campinas, o escrevi”.

 (Seguem-se as assinaturas).  

 Estava satisfeita a aspiração dos pais de famílias desta terra e das cidades vizinhas.

O Ginásio de Campinas foi o segundo instituto oficial de ensino secundário fundado no Estado; o primeiro foi o Ginásio de São Paulo, cuja fundação data de 16 de setembro de 1894. Durante um decênio o Estado de São Paulo manteve apenas estes dois ginásios, com o fim de proporcionar a alunos externos a instrução secundária e fundamental, necessária e suficiente, não só ao bom desempenho dos deveres de cidadão, mas também à matrícula nos cursos de ensino superior e obtenção do grau de bacharel em ciências e letras. Os exames finais eram feitos no próprio estabelecimento, resultando com isso extraordinária vantagem aos estudantes. A freqüência era obrigatória, podendo o aluno perder o ano no caso de exceder o limite permitido de faltas, medida esta moralizadora e que torna o ensino mais sólido e eficiente.

Iniciaram-se, em 17 de fevereiro de 1897, os exames de suficiência dos candidatos à matrícula nos primeiros anos do curso ginasial, os quais constituíram as primeiras turmas do novo estabelecimento.

Findos os exames, foram habilitados os seguintes alunos, que se matricularam no 1.o ano do curso ginasial: Jorge Nogueira Ferras (matriculado sob n.o 1), Raul Cardoso de Almeida, Luís Nogueira Neto, Didier Monteiro, João Batista Pompeu de Lacerda, José Raoul, Luís Faber, Oscar Pereira, Plínio José de Sousa Brito, Sílvio de Morais Sales, José de Oliveira Cabral, José Pereira de Andrade Jr., Valdomiro Fragoso, Manuel Rodrigues dos Santos, Euclides de Araujo Roso, João Carvalho, Vítor Brenneisen, Alanco de Souza Bueno, Paulino Muniz Filho, Benjamin Ribas d ‘Ávila, Dagoberto Pio de Camargo Bittencourt, Arbaldo Cabral Benjamin e Artur Ivahy, ao todo 23 alunos.

As aulas dos dois primeiros anos tiveram início no dia 1º de julho, com a presença de todos os alunos matriculados, prelecionando os lentes em cavaco de exortação aos alunos para que se dedicassem com ardor aos estudos, a fim de que o Ginásio de Campinas fosse o guarda zeloso das tradições do extinto Culto à Ciência.

Em sessão da Congregação realizada a 2 de julho, foi apresentada uma representação assinada pelos lentes para que o Diretor oficiasse novamente ao Governo do Estado, comunicando que o corpo docente era inteiramente solidário com a Diretoria sobre a conveniência de serem logo feitas no estabelecimento as reformas propostas para maior eficiência do ensino e que, em nome da Congregação, se congratulasse com o mesmo Governo pela resolução tomada no sentido de ser autorizado o funcionamento das aulas.

Os drs. Manuel Vieira Batista e Abílio Álvaro Miller, nomeados respectivamente para os cargos de lentes interinos de inglês e alemão e de história geral, em 6 de julho desse ano de 1897, bem assim o dr. Olímpio da Silva Leão, nomeado também interinamente para a cadeira de aritmética, álgebra e geometria, em 4 de março, na vaga deixada pelo dr. Luís Gambeta Sarmento, que não chegou a tomar posse, foram empossados em seus cargos perante a Congregação reunida a 17 de julho, sendo saudados pelo professor Henrique de Barcelos.

Para o ensino de desenho foi contratado em 20 desse mês de julho o professor José Vilagelin .Jr., e para ginástica o professor Cornélio Gasperini Vianello. Ficou então o primeiro corpo docente do Ginásio de Campinas constituído pelos seguintes professores: Henrique de Barcelos, dr. Mário Bulcão, dr. Eduardo Gê Badaró, dr. Gustavo Enge, dr. Olímpio da Silva Leão, dr. Manuel Vieira Batista, dr. Abílio Álvaro Miller, José Vilagelin Júnior e Cornélio Gasperini Vianello.

Não obstante haver candidatos habilitados ao 3.o ano, o Governo hesitava em autorizar o funcionamento dessa classe. Somente a 13 de junho foram abertas as matrículas, iniciando-se as aulas no mês de agosto. A ordem dos alunos matriculados no 3.o ano, em 1897, foi a seguinte: Alfredo Monteiro de Carvalho e Silva, Alberto Pinto de Morais, Oscar de Morais, Firmínio Tamandaré de Toledo Jr., João Ribas d ‘Ávila, Alberto Gomes Pinto, José Bonifácio de Almeida Sales, Heitor Sarmento, José da Silva Pinto e Aníbal Vieira Bueno, ao todo 10 alunos, dos quais devia sair a primeira e luzida turma de bacharéis em ciências e letras.

A instalação tão almejada do 3.o ano do curso ginasial fora solenemente celebrada pelos alunos, principalmente dessa série, no dia 4 de agosto. As 19 horas já era grande a afluência de pessoas ao edifício do Ginásio, artisticamente ornamentado com bandeiras e festões que sobressaiam da farta iluminação.

As 20 horas, foi aberta a sessão pelo diretor dr. Mário Bulcão, que deu a palavra ao aluno Alfredo Monteiro de Carvalho e Silva para, em nome dos terceiranistas, saudar o corpo docente do Ginásio; respondeu o Lente dr. Abílio Álvaro Miller. Falou em seguida o aluno Camilo Machado, em nome do 2.o ano, saudando seus colegas do 3.o ano e os professores; respondeu o lente dr. Gustavo Enge. O aluno Jorge Nogueira Ferraz falou em nome dos alunos do 1.o ano, respondendo o professor Henrique de Barcelos.

O  aluno Alfredo Monteiro retomou a palavra para saudar a imprensa, respondendo o dr. César Bierrenbach e o professor José Vilagelin. O aluno Orlando de Carvalho fez uma saudação às autoridades presentes, seguindo-se o aluno Jaime de Morais Sales que saudou o Grupo Escolar, na pessoa de seu diretor professor Cristiano Volkart, que agradeceu. O dr. Alvaro Miller saudou a Câmara Municipal. O professor Henrique de Barcelos fez ainda uma saudação ao dr. Mário Bulcão, como representante do Governo e como um dos mais esforçados pugnadores para o funcionamento do Ginásio.

Tantos discursos, todos calorosamente aplaudidos, demonstravam bem o entusiasmo dessa festa.

Por fim, o Diretor agradeceu a presença de todos que vieram abrilhantar a reunião, avisando que ia iniciar-se a parte musical, que foi executada com grande agrado pelos distintos amadores: João Batista de Castro Ferraz (bandolim), Raul Gerin (violino) e José Braghetto (piano). Seguiu-se animado baile que se prolongou até a madrugada.

Alguns dias depois, em 13 desse mês, distinguia o ginásio com sua honrosa visita o Arcebispo D. Joaquim Arcoverde, que foi recebido pela Congregação do estabelecimento e saudado pelo talentoso aluno Alfredo Monteiro.

Para completar o quadro de contínuos foi designado o cidadão Antônio Ferreira da Costa, em data de 29 de outubro de 1897. exercendo com desvelo o cargo até 19 de setembro de 1922, quando se transferiu para a Escola Normal de Campinas, como bibliotecário.

A data 15 de novembro foi festivamente comemorada pelos alunos, que nesse dia fizeram a inauguração solene do “Clube Cesário Mota”; produziram discursos o Diretor e diversos alunos.

O corpo docente, administrativo e os alunos solenizaram com brilhantismo o 1.o aniversário da instalação do Ginásio. Ao meio dia foi aberta a sessão solene do “Clube Cesário Mota”, orando o aluno João Ribas d’Ávila que saudou a Congregação. A seguir, assumiram a tribuna os alunos Jaime de Morais Sales, Carlos Olinto Braga e Alfredo Monteiro de Carvalho e Silva, pelo 3.o ano; Laurival de Queiros, pelo 2.o; alguns outros recitaram trechos literários, sendo todos aplaudidos pela numerosa assistência.

Ocupou depois a tribuna o lente dr. Gustavo Enge, que produziu um discurso muito conceituoso sobre o aperfeiçoamento humano. Falaram ainda o dr. Álvaro Miller e o Diretor. Seguiu-se um concerto musical e por fim animado baile.

Os poucos meses do 1.o ano de funcionamento do Ginásio assinalaram, pois, festas memoráveis promovidas pelos alunos, cujos programas primavam pelo caráter literário e artístico.

O encerramento das aulas ficou adiado para 28 de janeiro de 1898. Nesse dia, o Diretor promoveu uma sessão de professores e alunos, congratulando-se com estes pelo bom resultado de seus estudos e pela disciplina com que se houveram, terminando por agradecer aos lentes a colaboração recebida para elevar o estabelecimento no alto conceito que merece. Em seguida, o aluno Alfredo Monteiro fez um discurso de agradecimento aos professores, respondendo o dr. Gustavo Enge. O professor Henrique de Barcelos também se congratulou com a mocidade estudiosa e agradeceu, em nome de seus colegas, o diploma dos sócios honorários que lhes havia conferido o “Clube Cesário Mota”.

No dia seguinte, reuniu-se a Congregação do Ginásio para tratar da classificação dos alunos, cuja promoção se fizera obedecendo à freqüência e à média das notas obtidas nos meses letivos. As férias deviam prolongar-se até 30 de abril, reabrindo-se os cursos em 1.o de maio.

O dr. Mário Bulcão, que vinha exercendo com grande zelo e competência a direção do estabelecimento de ensino, e havia regido interinamente a cadeira de francês e italiano, fazendo sempre jus à estima de todos os professores, foi nomeado, por decreto de 8 de fevereiro de 1898, para exercer o honroso posto de Diretor Geral do ensino público do Estado. Sucedeu-lhe o professor Henrique de Barcelos, nomeado diretor interino em 8 desse mês, sendo empossado em reunião da Congregação realizada a 17 do referido mês. Ao professor Barcelos, que era também brilhante escritor, foi tributada uma homenagem em que discursaram os drs. César Bierrenbach e Álvaro Miller.

Para as cadeiras de física, química e história natural, foi nomeado em caráter interino, a 26 de fevereiro de 1899. o dr. José Pinto de Moura, que tomou posse perante a Congregação em 2 de março. Para o lugar de preparador dessas cadeiras, foi então nomeado o farmacêutico Eugênio Bulcão, e para exercer o cargo de lente interino de francês e italiano, na vaga deixada pelo ex-diretor dr. Mário Bulcão, designado o professor Rodolfo Noronha, em 29 de abril de 1898.

No período de férias, circulou o 1º número do “Ginásio de Campinas”, órgão do Clube “Cesário Mota”, trazendo excelente colaboração de professores e alunos.

Em 19 de abril eram publicados editais, subscritos pelo amanuense, servindo de secretário, Baltasar Carneiro, sobre a realização dos exames de admissão ao 1.o ano e de suficiência para os anos superiores do estabelecimento. Os exames tiveram início no dia 25 e se prolongaram até a segunda semana de maio, reabrindo-se as aulas no dia 16.

No ano letivo de 1898, matricularam-se 18 alunos no 1.o ano, sendo o primeiro matriculado o aluno repetente Luiz Nogueira Neto; no 2.o ano matricularam-se 17 alunos, sendo Luís Faber o primeiro matriculado.

A primeira turma do 4.o ano, cuja matrícula se iniciou em 15 de abril de 1898, era formada dos alunos seguintes: Alfredo Monteiro de Carvalho e Silva, Jaime de Morais Sales, José da Silva Pinto, Alberto Pinto de Morais, Firmino Tamandaré de Toledo Jr., Anibal Vieira Bueno, Oscar de Morais, João Ribas d’Ávila, José Bonifácio de Almeida Sales, Carlos Olinto Braga e Gustavo Armbrust.

Por decreto de 21 de junho de 1898, foi dispensado, a pedido, o dr. Olímpio da Silva Leão da regência interina da cadeira de mecânica e astronomia, sendo nomeado o dr. José Ribeiro da Silva Pirajá para preencher o cargo.

Comemorando o seu primeiro aniversário e a gloriosa data da proclamação da República, o Clube “Cesário Mota” realizou em 15 de novembro desse ano uma sessão solene, que foi aberta pelo presidente do grêmio, Alfredo Monteiro de Carvalho e Silva, que convidou o diretor Henrique de Barcelos para ocupar a presidência. Discursaram durante a sessão os seguintes alunos: Carlos Olinto Braga, João Ribas d’Ávila, Luis Maragliano, José Bustamante de Sã, Alfredo Monteiro, Laurival de Queirós, Francisco Próspero de Oliveira, e os lentes drs. Abílio Alvaro Miller, Gustavo Enge e João Von Atzingen.

Foi também solenemente comemorado o 2.o aniversário de instalação do Ginásio, no dia 4 de dezembro. O edifício achava-se belamente ornamentado, produzindo o conjunto das diversas decorações, feitas pelos alunos, um aspeto deslumbrante. Às 20 horas, depois de eloqüente oração pronunciada pelo lente de história universal, dr. Álvaro Miller, deu-se início ao concerto musical, em que tomara parte os professores: J. Braghetto e E. Steudel, Henrique Armbrust, a professora Perpétua Duarte e as senhorinhas Ermínia Faber, Zini Nogueira e Violante de Barcelos. Seguiu-se uma soirée dançante que se prolongou até o raiar do dia.

O  professor Henrique de Barcelos, que em 8 de fevereiro de 1898, fora nomeado para exercer em caráter interino a direção do estabelecimento, havendo tomado posse a 2 de março, foi por ato do Governo de 19 de dezembro desse ano, nomeado diretor efetivo. Por esse motivo, os professores e alunos do Ginásio prestaram-lhe uma significativa manifestação.

De 20 a 30 de abril de 1899 realizaram-se os exames de suficiência aos diversos anos, reabrindo-se as aulas no dia 2 de maio, no período da manhã. Matricularam-se no 1.o ano 18 alunos, pertencendo ao aluno Domingos de Araújo a matrícula n.o 1; no 2.o ano, matricularam-se apenas 12 alunos.

A primeira turma de alunos matriculados no 5.o ano, que começou a funcionar em 1899, era a seguinte: Alfredo Monteiro de Carvalho e Silva, Jaime de Morais Sales, Firmino Tamandaré de Toledo Jr., Alberto Pinto de Morais, José Bonifácio de Almeida Sales, José da Silva Pinto, Carlos Olinto Braga, João Ribas d ‘Avila, Gustavo Armbrust e Oscar Morais,

O  3.o ano de instalação do Ginásio foi festivamente comemorado a 2 de dezembro de 1899. As 19 horas realizou-se a sessão solene na sala da Congregação, presidida pelo diretor Henrique de Barcelos. Aberta a sessão, foi dada a palavra ao orador da solenidade professor Rodolfo Noronha, que fez uma brilhante exposição das festas na antiguidade, na idade média e na idade contemporânea, estabelecendo um paralelo entre elas e as festas nas casas de ensino. Referiu-se ao Ginásio de Campinas, fazendo votos para que o Governo estadual logo o equiparasse ao Ginásio Nacional.

Falou em seguida o quintanista Alfredo Monteiro, tecendo elogiosas referências ao estabelecimento de ensino. Depois de encerrada a sessão, deu-se início à animada soirée dançante. Num dos intervalos das danças os meninos Henrique Teixeira, Alfredo Sarmento, Jaime Barbosa e Luís Pires representaram a interessante comédia “Um pequeno sábio”, da lavra do professor Henrique de Barcelos, e a menina Matilde Correia recitou com muito espírito um monólogo.

 

CAP. IV — PROVIMENTO DAS CADEIRAS POR CONCURSO. AS

PRIMEIRAS TURMAS DE BACHARELANDOS.

DIREÇÃO DO DR. JORGE DE MIRANDA E DO PROFESSOR ARNALDO

DE OLIVEIRA BARRETO.

   

O  diretor do Ginásio, professor Henrique de Barcelos, ficou autorizado pelo Governo, em data de 28 de fevereiro de 1900, a pôr em concurso as 1ª, 3ª, 4ª, 5ª, 6ª, 8ª, 9ª e 10ª cadeiras, as quais se achavam providas interinamente. Poucos dias depois, a 20 de março, solicitava sua exoneração de lente interino da 9.a cadeira (física, química e história natural) o dr. Pinto de Moura; e mais tarde, a 9 de junho, o mesmo fizeram o dr. Olímpio da Silva Leão e o professor Rodolfo Noronha, todos eles competentes e dedicados professores.

A reabertura das aulas ficou prorrogada para o dia 11 de junho, em vista de não estarem ultimados os concursos que se realizavam na Capital. Nesses concursos foram classificados em 1o. lugar: 1a. cadeira (português) — Bento Ferraz; 3.a cadeira (francês e italiano) — Dr. João Keating (foto); 5.a cadeira (aritmética, álgebra e geometria —. Ernesto Luís de Oliveira; 6.a cadeira (trigonometria, mecânica e astronomia) — dr. Lúcio Martina Rodrigues; 9.a cadeira (antropologia, psicologia e lógica) —dr. Abílio Alvaro Miller. O dr. Lúcio Martins Rodrigues desistiu da nomeação; o dr. João Keating (foto) e professor Ernesto de Oliveira tomaram posse perante a Congregação no dia 9 de junho de 1900. Em 22 de dezembro desse ano, em virtude do art. 8 do Regulamento dos Ginásios que baixou com o Decreto n. 858 de 14 de dezembro de 1900, o professor Ernesto Luís de Oliveira optou pela regência da cadeira de geometria e trigonometria; o dr. Nicolau Gustavo Vitor André Enge optou pela cadeira de geografia e cosmografia, e no dia 25 desse mês, o dr. João Keating pela cadeira de francês.

Os drs. Abílio Alvaro Miller, João Keating e professor Bento Ferraz foram nomeados para as respectivas cadeiras por Decreto de 5 de junho de 1900. No ano letivo de 1900 achavam-se matriculados 16 alunos do 1.o ano e somente 9 no 2.o ano.

Em 11 de junho desse ano tiveram inicio as matriculas dos primeiros alunos que iam constituir o 6.o ano, formando a primeira turma de bacharéis em ciências e letras, que foi a seguinte: Jaime de Morais Sales, Alfredo Monteiro de Carvalho e Silva, Carlos Olinto Braga, Firmino Tamandaré de Toledo Jr., Alberto Pinto de Morais, Gustavo Armbrust e Oscar Morais.

Por Decreto de 14 de junho exonerou-se, a pedido, do cargo de diretor, o professor Henrique de Barcelos, sendo nomeado para preencher interinamente a vaga o dr. Eduardo Gê Badaró, lente catedrático da 2.a cadeira.

Em 5 de julho procedeu-se em São Paulo, ao julgamento dos candidatos que haviam concorrido à cadeira de história universal, sendo classificado em 1.o lugar o dr. João Cesar Bueno Bierrenbach, e na 2.o o dr. Villanova Machado. O dr. César Bierrenbach foi nomeado a 16 do mês e tomou posse no dia 21.

Pelo Decreto n. 858 de 14 de dezembro de 1900, assinado pelo presidente do Estado de São Paulo, dr. Francisco de Paula Rodrigues Alves, e pelo secretário do Interior, dr. Bento Bueno, foi aprovado o Regulamento dos Ginásios do Estado, que eram então apenas dois: o Ginásio da Capital e o de Campinas. Nas termos desse Decreto, os lentes catedráticos das cadeiras deste Ginásio, que foram desdobradas, poderiam optar por uma delas, e o ensino era regulado por programas organizados trienalmente pela Congregação do Ginásio Nacional e aprovados pelo Ministro dos Negócios Interiores da União. Os compêndios da classe eram indicados pelos respectivos lentes e aprovados pela Congregação. A. cadeiras sempre providas mediante concurso, cujas principais provas eram: a) prova escrita, com a duração máxima de 4 horas, realizada a portas fechadas; b) prova oral, que constava de argüição recíproca dos candidato, argüindo cada candidato durante 30 minutos; c) preleção, durante o prazo fatal de 60 minutos.

A equiparação do Ginásio de Campinas ao Ginásio Nacional, de modo que seus diplomas deram acesso a qualquer academia superior do país, foi estabelecida pelo Decreto n. 3928 de 16 de fevereiro de 1901 do Ministério dos Negócios do Interior e da União. Exercia o cargo de Fiscal Federal o dr. Antônio Álvares Lobo, que se manteve até o ano do 1911.

O dr. Jorge de Miranda, nomeado em 7 de janeiro de 1901 para o cargo de diretor, tomou posse a 10 do mês. Inteligente e culto, fez o dr. Jorge de Miranda uma excelente administração, apesar de ser de pequena duração, porquanto se exonerou em 1.o de outubro do ano seguinte, para ocupar o alto posto de Procurador Geral do Estado. Para a direção interina do Ginásio foi então nomeado o lente dr. Francisco de Paula Magalhães Gomes, que permaneceu até 19 de fevereiro de 1903.

A solenidade de formatura da 1.a turma de bacharéis em ciências e letras realizou-se a 1.o de maço de 1901. Presidiu a sessão, que teve grande brilhantismo, o Secretário do Interior dr. Bento Bueno, achando-se presentes o dr. Mário Bulcão, Inspetor de Instrução Pública, o bispo de Pouso Alegre, autoridades civis e militares, além de avultado número de famílias. Receberam seus diplomas, os bacharelandos Alfredo Monteiro de Carvalho e Silva, aprovado com distinção, grau 12; Jaime de Morais Sales, idem, com grau 10; Carlos Olinto Braga e Gustavo Armbrust, aprovados plenamente, grau 8; Alberto Pinto de Morais, Firmino Tamandaré de Toledo Jr. e Oscar do Morais, aprovados plenamente, grau 6.

Foi paraninfo o lente dr. Eduardo Gê Badaró, que produziu conceituosa alocução; em nome da Congregação falou o dr. Álvaro Miller, pelos alunos que se bacharelaram discursou Carlos Olinto Braga, e finalmente o delegado do Governo Federal, dr. Antônio Álvares Lobo, saudando os bacharelandos e suas famílias.

        Em data de 17 de fevereiro de 1901, exonerou-se, a pedido, o secretário dr. Antônio Rodrigues de Melo, sendo a vaga preenchida pelo dr. Augusto Xavier Bueno de Andrade, que entrou em exercício a 6 de março. Em 22 deste mês foi o dr. Manuel Agostinho Lourenço, nomeado lente catedrático da 12.a cadeira (física e química) e, em 30 de abril, dispensado o dr. Manuel Vieira Batista da cadeira de inglês e alemão. Foram nomeados para as funções de contínuos, a 8 de março de 1901, os cidadãos João Mariano da Costa Lobo e Antônio Ferreira Cesarino. O primeiro foi removido para o Instituto Agronômico do Estado, em 25 de novembro de 1925, e o segundo aposentado a 1.o de agosto de 1935, ambos zelosos cumpridores de seus deveres.

O prazo para inscrição de candidatos aos concursos das cadeiras vagas fora encerrado no dia 5 de junho, desse ano, sendo lavrado o respectivo termo pelo dr. Augusto Bueno, secretário, na presença do dr. Jorge de Miranda, diretor, e do dr. Antônio Álvares Lobo, fiscal do Governo Federal. Inscreveram-se ao todo 51 concorrentes, sendo 3 na cadeira de literatura, 7 em inglês, 6 em italiano, 6 em alemão, 3 em grego, 7 em aritmética e álgebra, 4 em mecânica e astronomia, 7 em história natural e 8 em história do Brasil.

No decorrer das provas dos concursos deram-se alguns pequenos incidentes, provocando protestos dos que se julgavam prejudicados. Estiveram suspensas as aulas, reabrindo-se os cursos a 27 de julho.

Perante a Congregação do Ginásio, achando-se presentes todos os lentes, com. exceção do dr. Eduardo Gê Badaró, tomaram posse no dia 14 de agosto os seguintes concorrentes classificados em 1.o lugar e que haviam sido nomeados por Decreto do dia 9 do mês: José Sttot (inglês), dr. Camilo Vanzolini (italiano), professor João Von Atzingen (alemão), dr. Henrique Augusto Vogel (grego), professor André Perez y Marin (aritmética e álgebra.), dr. Luís Bueno Horta Barbosa (mecânica e astronomia) e Basilio Magalhães (história do Brasil). O lente Bento Ferraz saudou, em nome da Congregação, os novos colegas, lembrando a união e a solidariedade como condições essenciais ao progresso da casa de ensino a que vinham prestar sua colaboração; respondeu o jovem e talentoso recipiendário Basilio Magalhães que, em oração concisa, afirmou os intuitos dos que ingressavam na grande missão de formar moral e intelectualmente a mocidade.

Após brilhantes provas de concurso a que se submeteram, foram empossados em suas respectivas cadeiras mais os seguintes novos catedráticos, nomeados pelo mesmo Decreto de 9 de agosto: dr. Henrique Maximiano Coelho Neto (literatura), em 17 desse mês, e dr. Francisco de Paula Magalhães Gomes (história natural), em 4 de setembro, os quais foram saudados, respectivamente, pelo dr. Abílio Alvaro Miller e Manuel Agostinho Lourenço.

Respondendo à saudação, disse Coelho Neto que agradecia à sua boa estréia ter vindo estabelecer sua tenda de trabalho nesta terra, onde encontrara aqueles dois elementos que ,no dizer de Taine, se tornam imprescindíveis à existência: um meio físico exuberante e uma corporação científica ilustre como o Ginásio de Campinas.

Ficou desta forma organizado o corpo docente do Ginásio de Campinas. Uma plêiade ilustre de professores, literatos e cientistas, constituíram o 1.o grupo de lentes catedráticos deste estabelecimento de ensino, cujo nome logo se irradiou por todo o país, no alto conceito de uma instituição modelar, pelo valor de seu corpo docente e pela sólida base que demonstravam seus alunos nos cursos superiores.

Em 14 de novembro desse ano de 1901, foi dispensado o professor contratado de ginástica, Cornélio Gasparini Vianello, cargo que vinha exercendo desde 22 de junho de 1897.

A cerimônia de colação de grau à 2.a turma de bacharelandos realizou-se a 1o. de janeiro de 1902, com numerosa assistência que deu ao ato um caráter solene. Receberam o grau de bacharel em ciências e letras os bacharelandos seguintes: José Bonifácio de Almeida Sales, aprovado com distinção, grau 12, nas matérias do 6.o ano; Paulo Correia de Melo, distinção, grau 12; Edmundo Pimenta, plenamente, grau 9; Francisco Pompeu de Camargo, plenamente, grau 6, e José Ferraz de Andrade, plenamente, grau 6.

 Foi presidida a sessão pelo diretor dr. Jorge de Miranda, que deu a palavra ao lente Basilio de Magalhães, representante da Congregação. O ilustre catedrático de história do Brasil proferiu um belíssimo discurso, saudando os bacharelandos e salientando o importante papel que deverão desempenhar na sociedade, como obreiros inteligentes do progresso pátrio. A seguir, fez uso da palavra o dr. Abílio Álvaro Miller que, na qualidade de paraninfo, produziu conceituosa oração. Em nome dos novos bacharéis falou José Bonifácio de Almeida Salles.

No ano de 1902 achavam-se matriculados, nos diversos anos do curso ginasial, 105 alunos. Em 18 de abril desse ano foi contratado, pelo prazo de 2 anos para a aula de ginástica, o professor Vicente de Vicq, em substituição ao professor Vianello.

Em visita de despedida compareceu ao Ginásio, em 28 de novembro, o dr. Jorge de Miranda. Reuniu-se a Congregação para render homenagem ao estimado ex-diretor que, por três anos, dirigiu o antigo Colégio Culto à Ciência e posteriormente o Ginásio, havendo-se sempre com muita competência e devotamento na nobre tarefa de orientar a educação da mocidade. Pouco tempo depois, a 13 de agosto de 1903, falecia em S. Paulo. Já nesse ano, o dia 4 de dezembro foi considerado feriado no Ginásio, em comemoração à data de 4 de dezembro de 1896 em que se deu a inauguração desta casa de ensino.

Os alunos do 6.o ano, que constituíam a 3.a turma de bacharéis e a 1.a de alunos que fizeram o curso completo, concluíram os exames em dezembro de 1902, com o seguinte resultado: Luis Faber, Ramiro Falque, Eugênio Décourt e Jorge Nogueira Ferraz, aprovados com distinção, grau 10; Sílvio de Morais Sales, plenamente, grau 9; Paulino Muniz Filho, simplesmente, grau 5. A sessão de colação de grau realizou-se a 8 de janeiro deixando de comparecer o bacharelando Jorge Nogueira Ferraz, por motivo de moléstia. Falou o diretor interino e paraninfo dr. Magalhães Gomes, aconselhando os alunos que haviam completado o curso secundário que não olvidassem jamais a fé — base indestrutível da verdadeira ciência. Por seus colegas, e substituindo o orador da turma Jorge Nogueira Ferraz, discursou o bacharelando Ramiro Falque. Em último lugar falou o representante da Congregação, dr. Álvaro Miller, cujo discurso produziu excelente impressão ao numeroso auditório.

Por Decreto de 7 de fevereiro, desse ano de 1903, foi nomeado para o cargo de diretor do Ginásio o dr. Adolfo Botelho de Abreu Sampaio, antigo deputado e republicano prestigioso. Tomou posse a 19 do referido mês, perante a Congregação que se reuniu sob a presidência do dr. Eduardo Gê Badaró.

Infelizmente, o dr. Abreu Sampaio não correspondeu às simpatias com que foi recebido, provocando seus atos administrativos uma luta com parte do corpo docente, que em outubro de 1904 fazia publicações pela imprensa em forma de censura pelo descaso com que o diretor tratava o regulamento. Deixou o cargo em 25 de novembro de 1905, por ter sido nomeado diretor da Repartição de Estatística e Arquivo do Estado de S. Paulo.

No ano letivo de 1903 matricularam-se no Ginásio 103 alunos, dos quais 27 no 1.o ano e 5 no 6.o ano. Em sessão cívica realizada a 19 de agosto desse ano, 7.o dia do falecimento do ex-diretor dr. Jorge de Miranda, o catedrático de psicologia e lógica dr. Abílio Alvaro Miller, fez o elogio fúnebre do falecido, cujo retrato foi então inaugurado no salão nobre como justo preito de gratidão.

Perante o diretor dr. Adolfo de Abreu Sampaio receberam o grau de bacharel em ciências e letras, os seguintes alunos que em 1903 concluíram o curso: José Fogaça de Almeida, João Batista Pompeu de Lacerda, José Antônio Vilas Boas e Antônio. de Arruda Camargo.

No ano de 1904 o Ginásio do Estado, em Campinas, deu apenas 2 bacharéis em ciências e letras: Godofredo Augusto de Pádua e Castro e Amleto de Cenzo. Os alunos Vitor Brenneisen e Domingos de Araujo, que também terminaram o curso, receberam o certificado de conclusão de estudos, com direito à matrícula nos cursos superiores. Não houve solenidade de colação de grau.

Para substituir o professor de ginástica, Vicente de Vicq, cujo prazo de contrato se findara, foi contratado em 27 de setembro de 1904 o professor Jorge Carlos Guilherme Hennings, que durante 32 anos ministrou com dedicação as aulas de educação física aos alunos do Ginásio. Por Decreto de 26 de agosto de 1936 permutou o cargo com o professor Alberto Krum.

No ano seguinte, 1905, matricularam-se 27 alunos no 1.o ano, 16 no 2.o, 18 no 3.o, e apenas 5 no 4.o.

O dr. Francisco de Paula Magalhães Gomes que regia com muita proficiência a 13.a cadeira — história natural e noções de antropologia, foi exonerado a pedido em 19 de dezembro de 1905.

Perante o diretor interino, dr. Eduardo Gê Badaró, receberam no dia 2 de janeiro de 1906 o diploma de bacharel em ciências e letras os alunos Leopoldo Crisóstomo de Castro Jr; e, Antônio Fernandes de Abreu. Nesse mesmo dia o professor Arnaldo de Oliveira Barreto foi nomeado diretor efetivo da Ginásio, havendo logo tomado posse do cargo, e assim a 15 do mês os demais alunos que terminaram o curso, Carlos Ribeiro Martins Leão, Estêvão Pucci Júnior e Paulino Muniz Filho, este da turma de 1902, já receberam seus diplomas das mãos do novo diretor.

O lente da 2.a cadeira - literatura, Henrique Maximiano Coelho Neto, que tanto abrilhantou a cátedra do Ginásio por mais de 4 anos, foi exonerado a pedido, por Decreto do Governo de 25 de abril de 1906. Para preencher a vaga, foi transferido em 9 de maio desse ano o lente da 1.a cadeira, professor Bento Ferraz, que era também grande conhecedor da matéria. O professor Bento Ferraz aposentou-se em data de 30 de agosto de 1934, transferindo-se para São Paulo, onde faleceu a 18 de abril de 1944.

Após brilhantes provas de concurso, tendo como competidores o dr. Raul Soares de Moura e professor Otoniel Mota, foi nomeado em 8 de outubro desse ano para a cadeira de português, o professor Américo Brasiliense Antunes de Moura que exercia o cargo de professor na antiga Escola Complementar desta cidade. O professor Américo de Moura, inteligente e estudioso, deixou o exercício da cadeira em 14 de abril de 1914, por ter sido nomeado lente da Escola Normal Secundária da Capital do Estado. (N.A.: O Dr. Raul Soares foi, posteriormente, eleito Governador do Estado de Minas Gerais)

Com a exoneração, a pedido, do dr. Francisco da Paula Magalhães Gomes, ficou vaga a cadeira de história natural e noções de antropologia, sendo então posta em concurso. Apresentaram-se 3 candidatos, havendo obtido melhor classificação o professor Francisco Furtado Mendes Viana, cuja nomeação para a referida cadeira se deu a 2 de julho de 1906. O professor Mendes Viana acumulou a direção interina do Ginásio, durante o afastamento por licença do diretor Arnaldo de Oliveira Barreto, não tendo conseguido eliminar certas dissensões entre alguns membros do corpo docente. Foi posto à disposição do Ministério da Agricultura por ofício do Governo de 12 de março de 1913, sendo exonerado, a pedido, por Decreto de 5 de abril de 1915.

Foi nomeado, a 19 de abril de 1906, para o lugar de contínuo, o cidadão Lécio Acioli, depois promovido a escriturário, em cujo cargo se aposentou na data de 14 de junho de 1940.

Em 2 de julho de 1907 faleceu no Rio de Janeiro onde se achava em tratamento numa casa de saúde, o dr. João Cesar Bueno Bierrenbach. Grande consternação provocou em sua terra natal a noticia do falecimento do insigne tribuno campineiro. No dia seguinte, 3 de julho, reuniu-se a Congregação do Ginásio, sendo resolvido unanimemente que se prestassem ao saudoso professor as homenagens devidas e se colocasse em sessão solene o seu retrato a óleo no salão nobre, no dia 2 de novembro. O dr. Cesar Bierrenbach muito elevou a cátedra de história geral, com suas sábias preleções; era um orador fluente que sobremaneira empolgava o auditório.

Era praxe, no fim de cada ano, reunir-se a Congregação do Ginásio para proceder a eleição dos oradores nas comemorações das datas nacionais, no ano seguinte. A escolha recaia geralmente no dr. Cesar Bierrenbach e no dr. Alvaro Miller, ambos oradores notáveis. Eram mais felizes em seus discursos, quando falavam de improviso.

O dr. Augusto Xavier Bueno de Andrade, que exercia o cargo de secretário desde a exoneração concedida ao dr. Antonio Rodrigues de Melo, faleceu em 11 de janeiro de 1907, achando-se antes no gozo de prolongada licença. Para preencher a vaga foi nomeado por Decreto de 14 de janeiro de 1907, o major Joaquim Ulisses Sarmento, diretor do jornal “Correio de Campinas”, entrando em exercício em 19 do mês.

O major Sarmento era muito estimado por todos, graças à sua delicadeza; substituiu os diretores Arnaldo de Oliveira Barreto, Francisco Furtado Mendes Viana, dr. Antônio Rodrigues Alves Pereira e dr. Amadeu Mendes, durante os períodos de licença dos mesmos, pautando seus atos com espírito de justiça. Por diversas vezes requereu licença, substituído sempre pelo incansável amanuense Benedito de Oliveira. Atingido pelo Decreto nº 6.634 de 30 de agosto de 1934, foi aposentado compulsoriamente, e faleceu em quarto particular da Santa Casa, de cuja mesa administrativa fazia parte, em 28 de setembro de 1938.

Depois de brilhante concurso a que se submeteu, foi nomeado em 16 de junho de 1908 o dr. José Augusto César para a cadeira de história universal, que se achava vaga com o falecimento do dr. César Bierrenbach. O dr. Augusto César era dotado de grande cultura, e não obstante o seu retraimento ao convívio dos colegas, era atencioso no trato particular. Havendo conquistado por concurso uma cadeira na Faculdade de Direito de S. Paulo, exonerou-se da cadeira de história universal, por Decreto do Governo de 18 de abril de 1927.

Em 2 de julho de 1908 faleceu o estimado funcionário Eusébio Pinto da Costa, que desde 26 de novembro de 1896 achava-se encarregado dos serviços da portaria do estabelecimento. Foi substituído pelo cidadão Brasílio Machado da Luz, nomeado a 21 daquele mês, havendo exercido dedicadamente o cargo até 30 de agosto de 1934, quando se aposentou.

A 6 de janeiro de 1909 realizou-se a solenidade de colação de grau aos bacharelandos Hugo Vasconcellos Sarmento, José Juliano Vanzolini, João de Castro Pupo Nogueira e Deoclésio Vieira da Silva Lemos. A sessão foi presidida pelo diretor professor Arnaldo de Oliveira Barreto, tendo comparecido o fiscal do Governo dr. Antônio Alvares Lobo, quase toda a Congregação do Ginásio e muitas famílias. Paraninfou a turma o dr. Abílio Alvaro Miller, que produziu um longo e conceituoso discurso. Falou em seguida o professor Bento Ferraz, representante da Congregação, e por fim o bacharelando João de Castro Pupo Nogueira.

O professor Manuel Agostinho Lourenço que vinha, desde o ano de 1901, regendo proficientemente a. cadeira de física e química, faleceu a 30 de janeiro de 1909, sendo seu retrato colocado no salão nobre como justa homenagem ao ilustrado professor.

Em 15 de abril desse ano, matricularam-se no 1.o ano do curso ginasial as primeiras alunas, as quais foram as seguintes: Dulce Pinheiro. Odete Pinheiro, Sebastiana Pereira Adôrno, Rosentina Faria de Aguiar, Margarida Pereira, Julieta Pupo Nogueira, Maria Noemie Décourt, Noêmia dos Santos Teixeira, Delmira dos Santos Andrade, Zuleika Cerqueira e Estela Cerqueira. A classe toda continha 66 alunos.

       Havendo conquistado a cadeira de física e química mediante concurso, foi o professor Aníbal Freitas (foto)  nomeado Dr. Aníbal Freitas lente catedrático em 24 de setembro de 1909, tomando posse em sessão da Congregação realizada a 8 de outubro.

O novo lente da 12.a cadeira foi saudado pelo dr. Alvaro Miller, a cuja alocução respondeu, agradecendo. No dia seguinte entrou, em exercício do cargo, sendo saudado pelo aluno do 6.o ano, José B. Gouveia, em nome da classe. Com o desdobramento da cadeira, foi nomeado, por Decreto do Governo de 24 de janeiro de 1929, para a cadeira de física, cujo cargo conservou até 28 de dezembro de 1937, quando optou pelo cargo de diretor do Ginásio, nos termos do Decreto Federal n. 24 de 29 de novembro de 1937.

O professor Anibal Freitas teve destacada atuação no Ginásio de Campinas, que será apreciada ao ser estudada a sua direção neste estabelecimento.

A turma de bacharelandos do ano de 1909, era constituída pelos alunos Clodomiro Ferreira Jorge, Eugênio Sbragia, Antônio Barbosa Amaral, Armênio Borelli, Herculano Loureiro de Almeida, Eugênio Maçon e José Berthaud Gouveia, os quais receberam das mãos do diretor professor Arnaldo Barreto o diploma de bacharel em ciências e letras.

Em 1910 matricularam-se 75 alunos no 1.o ano (2 classes), 65, no 2.o (2 classes), 41 no 3.o, 17 no 4.o, 9 no 5.o, e 14 alunos no 6.o ano. Dentre os 14 matriculados no 6.o ano, achavam-se as, alunas Valentina Lapa Penteado, Marina Maia, Maria Isabel do Amaral Martins e Laura Correia de Melo, sendo esta filha de José Vaz Pinto de Melo e natural de Avaré, e as outras três de  Campinas. Concluíram o curso de bacharelato 12 alunos, inclusive as 4 alunas referidas, sendo que as três primeiras fizeram os estudos no Colégio Progresso Campineiro e prestaram os exames finais no Ginásio. Foram as primeiras alunas que se bacharelaram por esta casa de ensino, recebendo o diploma no dia 31 de dezembro de 1910, das mãos do diretor interino, professor Francisco Furtado Mendes Viana.

Dias antes de ser iniciado o ano letivo de 1910, em 12 de abril, foi exonerado a pedido o lente da cadeira de latim dr. Eduardo Gê Badaró, que se transferiu para o Rio de Janeiro. O dr. Badaró muito concorreu para a formação do bom conceito do Ginásio de Campinas, desde os primeiros anos, acumulando, por diversas vezes o cargo de diretor interino.

Alguns dias depois, verificou-se mais outra vaga no corpo docente do Ginásio, com a remoção do lente catedrático de inglês, o  professor José Sttot, para igual cargo do Ginásio da Capital do Estado, por Decreto do Governo de 18 de abril desse ano, e no mês seguinte, a 16 de maio, o lente da cadeira de geometria e trigonometria, professor Ernesto Luís de Oliveira, era exonerado a pedido, transferindo-se para Curitiba, em cuja escola de engenharia foi lente. Com isso, perdeu o Ginásio de Campinas, dois valiosos elementos que tanto dignificaram as cátedras de que foram os primeiros detentores por concurso.

A fim de preencher as vagas que então se deram nas cadeiras de inglês e de geometria e trigonometria, foram abertas inscrições aos concursos dessas matérias, os quais se realizaram com toda regularidade no próprio estabelecimento, como os concursos anteriores.

Para a cadeira de inglês, foi nomeado em 2 de setembro de 1910 o professor Erasmo Braga, que seguiu a mesma trilha elevada de seu antecessor, pela cultura, dedicação e espírito de justiça. Foi exonerado, a pedido, por Decreto do Governo a 6 de julho de 1922.

O lente da 11.a cadeira — mecânica e astronomia, dr. Luis Bueno Horta Barbosa, foi posto em comissão doDr. Carlos Francisco de Paula Governo Federal a partir de 6 de setembro, não reassumindo mais o cargo no Ginásio, do qual foi exonerado, a pedido, em 9 de julho de 1925. O dr. Horta Barbosa possuía grande conhecimento de matemática, tendo sido substituído durante o longo período de afastamento, pelo professor André Peres y Marin, lente de aritmética e álgebra.

No dia 3 de novembro de 1910 iniciaram-se as provas do concurso para provimento da 10.a cadeira — geometria e trigonometria, que desde 16 de maio se encontrava vaga com a exoneração solicitada pelo professor Ernesto Luis de Oliveira. Achavam-se inscritos 9 candidatos, dos quais apenas 4 chegaram até a última prova, realizada a 11 desse mês, sendo classificado em 1.o lugar o engenheiro Carlos Francisco de Paula (foto), nomeado lente catedrático da referida cadeira por Decreto de 21 de novembro de 1910. Tomou posse perante a Congregação, reunida a 24 do mesmo mês, havendo sido saudado pelos lentes professor Basilio de Magalhães e drs. Abílio Alvaro Miller e Henrique Augusto Vogel.

   

CAP. V DIREÇÃO DOS DRS. ANTÔNIO RODRIGUES ALVES

PEREIRA E AMADEU MENDES.  ALTERAÇÕES

NO CORPO DOCENTE.

Em sessão da Congregação, especialmente convocada, tomou posse do cargo de diretor do Ginásio, a 19 de maio de 1911, o dr. Antônio Rodrigues Alves Pereira, removido de igual cargo do Ginásio de Ribeirão Preto, na vaga aberta pelo prof.  Arnaldo de Oliveira Barreto, que deixou o cargo em 3 de fevereiro desse ano. O dr. Rodrigues Alves Pereira caracterizou-se pelo tato administrativo, procurando dissipar as prevenções que havia entre os professores, principalmente por motivo de substituições nas cadeiras de ensino, prevenções essas que faziam freqüentemente agitadas as reuniões da Congregação. Conseguiu ainda do Governo do Estado que fossem executadas diversas reformas no prédio, como sejam a construção de uma sala para os professores, o aumento do salão nobre, instalações sanitárias, etc. cujos trabalhos foram projetados e dirigidos graciosamente pelo lente da 10.a cadeira. A biblioteca, que se achava localizada na sala da secretaria, continha em 1911 cerca de 1.200 volumes; graças aos desvelos do dr. Pereira, o número de volumes atingiu a 2.503 em 1914 e ficou a biblioteca bem instalada no salão nobre. Deixou o cargo em 4 de maio de 1917, quando foi removido para diretor do Ginásio Estadual da Capital.

Habilitado em concurso realizado no estabelecimento, foi nomeado lente da 7.a cadeira — latim, por Decreto de 28 de outubro de 1911, o dr. José Bento de Assis. O dr. Bento de Assis, que também advogava em Campinas, transferiu-se para o Ginásio de São Paulo, por Decreto de 17 de junho de 1933.

O lente da cadeira de história do Brasil, professor Basílio de Magalhães, foi declarado em comissão da Secretaria do Interior a partir de 14 de setembro de 1912; havendo terminado essa comissão em 30 de abril de 1921, obteve outras licenças e afinal considerado em comissão junto ao Governo do Estado de Minas Gerais a contar de 1.o de julho de 1923. Por despacho de 11 de outubro de 1938 foi aposentado. Durante os onze anos em que se manteve no exercício da cadeira, o professor Basílio se impôs à estima de seus colegas e à admiração de seus alunos, reunindo muita competência a apreciáveis qualidades didáticas.

O professor José Vilagelin Júnior, que vinha ministrando as aulas de desenho, como professor contratado desde 20 de julho de 1897, passou assim efetivo a partir de 12 de fevereiro de 1913. Faleceu o professor Vila, como era designado por seus colegas, em 20 de maio de 1920, no exercício do cargo, deixando fundas saudades ao corpo docente e administrativo do Ginásio, onde era muito estimado.

Por Decreto do Governo de 3 de fevereiro de 1913, transferiu-se para o Ginásio da Capital do Estado, o professor João Von Atzingen, que com proficiência e dedicação exerceu, desde 9 de agosto de 1901, o cargo de lente de alemão.

Para prover a cadeira, vaga com a remoção do professor Von Atzingen, foi nomeado em 28 de maio de 1913 o dr. Ernesto Kuhlmann, classificado em primeiro lugar em concurso. O dr. Kuhlmann era um espírito reto e combativo, tendo tomado parte muito ativa na política municipal. Exato no cumprimento do dever, soube dignificar a cátedra que ocupou por 24 anos, havendo ainda substituído alguns lentes. Faleceu no exercício do cargo em 26 de junho de 1937. A Congregação prestou-lhe merecida homenagem inaugurando seu retrato no salão nobre do Ginásio.

O cargo de Inspetor Federal que desde o ano de 1911 era exercido pelo dr. Jaime de Morais Sales, passou a sê-lo pelo dr. Almeirindo Meyer Gonçalves até 1918 quando foi nomeado o dr. Alcides da Costa Vidigal, cujos relatórios são o atestado eloqüente da correção que presidia aos trabalhos deste estabelecimento de ensino.

Foi provida por decreto de 20 de abril de 1914, a cadeira de português, com a remoção do prof. Otoniel Mota, do Ginásio de Ribeirão Preto. Autor de diversas obras didáticas de reconhecido valor, o prof. Otoniel fez-se merecedor da estima de seus colegas e de seus alunos. Deixou o exercício do cargo em 1º de julho de 1925, por haver permutado a cadeira com o prof. Benedito Sampaio, que exercia igual cargo no Ginásio de Ribeirão Preto.

A turma de bacharelandos de 1914, entre os quais se achavam as primeiras alunas que haviam freqüentado todo o curso ginasial, foi a seguinte: Margarida Pereira, Maria Noémie Décourt, Alice de Castro Pupo Nogueira, Joana Rangel de Alvarenga, Carolina de Sousa, Celina de Godoi Duarte, Maria Hennings, Clóvis Monteiro Peixoto, Arnaldo Paulo de Godoi, Juvenal Hudson Ferreira, Tabajara Casas Nogueira Pedroso e Horácio Aranha. O ato de entrega dos diplomas realizou-se no dia 6 de janeiro de 1915, havendo cada um dos bacharelandos prestado o compromisso regulamentar.

Com a exoneração do prof. Mendes Viana,  da cadeira de história natural, procedeu-se ao concurso da mesma, em que se apresentaram diversos candidatos. Foi classificado em 1º lugar o candidato Paulo Luís Décourt, que fizera o curso neste ginásio e se diplomara em farmácia; por decreto de 27 de julho de 1915 foi nomeado catedrático de história natural e noções de antropologia.

Extremamente estudioso o prof. Décourt elevou o nome da cátedra que conquistara, reunindo ao mais sólido preparo grande dedicação ao ensino. Por decreto de 19 de maio de 1934 foi removido para a mesma cadeira do Ginásio da Capital do Estado.

No ano letivo de 1915, matricularam-se ao todo 200 alunos, sendo 104 no 1º ano ( em duas classes), 63 no 2º ano (2 classes) 35 no 3.o ano, 23 no 4.o ano, 17 no 5.o e 16 no 6.o ano. Concluíram o curso 14 alunos.

O dr. Antônio Rodrigues Alves Pereira, que desde 19 de maio de 1911 vinha exercendo com grande tino administrativo o cargo de diretor, havendo conseguido melhorar a disciplina ginasial, foi removido em 4 de maio de 1917 para igual cargo no Ginásio de São Paulo, sendo então nomeado para a direção do estabelecimento o dr. Amadeu Mendes, que ocupava cargo idêntico no Ginásio de Ribeirão Preto. Felizmente o Ginásio de Campinas teve na pessoa do dr. Amadeu um diretor zeloso, que soube conquistar a estima do corpo docente e administrativo desta casa de ensino. Deixou o exercício do cargo em 22 de julho de 1927, quando foi nomeado Diretor Geral da Instrução Pública do Estado, sendo-lhe então prestada justa homenagem pela Congregação, que fez colocar seu retrato no salão nobre.

O dr. Amadeu Mendes esteve afastado por diversas vezes, em virtude de ter sido nomeado para exercer em comissão outros cargos, sendo sempre substituído pelo secretário Major Joaquim Ulisses Sarmento.

Em 16 de agosto de 1920 foi contratado Rui Martins Ferreira para exercer o cargo de professor de desenho, em que foi efetivado por Decreto de 24 de dezembro de 1925. Por Decreto de 3 de novembro de 1933 passou para igual cargo no Ginásio da Capital do Estado.

Nesse ano, 1920, matricularam-se apenas 167 alunos nos diversos anos, sendo 64 no 1.o ano (2 classes), 28 no 2.o, 21 no 3.o, 25 no 4.o, 22 no 5.o e 7 no último ano. Bacharelaram-se 6 alunos.

Em 1921 exercia as funções de Inspetor Federal junto ao Ginásio, o ilustre membro da Academia Brasileira de Letras, Alberto Faria. Já no ano seguinte achava-se investido nesse cargo o dr. Hugo Duarte de Arruda, que se manteve até 1928, agindo sempre com espírito de justiça.

Após as provas de concurso a que se submetera, foi nomeado lente da cadeira de inglês, por Decreto de 22 de março de 1923, o padre Luís Gonzaga van Woesich, da Congregação do Sagrado Coração. Natural da Bélgica, onde se ordenara, o padre Luís expressava-se bem em português e era um excelente professor. Dotado de apurada educação, fez-se logo estimado por todos os colegas, alguns de credo diferente, vindo a falecer em 20 de maio de 1929, após ligeira moléstia. A Congregação do Ginásio prestou-lhe as devidas homenagens, colocando seu retrato no salão nobre.

Em conseqüência de pertinaz moléstia, foi aposentado por Decreto de 12 de fevereiro de 1925, o dr. João Keating, lente da cadeira de francês. Profundo conhecedor da matéria que vinha lecionando desde o ano de 1900, era também o dr. Keating um perfeito cavalheiro, impecável até na maneira de se trajar. Faleceu em Paris, onde costumava passar o período de férias, havendo a Congregação do Ginásio homenageado sua memória.

Por decreto de 18 de junho de 1925 foi transferido do Ginásio de Ribeirão Preto, mediante permuta com o prof. Otoniel Mota, lente da cadeira de português, o prof. Benedito Sampaio, iniciando o exercício a 2 de julho. Muito modesto e culto, o prof. Sampaio impôs-se logo à estima de seus colegas e à admiração de seus alunos. Escreveu vários livros, destacando-se a Gramática Portuguesa, obra premiada pela Academia Brasileira de Letras. Por decreto do Governo, em 2 de setembro de 1938, obteve autorização para permutar o cargo com o prof. Francisco Ribeiro Sampaio, que exercia cargo idêntico na Escola Normal de Pirassununga a até agora (1946) vem ocupando com brilhantismo a cadeira que seu digno pai tanto enalteceu.

Em 1925 matricularam-se 271 alunos no curso ginasial, sendo 89 no 1º ano (2 classes), 77 no 2º ano (classe única), 31 no 3º ano, 27 no 4º, 32 no 5º e 15 no 6º ano; concluíram o curso de bacharelato 15 alunos.

O corpo de contínuos e inspetores de alunos, cuja missão precípua é auxiliar a diretoria e professores na manutenção da boa disciplina dentro do estabelecimento, foi por esse tempo acrescido por dois cidadãos: Miguel Cantareiro, nomeado por ato do Governo em 13 de setembro de 1921, sendo posteriormente em 23 de dezembro de 1941 promovido à escriturário; José Ferreira Braga, designado para exercer interinamente o cargo, por ato de 28 de novembro de 1925, ocupou o posto de 1º Inspetor de alunos, em que é valioso auxiliar do diretor; João Alves Correia, nomeado em 23 de dezembro de 1941 para o  cargo de escriturário; Bento Pereira nomeado em 27 de maio de 1929 aposentando-se em 17 de abril de 1943.

Em virtude da exoneração do Dr. Luis Bueno Horta Barbosa, da cadeira de mecânica e astronomia, em 9 de julho de 1925, o professor André Perez y Marin que o vinha substituindo com toda proficiência desde 15 de agosto de 1910, requereu ao Governo do Estado sua transferência para esta cadeira, no que não foi atendido. O professor Perez, apesar de contar então com 68 anos de idade, submeteu-se às provas do concurso e foi nomeado por decreto de 2 de dezembro de 1926, continuando a reger interinamente a cadeira de aritmética e álgebra. Pouco tempo depois, em 16 de outubro de 1928, falecia inesperadamente o estimado professor Perez, cujo nome perdurará no Ginásio de Campinas, em cujo salão nobre foi colocado seu retrato, como modelar no cumprimento do dever. De uma assiduidade jamais igualada, passou 16 anos consecutivos sem dar sequer uma falta! Seus funerais constituíram uma verdadeira apoteose tributada principalmente pelos alunos. A beira do túmulo, falaram o distinto bacharelando Celso Soares Couto, em nome dos alunos, e o professor Bento Ferraz em nome do corpo docente. Era o professor Perez y Marin natural da província de Logronho (Espanha); escreveu diversas obras didáticas de matemática, que lograram muita aceitação nos principais estabelecimentos de ensino do país. (N.A. Pelo menos até a década de 70 seu nome era designado a uma das salas de aula, do corredor inferior da escola).

Tendo sido criada no curso ginasial a cadeira de instrução moral e cívica, foi nomeado para a mesma, após aprovação em concurso, o Dr. Aristides Secundino de Sousa Lemos,. por Decreto de 9 de dezembro de 1926. O Dr. Aristides de Lemos, que também advogava em Campinas, deu brilhante desempenho ao cargo, sendo quatro anos mais tarde posto em disponibilidade, em virtude da supressão da referida cadeira do currículo ginasial.

Ao Dr. Amadeu Mendes, nomeado Diretor Geral do Ensino, sucedeu na direção do Ginásio o professor Antônio Firmino de Proença, cuja nomeação data de 10 de novembro de 1927. O professor Proença esteve no exercício do cargo por alguns meses apenas, porquanto dele se afastou a 10 de maio do ano seguinte, por ter sido nomeado Inspetor Geral do Ensino. Foi então nomeado para exercer interinamente o cargo de diretor, o lente da 12.a cadeira — física e química, o professor Anibal Freitas, que entrou em exercício a 11 de maio.

Para a cadeira de francês, que se achava vaga com a aposentadoria do Dr. João Keating, foi nomeado o Doutor Armando de Sousa Dinis em 12 de abril de 1928, após as provas de concurso a que se submetera. Dotado de excelente cultura, o Dr. Dinis deixou a regência da cadeira em 29 de julho de 1934, quando foi nomeado lente interino de química no Ginásio da Capital do Estado.

Por Decreto de 20 de dezembro de 1928 obteve sua remoção para a cadeira de mecânica e astronomia o Doutor Vanderico Gonçalves Pereira, lente da mesma cadeira no Ginásio de Ribeirão Preto. Conservou-se grande parte do tempo afastado, em gozo de licença, sendo substituído pelo lente da 10.a cadeira, prof. Carlos F. de Paula. Por Decreto de 3 de julho de 1930 foi-lhe concedida a exoneração que havia solicitado.

                                               Em 30 de dezembro de 1928, perdeu o corpo docente do Ginásio um de seus mais destacados elementos, o dr. Abílio Álvaro Miller, lente da cadeira de psicologia e lógica. O dr. Miller, pelo fulgor de sua palavra e de sua cultura, deixou um rastro luminoso nesta casa de ensino, para cujo renome muito contribuiu desde os primeiros tempos. A Congregação rendeu-lhe merecido preito de homenagem, inaugurando seu retrato no salão nobre.

Por Decreto de 2 de maio de 1929 foi nomeado catedrático de aritmética e álgebra o dr. Ernesto Luís de Oliveira Júnior, engenheiro civil, filho do antigo lente de geometria e trigonometria. O dr. Ernesto de Oliveira Júnior, demonstrara sua competência nas provas do concurso para preenchimento da cadeira, sendo digno sucessor do saudoso professor Perez y Marin. Por ato do Governo de 18 de junho de 1935, foi posto em comissão junto à Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras do Rio de Janeiro.

O lente da cadeira de geografia e cosmografia, dr. Gustavo Enge, que tomara posse a 12 de novembro de 1896, ainda antes da inauguração oficial do Ginásio, foi aposentado por Decreto de 8 de maio de 1930. O dr. Enge, natural da Suécia, era grande conhecedor de geografia e história, e não obstante suas peculiaridades, gozava de muita estima de seus colegas, que lhe tributaram a justa homenagem da colocação do retrato no salão da Congregação.

Para a cadeira de filosofia foi nomeado, após brilhantes provas de concurso, o padre dr. José Castro Neri, por Decreto de 24 de julho de 1930. Grande brilho deu à cadeira o padre Castro Neri durante os três anos de sua regência; foi removido a pedido em 19 de dezembro de 1933 para o Ginásio da Capital do Estado.

Achando-se vaga a cadeira de inglês, com o falecimento do sempre lembrado padre Luís Gonzaga, foi aberto o concurso para provimento da mesma, apresentando-se apenas o dr. Carlos de Araújo Pimentel, que foi aprovado. A sua nomeação data de 25 de setembro de 1930, e continua ainda a dignificar a cátedra que conquistou merecidamente.

No ano de 1930 achavam-se desdobrados os dois primeiros anos, com 93 alunos matriculados no 1.o ano e 102 no 2.o; no 3.o ano matricularam-se 74 alunos; no 4.o ano (em 2 séries), 91 alunos; no 5.o e 6.o ano 56 e 43 alunos, respectivamente, sendo que no 6.o ano foram todos aprovados. O total de alunos matriculados atingiu ao elevado número de 459.

Por Decreto n.o 19.426 de 24 de novembro de 1930, os alunos aprovados no 5.o ano teriam concluído o curso ginasial. Ficou então eliminado o 6.o ano e extinto o diploma de bacharel em ciências e letras. Entretanto, os alunos que cursavam o 5.o ano tiveram mantido seus direitos ao bacharelato, podendo concluir o curso ginasial em 1931. Em sessão da Congregação realizada a 12 de janeiro de 1932, colaram grau os seguintes bacharelandos que completaram o 6.o ano: José Gomes, Francisco Moretzohn de Arruda Camargo, Renato Schroeder, Roberto Perrier e Paulo Amaral. Foi a última turma de bacharéis em ciências e letras pelo Ginásio do Estado em Campinas.

   

CAP. VI DIREÇÃO DO PROFESSOR ANIBAL FREITAS.

FREQÜENTES­ ALTERAÇÕES NO CORPO DOCENTE.

REFORMAS E AMPLIAÇÕES NO EDIFÍCIO DO GINÁSIO,

ATUALMENTE COLÉGIO ESTADUAL.

   

Por ato do Governo, datado de 5 de maio de 1928, foi nomeado para exercer o cargo de diretor interino, o professor Anibal Freitas, lente da cadeira de física e química, entrando em exercício a 11 desse mês.

Não obstante achar-se em caráter interino na direção do Ginásio, o professor Anibal Freitas teve atuação decidida no sentido de corrigir diversas falhas existentes neste estabelecimento de ensino, principalmente a deficiência de salas de aulas.

Graças a seus desvelos, nesse ano de 1928 foram construídos o anfiteatro de física e duas arejadas salas de aulas, bem como melhorados o gabinete de física e o laboratório de química com a aquisição de novos aparelhos.

Além dessa diligência no sentido de melhorar as condições materiais e pedagógicas do estabelecimento, o prof. Anibal Freitas não tinha meças de sacrifício para conservar o bom nome do tradicional “Culto à Ciência”, pautando todos seus atos pelo espírito de justiça, assegurando a ordem e a disciplina, fazendo assim jus à estima de professores, funcionários administrativos e alunos. Não obstante contar tempo de sobra para a aposentadoria, ainda continua, para felicidade do atual Colégio Estadual, à testa de sua direção.

A Câmara Municipal, no intuito de incentivar o estudo das matérias fundamentais do curso ginasial — português, aritmética e história do Brasil, instituiu em 1929 prêmios em dinheiro aos alunos que mais se distinguissem nessas disciplinas - Em 11 de janeiro de 1930 receberam prêmios os alunos: Luís Vénere Décourt — prêmio Culto à Ciência (português); Mário Vieira da Cunha — prêmio Bernardino de Campos (História do Brasil); Luís Vénere Décourt e Gervásio Mourão Alvares Morales — prêmio Cesário Mota (aritmética). A aluna Cira Aparecida Vieira obteve o prêmio Perez y Marin, medalha de ouro, oferecida pelo lente da 10.a cadeira ao aluno mais aplicado na matéria de que fora catedrático o saudoso professor do Ginásio.

No fim do ano Letivo de 1930, a 4 de dezembro, foram premiados os seguintes alunos: Vítor Dias da Silveira — prêmios Culto à Ciência e Bernardino de Campos; Carlos Pimenta de Campos e Vítor Dias da Silveira — prêmio Cesário Mota; Paulo Dias da Silveira — prêmio Perez y Marin.

No curto período de 25 de janeiro de 1931 a 6 de fevereiro seguinte, voltou ao exercício de diretor efetivo o dr,. Amadeu Mendes, aguardando a aposentadoria, após o que reassumiu, a 14 de fevereiro, a direção interina o professor Anibal Freitas, em cujo cargo foi efetivado por Decreto de 21 de agosto de 1931.

Pelo Decreto n. 5.117 de 20 de julho de 1931, que deu regulamento aos ginásios oficiais do Estado, ficou o ensino ginasial constituído por dois cursos seriados: — o fundamental e o complementar. Para o curso fundamental foram aproveitadas os lentes que já pertenciam ao corpo docente, sendo então feitas diversas nomeações para os novos cargos.

Para exercer interinamente a cadeira de ciências físicas e naturais, foi nomeado o professor Jorge Nogueira Ferraz, em 24 de julho de 1931. Dotado de boas qualidades didáticas, o professor Jorge Nogueira, que era diplomado por este Ginásio, não deslustrou a cadeira e foi aposentado, por motivo de moléstia, por Decreto de 23 de janeiro de 1942, no cargo de professor da Escola Masculina Noturna de Campinas.

Em 31 de julho desse ano, foi contratada pelo Governo do Estado, para exercer o cargo de professora de música, d. Alice Monteiro Brisola, professora dedicada e competente, que ainda continua no exercício do cargo.

Para a cadeira de geografia e cosmografia, que se achava vaga com a aposentadoria do dr. Gustavo Enge foi transferido por Decreto de 16 de agosto de 1933, o dr. Mário de Assis Moura, lente da mesma cadeira no Ginásio de Ribeirão Preto. Tendo ocupado com proficiência a nova cátedra durante quase seis anos, foi aposentado em data de 16 de maio de 1939.

O professor João Dutra, que se achava encarregado das aulas de desenho no Ginásio oficial de Tatuí, foi removido para o Ginásio de Campinas, em 3 de novembro de 1933, na vaga aberta com a remoção do professor Rui Martins Ferreira. Hábil artista e dedicado professor, poucos anos se demorou o professor Dutra neste Ginásio, sendo comissionado para exercer o cargo de professor de desenho na Escola Normal de Piracicaba, em cujo cargo foi efetivado por Decreto de 10 de outubro de 1943.

Em data de 18 de dezembro de 1933 foi nomeado para o cargo de lente em comissão, da cadeira de história da civilização, o professor Alcindo Muniz de Sousa. Por despacho de l.o de outubro de 1938 foi nomeado para exercer em comissão o cargo de Inspetor do ensino normal e secundário, deixando a 5 desse mês esta casa de ensino, onde granjeou muita simpatia.

Para o cargo de preparadora da cadeira de física foi nomeada, por Decreto de 28 de fevereiro de 1934, a bacharela por este Ginásio, Ester Perez Velasco, filha do saudoso professor André Perez y Marin.

Achando-se vaga a cadeira de história natural, com a remoção do emérito professor Paulo Luís Décourt, para o Ginásio da Capital, foi designado em 20 de junho de 1934, para prover interinamente a cadeira, o farmacêutico Antônio Nogueira Braga, que já pertencia ao corpo docente de outros colégios de Campinas. O professor Antonio Nogueira Braga ministrou com proficiência as aulas da cadeira que lhe fora confiada, no decorrer de um decênio, sendo dispensado por Decreto de 17 de outubro de 1944.

Em 20 de julho desse ano, foi nomeado o professor Jorge do Rego Freitas para exercer, em caráter interino, o cargo do lente de química, exonerando-se, a pedido, por despacho de 20 de abril do ano seguinte.

Havendo o catedrático de francês, dr. Armando de Sousa Diniz, se transferido em comissão para o Ginásio de S. Paulo, foi nomeado em 26 de julho de 1934 o professor Miguel Homem Pinto de Carvalho para substituí-lo na regência da cadeira. Habilitado em concurso para a cadeira de latim, foi o professor Miguel de Carvalho em data de 2 de julho de 1936, designado para reger esta disciplina no curso complementar, extinto por Decreto Federal de 19 de janeiro de 1938. Deu grande lustre ao ensino na regência dessas duas cadeiras, e seu falecimento que ocorreu a 29 de agosto de 1934, produziu profunda consternação.

Para a vaga do cargo de porteiro, em conseqüência da aposentadoria de Brasílio Machado da Luz, foi nomeado por ato do Governo de 4 de outubro de 1934, o cidadão Crispiniano Cruz, que já se achava em exercício desde o dia 17 do mês anterior, e vem desempenhando o cargo com  toda diligência.

         Com a aposentadoria do major Joaquim Ulisses Sarmento, que desde 10 de janeiro de 1907 vinha exercendo o cargo de secretário, foi nomeado o antigo e prestante amanuense Benedito de Oliveira para preencher em caráter interino a vaga. Pouco tempo depois, fez o Governo do Estado ato de inteira justiça, efetivando-o no cargo de secretário, por Decreto de 6 de dezembro de 1934. Nomeado para o cargo de contínuo a 25 de novembro de 1896, em época anterior à inauguração deste Ginásio, foi promovido por Decreto de 16 de dezembro de 1912 para o posto de amanuense, encontrando-se a grande folha de serviço de Benedito de Oliveira em cada livro do numeroso arquivo do Colégio Estadual de Campinas.

Para o novo cargo de bibliotecário, criado pelo Governo em cada Ginásio estadual, foi designada a professora Lourdes Maria Schreiner Anderson, que entrou em exercício a 5 de fevereiro de 1935. Exonerada, a pedido, em 6 de setembro de 1938, sucedeu-lhe d. Otávia Maia de Freitas Guimarães, nomeada em caráter interino por ato do Governo de 17 de junho de 1938, sendo efetivada em 10 de janeiro de 1942, e ainda continua a exercer com reconhecido zelo e solicitude o cargo de bibliotecária. (N.A. d.Otávia Maia ficou à frente da biblioteca por mais de 20 anos.)

Por ato do Governo de 14 de fevereiro de 1935, foi nomeado para a cadeira de latim, como lente interino, o professor Benevenuto Figueiredo Tôrres, que permaneceu durante quatro anos na regência proveitosa da cadeira, sendo dispensado por Decreto de 27 de junho de 1939.

Para reger interinamente a cadeira de química, que então se encontrava vaga, foi designado o professor da Escola Normal de Campinas, João Fiorello Reginato, por ato governamental de 2 de maio de 1935. Professor de grande mérito, esteve em exercício até 28 de dezembro de 1937, quando fora atingido pela lei das acumulações.

A cadeira de matemática era regida por dois catedráticos, dr. Ernesto Luis de Oliveira Júnior e dr. Carlos Francisco de Paula, titulares que foram respectivamente das cadeiras de aritmética e álgebra e as de geometria e trigonometria. Com o afastamento do dr. Ernesto Luís de Oliveira Júnior, foi nomeado para substituí-lo o professor Benjamin de Oliveira e Sousa, em 7 de agosto de 1935. Por despacho de 2 de janeiro de 1945, foi o professor Benjamin contratado para dar as a aulas extraordinárias de matemática, a partir de 1.o de novembro de 1944, merecido prêmio pela sua dedicação e esforço no cumprimento do dever.

O                                                                                                 O farmacêutico Eugênio Bulcão, que desde o início do ano letivo de 1898 vinha exercendo escrupulosamente o cargo de preparador de física, química e história natural, obteve aposentadoria em 24 de setembro de 1935, sendo então nomeado o professor Olavo Cintra de Andrade a 1.o de outubro desse ano para o lugar de preparador interino de química. Por ato de 27 de agosto de 1941 foi o professor Olavo Cintra designado para substituir o professor Jorge Nogueira Ferraz durante o seu afastamento por licença, o que é bem a prova de sua competência. Por despacho de 2 de janeiro de 1945, foi dispensado da regência da cadeira de ciências físicas e naturais. Em 20 de janeiro de 1936 foi nomeado para o cargo de preparador de história natural o professor Cirilo da Silva Ramos, antigo aluno do Ginásio, continuando com dedicação no exercício do cargo.

Matricularam-se 429 alunos no ano letivo de 1935, sendo 100 alunos em cada um dos primeiros anos; 85 tanto no 3.o como no 4.o ano, e 59 no 5.o ano, todos constituídos por duas classes.

Exercia o cargo de Inspetor Federal, desde o ano de 1931, o dr.Ernesto Mendonça de Carvalho Borges, espírito reto e escrupuloso. Em 1937 assumiu esse cargo o dr. Jair Leite da Silveira que cumpriu suas atribuições com inexcedível zelo e permaneceu no cargo até o ano de 1943, quando apresentou seu pedido de exoneração.

Por ato do Governo de 3 de abril de 1936, foi nomeado o lente da Escola Normal de S. Carlos, dr. Duílio Ramos, para exercer em comissão o cargo de lente da cadeira de geografia e cosmografia, durante o impedimento do dr. Mário de Assis Moura, por motivo de licença. Por Decreto de 31 de outubro de 1939, foi removido por concurso, de conformidade com o Decreto n. 7.684 de 20 de março de 1936, para o cargo de lente efetivo da referida cadeira.

Para o Curso Complementar, criado pelo Decreto n. 5.117 de 20 de julho de 1931, foram nomeados por ato de 2 de julho de 1936 os seguintes professores: dr. José Proença Pinto de Moura, para reger a cadeira de biologia geral; cônego dr.. Emílio José Salim, para a cadeira de psicologia e lógica; professor Nelson Omegna, para a cadeira de literatura, e dr. Carlos Lencastre para a cadeira de economia e estatística. No dia 8 desse mês, foram nomeados mais os seguintes professores: dr. Anfilófio de Melo, para a regência da cadeira de higiene; Amélio Guariento, para a cadeira. de filosofia e sociologia; João Dias da Silveira, para a cadeira de geografia.

O Curso Complementar ficou constituído por excelentes professores, mas em conseqüência do número diminuto de alunos, foi extinto por Decreto Estadual n. 8.923 de 19 de janeiro de 1938.

O professor de ginástica da Escola Normal de Casa Branca, Alberto Krum permutou, por Decreto de 26 de agosto de 1936, o seu cargo com o professor Jorge Carlos Guilherme Hennings que desde 1904 vinha ministrando as aulas de ginástica no Ginásio de Campinas. O professor Alberto Krum tomou posse a 2 de setembro do referido ano, e ainda continua no exercício do cargo, em que se tem revelado um grande animador de esporte na mocidade.

Por ato do Governo de 16 de outubro de 1937, foi designado o professor Inácio de Carvalho Landell para substituir o professor de desenho João Dutra, que se achava em comissão na Escola Normal de Piracicaba. Por Decreto de 10 de maio de 1944 foi efetivado por concurso, nos termos do art. 34 do Decreto lei 12.932 de 9 de setembro de 1942.

Os professores Anibal Freitas, diretor do Ginásio, e João Fiorello Reginato, lente da Escola Normal oficial, que regiam respectivamente as cadeiras de física e de química, deixaram esses cargos no dia 28 de dezembro de 1937, em virtude do Decreto Federal n. 24 de 29 de novembro de 1987, que não permite acumulações. Para a cadeira de química foi nomeado em caráter interino, por ato do Governo de 18 de abril de 1938, o professor Manuel Basílio Moreira de Barros, que tomou posse a 26 desse mês. O professor Basílio de Barros continuou a reger a cadeira com o brilhantismo de seus predecessores e foi efetivado por concurso, nos termos do art. 34 do Decreto-lei n. 12.932, recebendo merecido prêmio de sua inteligência e dedicação.

Para reger interinamente a cadeira de física foi designado, por ato do Governo de 25 de junho desse ano, o professor Hermínio de Oliveira e Sousa, que fizera o curso neste ginásio. Por despacho de 12 de julho de .1944 foi dispensado da regência interna da referida cadeira, na qual se houve com muito zelo e critério.

Por Decreto de 2 de setembro de 1938 foi concedida autorização ao professor Benedito Sampaio, catedrático de português, para permutar a cadeira com seu digno filho professor Francisco Ribeiro Sampaio, lente da mesma cadeira na Escola Normal de Pirassununga, conquistada por concurso prestado na Escola Normal de São Paulo, em 1.o de agosto de 1934. A 10 de setembro de 1938 entrou em exercício no Ginásio o professor Francisco Sampaio, que tem sabido manter o ensino da importante cadeira com o mesmo brilhantismo e proficiência de seu ilustre progenitor.

Durante o impedimento do catedrático de história da civilização, professor Alcindo Muniz de Sousa, posto em comissão no exercício do cargo de inspetor do ensino normal e secundário, foi nomeada, por ato do Governo de 4 de outubro de 1938, a professora Maria Ferrante para exercer em comissão o cargo da referida cadeira. Por Decreto de 13 de fevereiro de 1940, foi removida, a pedido, para reger a cadeira de idêntica disciplina no Ginásio Estadual de Itapira.

    Os antigos lentes catedráticos drs. Camilo Vanzolini e Henrique Augusto Vogel, cujas cadeiras já haviam sido suprimidas do curso ginasial, foram aposentados em data de 11 de outubro de 1938. Eram membros da “velha guarda”, pois ingressaram ambos no corpo docente do Ginásio a 14 de agosto de 1901, após brilhantes provas de concurso das respectivas cadeiras — italiano e grego, em que conquistaram a melhor classificação. Pela cultura e devotamento ao ensino, muito concorreram para elevar o bom nome do Ginásio de Campinas, que em certa época era considerado um dos mais notáveis dentre os estabelecimentos de ensino secundário do Brasil.

Com a aposentadoria do dr. Vogel, que vinha dando as aulas extraordinárias de português, foi designado por ofício da Superintendência do Ensino Secundário, datado de 14 de outubro de 1938, o professor Adalberto Prado Silva para ficar com o encargo dessas aulas, entrando em exercício a 17 do mês. Por Decreto de 29 de agosto de 1944 do Interventor Federal, foi contratado o professor Adalberto para as referidas aulas extraordinárias, a contar de 15 de março desse mesmo ano, no que continua dando mostras de grande zelo e competência.

Assumiu a 12 de abril de 1939 o cargo de professora interina de educação física, a professora Nair Rodrigues, nomeada por ato do Governo em 4 desse mês. Muito esforçada, não obstante ser ainda jovem, foi declarada à disposição do Departamento de Educação Física a contar de 1.o de setembro de 1942, quando foi substituída pela professora Jurema Leme Rodrigues, nomeada como extranumerária até 31 de dezembro desse ano. No ano seguinte foi substituída pela professora Iracema França, por ato da Secretaria da Educação de 26 de abril. Finalmente, por Decreto de 20 de março de 1945 a professora Nair tornou-se efetiva por concurso, nos termos do Decreto-lei 12.932, tomando posse a 4 do mês de abril. Havendo solicitado licença, foi designada a professora Prescila Silveira para substituí-la, a partir de 18 de setembro de 1945.

A cadeira de latim, que havia sido posta em concurso, foi após algum lapso de tempo provida com a nomeação do professor Francisco Galvão de Castro, classificado em 1.o lugar. O Decreto de nomeação data de 27 de junho de 1939, realizando-se a posse no cargo a 13 de julho. Espírito lúcido e culto, o professor Galvão logo se impôs à consideração dos colegas e alunos.

A 7 de junho de 1940 tomou posse, como lente substituto da cadeira de história da civilização, o dr. Murilo de Campos Castro, durante o afastamento do professor .Alcindo Muniz de Sousa. Por Decreto de 6 de fevereiro de 1942 foi nomeado o dr. Murilo para reger interinamente a referida cadeira, da qual foi exonerado a pedido, por Decreto de 13 de abril de 1944, havendo dado cabal desempenho como membro do corpo docente do estabelecimento, do qual fora aluno.

No ano de 1940 achavam-se desdobradas todas as séries, registrando o livro de matrículas 100 alunos na 1.a série; 96 na 2.a; 100 na 3.a; 84 na 4.a e 63 na 5.a série, no total de 443 alunos.

A lei orgânica do ensino secundário, de 9 de abril de 1.942, Decreto-lei n. 4.244 do Governo Federal, estabeleceu as bases de organização do ensino secundário, sua estrutura e diversas outras disposições. O ensino secundário seria ministrado em dois ciclos, o primeiro de 4 anos, formando o curso ginasial, e o segundo de 3 anos, compreendendo dois cursos paralelos: — o clássico e o científico.

Os estabelecimentos de ensino secundário ficaram constituídos de dois tipos: o ginásio, destinado a ministrar apenas o curso do 1.o ciclo, e o colégio, em que além do curso ginasial, seriam ministrados os dois cursos próprios do 2.o ciclo.

Pelo Decreto-lei n. 4.245, da mesma data de 9 de abril, foram considerados como colégios os estabelecimentos de ensino secundário que mantinham naquela data, sob inspeção federal, o curso fundamental e o curso complementar de acordo com o decreto n. 21.241 de 4 de abril de 1932. O Ginásio de Campinas enquadrava-se nesta situação, passando assim a denominar-se Colégio Estadual de Campinas.

Para ministrar as aulas extraordinárias de francês foi contratada a professora Maria Júlia de Barros Toledo, a partir de 14 de abril de 1943. Por despacho de 29 de fevereiro do ano seguinte, foi nomeada para exercer interinamente o cargo de professora da cadeira, a contar de 21 de setembro de 1943. Aluna distinta que foi do Ginásio, exerceu proficientemente o cargo de professora; foi exonerada a 15 de fevereiro de 1945. A regência da cadeira ficou a cargo da professora Iracema Rosa dos Santos, removida da Escola Normal de Casa Branca, havendo entrado em exercício a 15 de março.

As aulas de latim, excedentes do limite permitido ao respectivo catedrático, ficaram a cargo da professora Lucí de Melo Braga, que também fora aluna aplicada do Ginásio. Entrou em exercício a 18 de maio de 1942, havendo dado bom desempenho à missão que recebera, e foi dispensada em 6 de agosto do ano seguinte. Assumiu então a regência dessas aulas o professor Hernani Grimaldi, contratado por Decreto de 7 de outubro, exercendo dedicadamente o cargo até 3 de abril de 1945.

Foram contratadas, em junho de 1942, as professoras Jaci Alves Coelho e Ester de Salvo para se encarregarem das aulas respectivamente de economia doméstica e de trabalhos manuais, da secção feminina.

Com a instalação do 2.o ciclo — curso colegial, foram feitas diversas nomeações para as novas cadeiras. Para reger a cadeira de espanhol foi designado, em data de 17 de maio de 1943, o professor Ernesto Tem de Barros, sem prejuízo de seus vencimentos de professor de francês na Escola Normal de Tatuí. Competente e circunspeto, o professor Barros se manteve em exercício até 24 de outubro do ano seguinte, quando foi removido para a Escola Caetano de Campos, passando as aulas a serem ministradas pela professora Deolinda Vila Nova Soeira, cujo contrato data de 23 de janeiro de 1945.

Para reger a cadeira de filosofia, foi contratado o dr. Enéas Ribas de Almeida, que entrou em exercício a 19 de abril de 1943, e ainda continua com reconhecida proficiência a ministrar essas aulas. Nessa mesma data, 19 de abril, ficou à disposição do Colégio Estadual de Campinas, a professora Mercedes Leite Ribeiro, com o encargo da cadeira de grego. Posteriormente foi contratada, por Decreto de 29 de agosto de 1944, para a regência da cadeira a que vem emprestando o fulgor de sua inteligência.

A instrução pré-militar, cujas bases foram estabelecidas por Decreto-lei n. 4.642 de 2 de setembro de 1942, tornou-se obrigatória para os alunos do sexo masculino, de idade compreendida entre 12 e 16 anos, matriculados no curso ginasial. Todos os estabelecimentos de ensino, com mais de 50 alunos na idade referida, ficaram obrigados a manter um centro de instrução pré-militar, com instruções designadas pelo comandante da respectiva Região Militar. Para instrutor no Colégio Estadual de Campinas foi nomeado, a 25 de maio de 1943, o 2.o sargento Jair Pires de Camargo.

Pela Divisão do Ensino Secundário foram designados para as funções de Inspetores Federais, junto ao Colégio Estadual, os drs. Antônio David Vicente e António Raia, respectivamente em 1.o de outubro de 1942 e 7 de julho de 1943, os quais continuam com zelo e alto critério a exercer seus cargos. Desde 20 de abril deste ano ficou à disposição do Colégio, por ato do Governo, d. Noêmia de Melo Oliveira, que vem prestando bons serviços à secretaria do estabelecimento.

Com a instalação de diversas classes novas, tornou-se deficiente o número de salas de aula, chegando até a ser aproveitada uma parte do salão nobre para esse fim - A construção nesse ano de 1943, de um pavilhão ligado ao corpo principal do edifício, contendo 4 amplas salas, regularizou a situação. Foi também reformada a instalação elétrica, ampliadas as instalações de higiene, etc, melhoramentos estes devidos à diligência do esforçado diretor, professor Anibal Freitas, junto ao Governo do Estado.

Em 11 de julho de 1944 foi nomeado por concurso para a cadeira de física, nos termos do art. 34 do Decreto-lei n. 12.932 o professor Moacir Santos de Campos, entrando em exercício a 13 do mês O professor Moacir continua a conservar o bom nome de que goza a cadeira de física deste Colégio, onde fizera com brilhantismo seu curso Secundário.

Na mesma data 11 de julho, foi nomeada por concurso, nos termos do referido Decreto, para exercer o cargo de professora de história geral e do Brasil, a professora Maria Aparecida Pantoja que entrou em exercício a 27 do mês.

Foram contratados para as aulas extraordinárias os seguintes professores: dr. Alfredo Ribeiro Nogueira, para geografia, no período de 8 de maio a 30 de junho de 1944; professora Maria Afonso Ferreira, para história geral a partir de 1º de julho desse ano; professora Dora Grandinetti para geografia, a partir de 18 de julho; a professora Célia Morais Siqueira, para inglês, a contar de 6 de junho, tomando posse a 3 de outubro.

De conformidade com o Decreto-lei n. 12.273 de 28 de outubro de 1941, obteve, sua aposentadoria em data de 18 de abril de 1944, o professor Carlos Francisco de Paula, catedrático de matemática, mediante concurso da cadeira de geometria e trigonometria, realizado entre os dias 3 e 11 de novembro de 1910. Por esse motivo, foi lhe prestada no dia 10 de maio de 1944 uma carinhosa homenagem da parte da diretoria, corpo docente e dos alunos estabelecimento de ensino, além do pessoal administrativo. Às 15 horas realizou-se no salão nobre uma sessão solene presidida pelo diretor professor Anibal Freitas, que disse solidarizar-se com satisfação à homenagem; em seguida falou em nome do corpo docente o prof. Francisco Ribeiro Sampaio e em nome dos alunos o jovem João Francisco Penido Burnier, sendo então descerrado o retrato do homenageado. O prof. Carlos de Paula agradeceu comovidamente a demonstração de tanta estima, dizendo que a recebia como o mais alto prêmio de sua permanência por sete lustros nesta modelar casa de ensino e educação. Em comemoração ao acontecimento foi plantado no jardim fronteiriço ao prédio, um pequeno ingazeiro, enviado pela Comissão de Reflorestamento.

Poucos dias depois, por Decreto de 16 de maio, era também aposentada a inspetora de alunas d. Almeirinda de Toledo Lima, que fora nomeada para o cargo de contínua em 2 de julho de l 915, mantendo-se diligente no exercício de suas atribuições.

         O diretor professor Anibal Freitas, espírito esclarecido e sempre vigilante pelo bom nome do estabelecimento, não media esforços no sentido de melhorar as condições das salas de aula, corrigindo todas as falhas prejudiciais ao ensino. Durante o ano de 1944 foi executada uma reforma geral no prédio do colégio, substituídas as venezianas das salas de aula por vitrais, com grande vantagem para a iluminação; foram construídos também banheiros, galpões, instalações sanitárias separadas e uma pequena dependência destinada ao bar. No terreno que dá para a rua Hércules Florence iniciaram-se as obras do pavilhão de educação física, e projetava-se a construção do grande muro de fecho do terreno que dava para os fundos.

A 22 de maio desse ano, assumiu a regência da cadeira de matemática, do 1.o ciclo, a professoranda Maria Cecília Betim Bicalho, distinta aluna da Faculdade de Filosofia de Campinas, sendo dispensada em 28 de outubro do mesmo ano. Foi então posto à disposição deste colégio, por ato do Interventor Federal em 28 de dezembro, o prof. Lívio Thomás Pereira, do Ginásio Estadual de Araras, que vem ministrando com proficiência o ensino da referida cadeira.

Nos termos do art. 34 do Decreto-lei nº 12.932, foi nomeada em 17 de outubro para a cadeira de biologia a professora Diva Dinis Correia entrando em exercício a 14 de novembro. Exerceu com reconhecida competência a cadeira conquistada em brilhante concurso, até as férias de junho de 1945, quando foi comissionada na Capital do Estado. Veio substituí-la durante seu afastamento o prof. Antônio Nogueira Braga, que antes já demonstrara seu valor na regência da mesma cadeira.

Em 2 de janeiro de 1945 foi nomeado por concurso para a cadeira de ciências físicas e naturais, o prof. João Batista Piovesan, sendo empossado a 11 do mês em precário estado de saúde. Infelizmente veio a falecer poucos dias depois, em 24 do mês, privando o Colégio da boa colaboração que se esperava de seu formoso talento. Foi então nomeado para essa disciplina, na data de 17 de abril de 1945, o professor José de Toledo Noronha,  removido por Decreto de 9 de setembro do Ginásio Estadual de Santos para o Colégio de Campinas, onde continua com maestria a reger a cadeira.

Para exercer as funções de Instrutor pré-militar como extra-­numerário, foi admitido em 18 de abril de 1945 o 1º sargento Abílio Ribeiro da Costa. Para encarregar-se do ensino de trabalhos manuais, ficou à disposição deste colégio o prof. Carlos Alberto Erbolato, a partir de 12 de julho desse ano.

Por ocasião dos jogos do 10º Campeonato Aberto do Interior, realizados em princípio de outubro deste ano, procedeu-se à inauguração oficial do grande Ginásio Municipal, destinado à secção de esportes, construído em terreno do Colégio Estadual, conforme referência anteriormente feita. (N.A.: Este Ginásio viria a se chamar mais tarde de Alberto Krum, em memória do saudoso professor de educação física da escola.)

 

CAP. VII - CONSIDERAÇÕES FINAIS 

 PRÓLOGO

 Fazendo um rápido retrospecto de tudo quanto fica relatado, se infere, sem falta lisonja, que o corpo docente do antigo Colégio Culto à Ciência, do Ginásio e atualmente do Colégio Estadual de Campinas, foi sempre constituído, em sua grande maioria, por professores de notáveis qualidades morais e intelectuais. Muitos deles reuniam predicados invulgares, consagrando ao ensino da matéria que lhes pertencia, a máxima dedicação e todo o fulgor de sua inteligência.

         Costuma-se definir o verdadeiro professor, aquele que, perfeitamente inteirado de sua missão, considerada “a mais nobre e dignificante que a pátria pode confiar a um filho” procura exercê-la sempre com a maior integridade moral, transmitindo ensinamentos com amor aos tenros espíritos que lhe são confiados. Dando-lhes o exemplo desta integridade, o professor se eleva em sua missão, tornando-se um educador na formação moral de seus alunos. Ao professor do ensino secundário incumbe, no justo conceito de George Dumas, a formação das elites, razão por que se diz que uma nação vale o que vale o seu ensino secundário.                                               

As cátedras do tradicional “Culto à Ciência”, Ginásio e Colégio Estadual, nunca se deslustraram, sendo certo de que todos que nelas tomaram assento estavam perfeitamente compenetrados da grande missão que exerciam, missão de renúncia e de sacrifícios, alheia aos empenhos para aprovações ou apadrinhamentos.

Quase todos eles dedicaram inteiramente suas energias ao trabalho do magistério, alheios às atividades que não lhe eram afins. Publicaram obras didáticas das matérias que lecionavam, não com a preocupação do lucro, conhecido que é o mínimo quinhão que cabe aos autores de livros neste país, mas para melhor orientação de seus alunos. São autores de obras didáticas que granjearam grande aceitação nos estabelecimentos de ensino do estado de São Paulo e outros mais, da União, os professores: Otoniel Mota, Benedito Sampaio, Francisco Ribeiro Sampaio e Adalberto Prado Silva, da cadeira de português; João Keating, francês; Camilo Vanzolini, italiano; João Von Atzingen, alemão; José Stott, inglês; Coelho Neto, literatura; Antonio Cezarino Jr. e Alcino Muniz de Sousa, história da civilização, Basílio de Magalhães, história do Brasil, Paulo Luís Décourt, história natural; Aníbal Freitas, física e química; André Perez y Marin e Carlos Francisco de Paula, matemática; padre José Castro Neves, filosofia.

Um certo número deles deixaram a cátedra para ocupar elevados cargos no magistério e na administração pública, enquanto outros conquistaram novas cátedras nas academias superiores. Aqueles que findaram seus dias, trabalhando indefessamente no honroso posto desta casa, receberam as mais expressivas homenagens e tem os nomes gravados nos corações de milhares de antigos alunos e vivem na saudade de seus colegas.

No modelar templo de ensino e educação que é o atual Colégio Estadual de Campinas, deveriam pois ter formado sua mentalidade e se adestrado para as pugnas da existência um número incontável de figuras, que se destacaram na vida pública, como cidadãos prestantes à sociedade, colaboradores da grandeza da pátria, em tudo dignificando as tradições deste instituto de ensino.

Na impossibilidade de citar os nomes de todos que firmaram merecida nomeada nas profissões liberais, como médicos, advogados e engenheiros, seguem apenas os que ascenderam às cátedras de cursos superiores: dr. José Otávio Monteiro de Camargo, (Escola Politécnica de S. Paulo); drs. Ludgero  da Cunha Mota, Luis Vénere Décourt, Mauro Pereira Barreto e Inácio Alvares Correia (Faculdade de Medicina de S. Paulo); dr. Gerônimo Geraldo de Campos Freire (Faculdade de Medicina de Curitiba); drs. Basileu Garcia e Antônio Ferreira Cezarino Jr. (Faculdade de Direito de S. Paulo); dr. Francisco Oscar Penteado Stevenson (Faculdade de Direito da Universidade do Brasil).

Os ex-alunos que, mediante as provas de concurso, conquistaram cátedras nesta casa, donde lhes desceram ensinamentos dos antigos mestres, são: prof. Paulo Luís Décourt, dr. Antonio Ferreira Cezarino Jr., prof. Francisco Ribeiro Sampaio e o prof. Moacir Santos de Campos.

No vasto salão nobre acha-se instalada a biblioteca com mais de 6.000 volumes, lá pendem de suas paredes os retratos dos professores e diretores homenageados: Manuel Agostinho Lourenço, Padre Luis Gonzaga van Woesich, Benedito José Sampaio, dr. Antônio Rodrigues Alves Pereira, dr. João César Bueno Bierrenbach, dr. Amadeu Mendes, dr. Jorge Miranda, João Keating, Gustavo Enge, dr. Abílio Álvaro Miller, dr. Ernesto Kuhlmann,  André Peres y Marin, dr. Carlos Francisco de Paula e o Duque de Caxias, este como patrono do soldado brasileiro.

Na secretaria vê-se os retratos do Visconde de Indaiatuba (Joaquim Bonifácio do Amaral). dr. Jorge Guilherme Henrique Krug, dr. Mário Bulcão, Marechal Floriano Peixoto, Marechal Deodoro da Fonseca, dr. Prudente José de Moraes Barros, dr. Antônio Dino da Costa Bueno, dr. Manuel Ferraz de Campos Sales e dr. Bernardino de Campos. É sensível a falta do retrato de Antônio Pompeu de Camargo, o idealizador da fundação do antigo Colégio Culto à Ciência.

           O dia 4 de dezembro marca uma data memorável para este estabelecimento de ensino, a sua inauguração oficial a 4 de dezembro de 1896. Por esse motivo, é feriado nesta casa e deveria ser comemorado anualmente pelos alunos, como se fazia nos primeiros anos. No corpo de alunos do Colégio Estadual de Campinas encontram-se sempre elementos entusiásticos e inteligentes para a organização de certames artísticos e literários. Desse modo, a alma vibrante de idealismo das primeiras turmas de alunos do ex-Ginásio encontraria esplêndida ressonância na mocidade que lhe vem sucedendo nos bancos colegiais, em demanda do mesmo objetivo de sua formação moral e intelectual. A 4 de dezembro de 1946 vai decorrer o 1.o cinqüentenário da instituição oficial do Ginásio do Estado em Campinas. Assinala meio século de trabalhos fecundos, cujo resultado magnífico é difícil aquilatar. Aqui não cabe destacar valores dentre aqueles que trabalharam ou se instruíram sob o teto deste vetusto templo erguido pelos velhos campineiros do 3.o quartel do século passado; esse julgamento caberá melhor aos milhares de cidadãos ilustres, filhos espirituais desta casa que é um padrão de glória de Campinas. 

    Carlos Francisco de Paula, 1946

 

 

ADENDA À MONOGRAFIA HISTÓRICA

 

 

 

No dia 4 de dezembro de 1946, o Colégio comemorou cinqüenta anos de existência como instituição oficial de ensino. Durante as inúmeras comemorações ocorridas nesta ocasião, uma associação dos ex-alunos reinvidicou a volta da denominação original "Culto à Ciência",  para o então Colégio Estadual de Campinas.

Então, um  fato inusitado e curioso ocorreu. O governador do Estado, na época, Dr.Ademar de Barros, entendendo que Campinas pretendia cultuar a ciência, assinou em 17 de junho de 1947 um decreto de nº 17306, alterando o nome do Colégio para Colégio Estadual "José Bonifácio", considerando que José Bonifácio representava a homenagem que o corpo docente, bem como toda a cidade de Campinas, desejava prestar às ciências. Dessa forma, o Colégio levou o nome de "José Bonifácio" até o dia 1º de julho do mesmo ano, quando o decreto nº 17350 entrou em vigor, dando-lhe a denominação de "Colégio Estadual Culto à Ciência".

 

 

Em 1975, o Governo do Estado resolvia, de certa forma, desfigurar o padrão da escola, eliminando o ensino de Primeiro Grau no "Culto à Ciência", o que causou muita indignação junto aos membros da Congregação do Colégio. Em reunião presidida pelo então diretor Dr. Telêmaco Paioli Melges, decidiu-se pleitear a anulação desta resolução, através de uma carta, redigida pela então Profª Quinita Ribeiro Sampaio de Melo Serrano, endereçada ao Secretário de Educação do Estado de São Paulo, José Bonifácio Coutinho Nogueira. Em resposta à esta solicitação, não só não foram atendidos como também decretaram o fim da autonomia, da qual a escola desfrutava. 

 

 

Dados contidos no Sistema de Informações Educacionais da Secretaria de Estado da Educação indica que o decreto nº 8.761, de 12 de outubro de 1976, apontado no Diário Oficial de 13 de outubro de 1976, altera o nome da escola para Escola Estadual de Segundo Grau Professor Benedito Sampaio. O decreto nº 8.795, de 14 de outubro de 1976, apontado no Diário Oficial de 15 de outubro de 1976, torna sem efeito o decreto anterior, voltando para a denominação de Escola Estadual de Segundo Grau Culto à Ciência.

Conforme decidido na resolução nº 12, de 1 de dezembro de 1992, publicada no DOM em 24 de dezembro de 1992, o prédio do Colégio Culto à Ciência, situado à rua Culto à Ciência nº 422, foi tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Cultural de Campinas – CONDEPACC.

 

 

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© Carlos Francisco Paula Neto - última atualização em 20/03/2009
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